Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 05.09.2011 05.09.2011

Horror e fantasia nas linhas da Ficção de Polpa

Por Sarah Corrêa
Na foto ao lado a revista norte-americana Astonishing Stories

Assassinatos improváveis, mortes cruéis, a mocinha e o vigarista. Com certeza, estes temas e personagens não são novidade. Popularizados no início do século XX, nos Estados Unidos, textos com estas situações eram consumidos pelos trabalhadores que saiam cedo de suas casas a caminho das fábricas. Eles passavam nas bancas e por poucos dólares (cerca de 30 centavos) compravam a revistinha que os esperavam na banca da esquina.

 
Fabricadas com uma folha de baixa qualidade, com matéria prima extraída das sobras da polpa das árvores, estas revistinhas revelaram o gênero Ficção de Polpa (Pulp Fiction, em inglês).
Considerada pelos grandes círculos de literatura um gênero pobre e de pouco requinte textual, os contos tomados pela fantasia, ficção e casos policiais conquistaram seu público e apontaram nomes respeitados na literatura mundial. “Os maiores escritores são os mais óbvios, como H. P. Lovecraft, Robert E. Howard, ou os mais conhecidos na área de ficção científica, como Phillip K. Dick e Arthur C. Clarke”, comenta Samir M. Machado, um dos idealizadores e editor da Não-Editora.
Lovecraft se tornou um dos nomes mais populares e lidos quando o assunto é história de terror. Narrativas em primeira pessoa, baseadas em monstros e divindades ancestrais, como O Caso de Charles Dexter Ward, conseguiram fazer do norte-americano uma figura admirada e inspiradora. Stephen King certa vez disse que “Lovecraft é o maior praticante do século XX do conto de terror clássico”.
Contudo, no Brasil, o tema não teve grande repercussão, como afirma Samir. “Se por literatura de polpa entender literatura em estilo pulp, ela nunca chegou a se popularizar no Brasil para que se pudesse dizer que há um divisor de águas. Há tentativas isoladas e um crescimento da produção nos últimos anos”, diz.
Porém, os ecos desta literatura chegaram a terras tupiniquins e hoje ganham popularidade. A própria gaúcha Não-Editora tem um papel de destaque neste sentido.  Com a série Ficção de Polpa, foram lançados quatro volumes. Cada edição com uma proposta temática diferente aos seus contistas convidados, como alienígenas, monstros, serial killers, experiências científicas errôneas e por aí vai.
O design dos livretos da série Ficção de Polpa e as folhas leves remetem aos grandes lançamentos de décadas atrás, como as populares revistas norte-americanas Astonishing Stories e Argosy ou a nova e brasileira publicação Lama.
E não por acaso a Não-Editora também investe no visual de seus lançamentos. Samir, além de ser escritor e assinar alguns contos, é também designer editorial. E, para ele, “em último caso, o livro precisa se destacar na prateleira de uma livraria”. E as capas de das ‘Pulp Ficcion’ não deixam a desejar neste sentido.
 
 
Imagens
 
 

Astonishing Stories
 
 
 

Astonishing Stories
 
 

Série ficção Polpa Crime!
 
 
Série ficção Polpa volume1
 
 
Revista Argosy
 
 
Revista Argosy
 
 
 
 
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