Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 22.01.2011 22.01.2011

Iñárrittu peca por excesso em ‘Biutiful’

A parceria com Guillermo Arriaga acabou em  Babel, mas Alejandro González Iñárritunão parece ter se livrado, perdoem-me o clichê, do DNA dessa e das outrasdobradinhas dos conterrâneos do México, Amoresbrutos e  21 gramas. Em seu novolonga, Biutiful, que estreou no dia 21 de janeiro, o diretor até tentou isolar um foco narrativo – em seuprotagonista, Uxbal (Javier Bardem) – mas não só acabou vascularizando a trama,como a carregou, novamente, nas tintas melodramáticas.

O enredo, digamos, central, acompanha o desencanto edesespero de Uxbal, pai de duas crianças, casado com uma mulher com transtornobipolar, e que é diagnosticado com uma doença terminal. Com dois meses deprognóstico de sobrevida, ele tenta se equilibrar entre extremosirreconciliáveis: tenta ajudar imigrantes chineses e africanos numa Barcelonanada turística, mas é parte do esquema daninho que tira proveito da suailegalidade. Quer garantir a vida de seus filhos, mas, à beira do fim, parecepassar mais tempo “do outro lado”, por conta de seu contato com os mortos.

Longo (com mais de 2h), Biutiful é pesado, pesadíssimo,arrasta-se sem sutileza e Iñárritu, temente à tradição melodramática de seupaís, empilha personagens desencantados, recorre a todos os lugares comuns doretrato de uma cidade grande – sexo, sujeira, barulho etc. – e muitas vezes seafasta de seu foco – Uxbal – construindo um batido tratado sociológico do mundoglobalizado.

Pelo visto, o casamento com Arriaga acabou, mas a separação ainda não sedeu.

Veja abaixo um trailer do filme:

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