Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 19.07.2013 19.07.2013

“Hoje, é imoral não falar de sexo em livros para teens e jovens adultos”, diz Ali Cronin

Por Carolina Cunha
 
O segundo grau é marcante para todo mundo. Nesse período, parece que tudo acontece ao mesmo tempo. Se você está prestes a fazer 18 anos, seu maior pesadelo pode ser o fora de um amor não correspondido, a luta pela balança, driblar a pressão de um grupinho que não vai com sua cara ou escolher a faculdade e a profissão certa. Uma editora decidiu apostar nesses conflitos para criar a série de livros garota<3garoto, que mostra o cotidiano de um grupo de amigos em seu último ano escolar.
 
A tarefa de escrever a história ficou para a inglesa Ali Cronin. A escritora conhece bem o mundo dos teens. Ela já trabalhou como jornalista para revistas e sites adolescentes e foi a responsável pela adaptação literária da cultuada série Skins, que conquistou o público na TV. Talvez por isso os livros da série tragam um olhar bem realista do universo adolescente, chegando aos 18 anos.
 
Com quatro volumes, cada livro é narrado do ponto de vista de uma das protagonistas (Sarah, Donna, Ashley e Cass) que, ao lado de mais três meninos, compõem o grupo de jovens que vivem em Brighton, Inglaterra, e que são o centro da história. No Brasil, já foram publicados pela editora Seguinte os volumes Nada é para Sempre, Dizem Por Aí e o recém-lançado Três é Demais.
 
“O que faz esse grupo especial é o fato de que todas essas pessoas são muito diferentes uma das outras”, diz Ali Cronin em entrevista para o SaraivaConteúdo.
 
O primeiro volume mostra Sarah, uma garota romântica que busca uma grande paixão. A personagem saiu das páginas e ganhou um vlog, onde conta todos os seus dilemas à procura do cara ideal, do encontro perfeito, entre outros assuntos, em 14 episódios. Já no segundo livro, a personagem central é Ashley, garota independente que não busca um relacionamento sério e não se importa com o que os outros pensam dela. O terceiro é sobre Cass, uma das garotas mais inteligentes da classe, que encara o dilema de mudar de cidade para estudar ou ficar com o namorado, que todas as amigas consideram um babaca.
 
Vlog de Sarah falando sobre achar o cara ideal:
 

 
Fenômeno de público na Inglaterra, a série busca uma narrativa real do mundo adolescente, abordando os mais variados assuntos e um tema que há muito já deixou de ser tabu em obras para teens: sexo.
“Pessoalmente, eu era meio obsessiva com o assunto ‘sexo’ quando era adolescente, então eu seria hipócrita em não escrever sobre isso. Hoje, acho que é praticamente imoral não escrever sobre isso para adolescentes e jovens adultos”, diz a escritora.
 
Ali lembra que a autora Judy Blume já escrevia sobre a sexualidade adolescente há 40 anos no livro O Primeiro Amor (“Se não leu, leia. Foi uma grande influência para mim durante a adolescência”, ela conta). Blume compôs a obra porque não conseguia achar nenhum livro onde o sexo não era visto como algo vergonhoso ou que levasse apenas a uma gravidez.
 
“Você pode achar pornografia na internet em alguns segundos, mas pornô não é sexo real. O sexo de verdade é bobo, engraçado, geralmente bagunçado, algumas vezes embaraçoso e, em outras, ótimo. O sexo em histórias para adolescentes e jovens adultos deveria refletir isso. É uma certeza que eu tenho, como você deve ter percebido”, comenta. 
 
Sobre os três títulos lançados no Brasil, com Sarah, Ashley e Cass, ela diz que as duas últimas não foram personagens fáceis.
 
A escritora Ali Cronin
“Eu gosto da habilidade que Ashley tem de se defender. Você nunca poderá culpá-la de ser uma mulher passiva-agressiva (o que eu odeio!). Mas eu não gosto do jeito esnobe com que ela lida com o mainstream. Todo mundo é diferente do outro! Você não precisa gostar de uma música ‘cabeça’ ou vestir roupas loucas para se destacar na multidão”.
 
A defesa a que Ali se refere é a forma como Ashley lida com o bullying que sofre na escola, sendo alvo de uma maldosa fofoca. Um assunto cada vez mais em voga em livros e programas que têm o público teen como alvo.
 
“Ashley decide enfrentar essa fofoca ignorando-a e se recusando a aceitar o rótulo. Se o propósito de um rumor é provocar uma reação, ignorá-lo é como cortar o seu suprimento de oxigênio desde o começo. Mas o fato de que ela se recusa a aceitar a provocação é uma decisão pessoal, e isso não altera o fato de que o bullying é horrível e machuca pra caramba”, comenta Ali.
 
Já sobre Cass, Ali revela que fez uma jornada da antipatia para a empatia pela personagem. “Eu acho que escrever sobre a Cass foi mais difícil, porque no início eu não gostava muito dela, então foi assim que ela apareceu. No entanto, enquanto escrevia, comecei a perceber o que estava por trás daquela menina geek, que parecia perfeita para o mundo exterior. E no final, eu realmente gostei dela”.
 
 
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