Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.04.2014 30.04.2014

In-Edit: Documentários que falam de música para quem gosta de cinema

Por Márcia Scapaticio
 
Quem gosta de música e cinema já sabe: O In-Edit faz parte do calendário cultural da cidade de São Paulo. O Festival Internacional do Documentário Musical acontece entre os dias 1º e 11 de maio, com uma programação tão diversa quanto o próprio cenário musical que se desenvolve no Brasil e fora dele.
A ideia de trazer a mostra ao país foi do publicitário Marcelo Andrade, que na época morava em Barcelona (cidade onde o In-Edit nasceu) e estava cansado de trabalhar na área. Depois de assistir a algumas sessões, ficou tão impressionado que decidiu correr atrás da organização do festival para investir na parceria.
Desde então, o festival acompanhou e contribuiu com o crescimento do gênero documental e está em sua 6ª edição. “Os documentaristas estão arriscando mais em termos de linguagem, buscando uma linguagem cinematográfica diferenciada para contar as suas histórias, o que é uma evolução muito notável no Brasil”, opina Marcelo, que vê os curtas-metragens como fundamentais nesse processo de evolução.
“Geralmente, é por amor e não por dinheiro que as pessoas fazem esse tipo de cinema. Os pioneiros dessa galera são os curtas. Quem faz um documentário musical não tem muito a perder e quem faz um curta de documentário musical tem menos a perder ainda, então encontramos produções com animação, pequenas partes ficcionais e outros recursos interessantes. Durante todos os anos do festival os curtas guardaram mais tempo de inovação da linguagem, a qual se expandiu para os longas e filmes tradicionais”, conta.
HOMENAGEM
A programação é montada para que as pessoas não procurem só documentários sobre os artistas que gostem, mas saiam em busca de bons filmes e estejam abertas a acompanhar histórias que nem imaginavam que seriam interessantes.
Neste ano, o cineasta holandês Frank Scheffer é o homenageado da edição. Há mais de 30 anos ele retrata personagens importantes das vanguardas musicais, entre eles Edgar Varèse, Frank Zappa, Brian Eno e John Cage.
Marcelo justifica a homenagem ao dizer que justamente Scheffer faz a ponte entre o documentário musical e a inovação na linguagem que ele tanto valoriza. “Scheffer tem uma maneira de trabalhar muito peculiar.
Ele não sai filmando de forma aleatória. Antes conversa e convive com o personagem para depois ligar a câmera e adaptar a linguagem do cinema dele à música/artista documentado”, explica. O trabalho de Scheffer poderá ser visto em How To Get Out Of The Cage, uma coletânea de entrevistas do documentarista com o músico e Frank Zappa: A Pioneer Of The Future Music, sobre a vida e obra do guitarrista norte-americano que é adorado pelos fãs.
AINDA OS BEATLES, SEMPRE OS BEATLES
Que a música pop não existiria sem os Beatles é notório, mas ainda há o que ser falado sobre o quarteto? Considerando a programação do festival, sim. E o documentário Good Ol Freda apresenta a dose certa entre história e memória afetiva.
 
Segundo Marcelo, não há nenhuma inovação quanto à linguagem ou estética trazida pelo filme dirigido por Ryan White; contudo, um olhar pessoal e íntimo sobre a banda é o mais convidativo. Freda Kelly dá seu depoimento no documentário. Ela foi secretária dos Beatles por muito tempo. Trabalhou com eles no Cavern Club e até um pouco depois da separação oficial.
“Foi a única que não falou. Todo mundo que viu Paul McCartney passar na rua tinha alguma história para contar. Freda, não. Chamou a minha atenção como uma pessoa tão próxima e central na história nunca tinha dito nada. Nunca pediu para si a fama, coisa que muita gente fez”, diz Marcelo sobre o porquê do filme ser tão atraente para os fãs e não fãs dos Beatles.
SELEÇÃO VERDE E AMARELA
A produção nacional também faz bonito, com filmes que exploram a história de artistas consagrados e outros nem tão conhecidos pelo grande público, dirigidos por diretores estreantes e já experientes.
É o caso de Olho Nu (Joel Pizzini), um filme ensaio sobre Ney Matogrosso, Eu Sou Insana?, (Jodele Larcher), um curta-metragem sobre Angela Ro Ro e Cauby, Começaria Tudo Outra Vez, dirigido pelo experiente Nelson Hoineff. O Hip Hop aparece em Triunfo (Cauê Angeli e Hernani Ramos), um documentário sobre o pioneiro do breakdance que evidencia momentos da vida de Nelson Triunfo ao mesmo tempo em que retrata a cultura negra brasileira.
 
Olho Nu
Triunfo
Uma estreia nacional que promete uma grande fila na porta do cinema é Geração Baré-Cola – Usuários de Rock, de Patrick Grosner. Graduado em Cinema e Mídias Digitais, ele é fotógrafo desde 1989 e tem no documentário sua primeira experiência no audiovisual.
“Toda a minha estratégia de execução do filme seguiu o que aprendi na academia e tive uma preocupação em fugir dos clichês normalmente vistos em documentários”, enfatiza Grosner, que registrou a geração de roqueiros da década de 90 que até hoje deixa os fãs saudosos.
A ideia é que os próprios músicos conduzam a narrativa, tendo como base um raro material de arquivo. O diretor pesquisou somente imagens de VHS (a fitinha magnética da década de 80 usada nos videocassetes) das próprias bandas.
“Encontrei um material demo riquíssimo e inédito sem ter que negociar direito autoral com gravadoras e produtoras dos clipes. O filme mostra o caminho das bandas até a aceitação do mercado musical da época. Temos um trecho do grande produtor musical Tom Capone, em estúdio com a banda Pravda, gravando o primeiro CD em que assina como produtor musical. Temos também na íntegra, o primeiro clipe da banda Raimundos, em uma versão demo da música Nêga Jurema”, exemplifica Grosner, que espera empolgar os cinéfilos de São Paulo em sua estreia.
O tempo é curto e as opções são muitas. No total, são 60 títulos nacionais e internacionais. Além dos filmes, haverá apresentações musicais com Lou Barlow (Sebadoh, Dinossaur Jr), Daniel Drexler, Manu Maltez e Angela Ro Ro. O acesso é gratuito em todas as sessões e eventos especiais, exceto no CineSESC, onde os ingressos variam de R$ 2,50 a R$ 10,00.
A programação completa está disponível no site do In-Edit.
In-Edit Brasil
Onde: CineSESC, Cinemateca Brasileira, Cine Olido, Matilha Cultural, Centro Cultural São Paulo e Museu da Imagem e do Som (MIS)
Quando: de 1º a 11 de maio de 2014
Quanto: ingressos gratuitos, exceto em exibições no CineSESC (de R$ 2,50 a R$ 10)
 
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