Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 26.12.2012 26.12.2012

James Patterson começa a ser publicado por mais de uma editora no Brasil

Por André Bernardo
 
James Patterson é do tipo que tem sempre “um milhão de ideias na cabeça”. E, para não correr o risco de esquecê-las, faz questão de catalogar todas em uma pasta, guardada a sete chaves no escritório de sua casa em Palm Beach, na Flórida. Sempre que resolve escrever um novo livro, Patterson revira a pasta à cata de inspiração. “Meu método de trabalho varia bastante. Às vezes, construo a narrativa a partir de uma ideia. Outras vezes, o que desencadeia a história é um título interessante”, relata Patterson. “Além disso, costumo trabalhar em diferentes histórias ao mesmo tempo. Gosto de começar uma trama aqui, desenvolver outra ali e concluir uma terceira acolá. E, se algo não está fluindo como deveria, paciência: eu simplesmente parto para outra”, admite. 
 
Aos 65 anos, o nova-iorquino James Patterson já escreveu 102 livros – 14 deles só em 2011. E, por essas 14 obras, Patterson embolsou a quantia de 94 milhões de dólares, o que fez dele o escritor mais bem pago do mundo, à frente de outros pesos-pesados da literatura mundial, como Stephen King, J. K. Rowling e Stephenie Meyer – que, no mesmo período, faturaram “apenas” 39 milhões, 17 milhões e 14 milhões de dólares, respectivamente. “Patterson vai direto ao ponto. Ele utiliza a técnica dos capítulos curtos, que fazem o leitor não se dar conta de que consome o livro com enorme rapidez”, analisa Marcos da Veiga Pereira, sócio da Arqueiro, editora que, desde agosto de 2011, já publicou 11 livros do autor. 
 
Só na Arqueiro, Patterson já vendeu 114 mil exemplares. O recordista é o romance Diário de Suzana para Nicholas, com 25.420 cópias vendidas. A editora publica três das séries policiais de maior sucesso do escritor: Alex Cross, que narra as aventuras de um investigador particular de Washington; Clube das Mulheres Contra o Crime, que relata os casos investigados pela equipe da detetive Lindsay Boxer em São Francisco; e Private, que acompanha o dia a dia da maior agência de investigação do mundo. Para 2013, a Editora Arqueiro anuncia os lançamentos de Lua de Mel, Escola – Os Piores Anos da Minha Vida, 8ª Confissão e Private Suspeito Nº 1. “A ideia é, a partir de 2013, lançar seis livros do James Patterson por ano”, avisa Marcos da Veiga Pereira.
 
James Patterson
 
NOVO CONCEITO LANÇA NO BRASIL DUAS NOVAS SÉRIES: WITCH & WIZARD E MAXIMUM RIDE
 
Engana-se quem pensa que James Patterson é escritor de um gênero só. Além de thrillers policiais, como os da saga protagonizada por Alex Cross, o autor também escreve séries de fantasia e ficção científica. A Novo Conceito acaba de adquirir os direitos de publicação das séries Witch & Wizard e Maximum Ride. Só este ano, a editora pretende publicar quatro títulos. “James Patterson é um indiscutível sucesso editorial porque escreve para vários públicos, desde jovens a adultos. Como se isso ainda não bastasse, aborda vários estilos. Nenhum outro escritor consegue fazer isso com tanto sucesso. Acreditamos que James Patterson tem tudo para repetir no Brasil o mesmo desempenho alcançado lá fora”, avalia Fernando Baracchini, presidente da Novo Conceito.
 
Com tantas ideias mirabolantes na cabeça, Patterson confessa que, mesmo se quisesse, não teria tempo suficiente para colocar todas elas no papel. Por isso mesmo, administra uma equipe de colaboradores que, na maioria das vezes, são incumbidos de dar continuidade às histórias que ele inventa. “Normalmente, escrevo um esboço detalhado, algo em torno de 50 páginas, da ideia que tenho em mente e entrego a um coautor para desenvolver a sinopse. A cada duas semanas, dou uma olhada no material que ele está escrevendo. Quando isso acontece, posso dizer: ‘Puxa, que legal! Vamos em frente’ ou, então, ‘Ei, peraí, precisamos conversar’. Às vezes, um livro pode passar por 8 ou 9 rascunhos até que eu fique inteiramente satisfeito com ele”, observa Patterson.  
 
Das muitas séries que desenvolve, o escritor nutre especial carinho por Maximum Ride, série de fantasia que conta os percalços vividos por um grupo de jovens alados, que é perseguido por um bando de criaturas híbridas: metade homens, metade lobos. “Quero que crianças e adolescentes descubram que a leitura pode ser uma atividade divertida e prazerosa”, ambiciona ele, que, em 2008, lançou o site www.readkiddoread.com, dedicado a estimular a leitura entre os jovens. Em casa, Patterson dispõe de um crítico feroz e intransigente: o filho Jack, de 14 anos. “Quando Jack não gosta de determinada coisa, não esconde de ninguém o que pensa: ‘Hummm, esse título não está legal!’ ou, quem sabe, ‘O início deste romance está lento demais!’”, exemplifica o pai, que sempre que possível acata as sugestões do filho. 
 
DO ROTEIRO AO ELENCO, ESCRITOR SUPERVISIONOU TODAS AS ETAPAS DE À SOMBRA DO INIMIGO
 
A carreira de James Patterson começou em 1976, quando lançou seu primeiro romance, The Thomas Berryman Number. Na época, trabalhava como redator publicitário na agência J. Walter Thompson e escrevia thrillers policiais nas horas vagas. Seu romance de estreia vendeu 10 mil exemplares e, de quebra, ganhou o prêmio Edgar, concedido anualmente ao melhor livro do gênero mistério/suspense. Em 1993, lançou Na Teia da Aranha, o primeiro da série Alex Cross, e, em 2001, 1º a Morrer, o primeiro da série Clube das Mulheres Contra o Crime. “Todos os dias, pulo da cama às 5h30, sento ao computador e escrevo alguma coisa. Se você quer ser um escritor de verdade, tem que escrever, escrever e escrever. Sem trabalho e perseverança, ninguém chega a lugar nenhum”, ensina. 
 
Cena de 'A Sombra do Inimigo'
Cena de 'A Sombra do Inimigo'
 
Com 102 livros publicados, não é de estranhar que alguns deles já tenham ido parar nas telas de cinema. Beijos que Matam, de Gary Fleder, e Na Teia da Aranha, de Lee Tamahory, por exemplo, viraram filmes em 1997 e 2001. Atualmente em cartaz, À Sombra do Inimigo, de Rob Cohen, retoma a franquia do detetive Alex Cross e apresenta Tyler Perry no lugar de Morgan Freeman. “Tyler Perry é muito mais fiel ao que eu imaginei do que Morgan Freeman. Eu diria até que o Alex Cross dele é simplesmente incrível”, exagera o autor, que fez questão de supervisionar cada etapa da produção. “Da elaboração do roteiro à escalação do elenco, tudo teve que passar pelo meu crivo. Por isso mesmo, eu posso garantir, sem medo de errar, que esse é o melhor filme do detetive Alex Cross já produzido até o momento”, garante. 
 
 
 
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