Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 24.02.2010 24.02.2010

HISTÓRIA SEXUAL DA MPB

Fotos: Debora 70

O livro História Sexual da MPB – A evolução do amor e do sexo na canção brasileira  (2006), de Rodrigo Faour tem rendido bons frutos. Além de ter se tornado um dos best sellers da editora Record, o livro se desdobrou em programas  para diferentes mídias.

Primeiro, em 2008, Rodrigo mergulhou nas ondas do rádio com  Sexo MPB, na MPB FM (90,3 RJ), com apresentações diárias, onde ícones da música brasileira falavam de sexo e, claro, música.

“O rádio foi uma escola para fazer agora a TV. Melhorei muito meu poder de comunicação, pois no rádio você tem que falar para um microfone como se fosse para um mega auditório e sem a resposta imediata do interlocutor. O programa na MPB FM vai continuar a partir de março num novo formato, com pequenas entradas minhas duas ou três vezes ao dia, durante a programação, enfocando uma canção importante e um pequeno depoimento de algum artista dentro dos temas de comportamento que eu venho fazendo. A EMI Music também vai editar um CD duplo com as músicas mais tocadas nesses quase dois anos de programa, algumas bem raras.”, diz o escritor Rodrigo Faour, autor de Bastidores  (2001), biografia de Cauby Peixoto e Revista do Rádio (2002).

                 
                                Angêla Rorô e Rodrigo Faour
                                  

Neste ano, Faour leva para a televisão a discussão sobre a evolução da sexualidade sob a ótica da música brasileira no programa  História Sexual da MPB, que estréia no Canal Brasil nesta quarta-feira, dia 24 de fevereiro, à meia-noite. Dirigido por Darcy Bürger e produzido pela Carioca Filmes, o programa debate, em seis episódios, temas que espelham a evolução do amor, da sexualidade e do comportamento em nossa música.

“Sempre quis ir para a televisão porque acho que nesse veículo meu trabalho terá muito mais repercussão e assim poderei divulgar os verdadeiros grandes artistas da MPB, pois tenho certeza que grande parte das pessoas que têm hoje menos de 30 anos sabe muito pouco da riqueza fantástica que é a música brasileira. Os nossos melhores artistas e nossas canções mais incríveis tocam cada vez menos nas grandes mídias e isso é um atentado tão grande à nossa cultura que eu não me conformo em ficar de braços cruzados. Entrevistei 32 artistas de vários estilos e gerações, selecionei clipes raríssimos, elaborei o roteiro, participei da edição e tenho certeza que fiz um negócio realmente diferente na TV brasileira em termos de conteúdo.”, afirma o jornalista e pesquisador musical, colecionador com cerca de 70 mil músicas catalogadas e um vasto clipping de matérias de imprensa.

Inspirada no livro homônimo do apresentador, o programa traz, a cada episódio, um tema específico da MPB: a mulher, a sensualidade, o duplo-sentido, a dor-de-cotovelo e a sexualidade transgressora.

“”Em geral quando se fala na história da música brasileira, são sempre os mesmos artistas que são valorizados. No meu caso, valorizo Gil, como valorizo outros monstros sagrados como Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Ney Matogrosso e Roberto Menescal, mas vejo as obras de Martinho da Vila, Ivan Lins, Simone, Fafá de Belém, Alcione e outros por um enfoque que os historiadores nunca passaram sequer de relance. É um outro olhar, mais moderno e mais carinhoso. Todos eles foram grandes transgressores, cada um à sua maneira. Também resgato os artistas da Era do Rádio sem enfurná-los na Rádio Nacional. Coloquei-os num lindíssimo cenário do Forte de Copacabana num dia de sol e fiz com que eles falassem de suas experiências comportamento & música no Brasil dos anos 30, 40 e 50, com direito a várias canjas.Em que outro programa você vai ouvir tanta música boa ao mesmo tempo? (risos)””

Ao lado de ícones da MPB, Rodrigo Faour resgata histórias de diversas gerações e artistas menos lembrados da nossa música, como Maria Alcina, Eduardo Dussek, João Roberto Kelly, Edy Star, o porno-forrozeiro Manhoso, Dicró, a rainha da fossa Waleska, além de dez grandes nomes da época áurea do rádio.

“No livro, no rádio e na TV não falo apenas de sexo, mas também de como a história das mentalidades de nossa sociedade vem evoluindo (ou não) no plano afetivo, sexual e comportamental. As canções espelham isso através das letras e danças, e da própria imagem de alguns intérpretes. Alguns artistas foram importantes por sua obra musical e outros pelo próprio impacto de sua figura em nosso imaginário. Tenho dois grandes objetivos com este programa: o resgate desses grandes artistas e também que as pessoas, refletindo sobre essa evolução toda, repense sua própria vida afetiva e sexual, de modo a não repetir os erros ou banalizar as conquistas do passado.” , finaliza.

Enfim, um programa para quem curte sexo e música brasileira.

Serviço:

História Sexual da MPB, no Canal Brasil
Estréia: 24 de fevereiro (de quarta para quinta), à meia-noite.
Horário alternativo: Sextas, às 21h, e de sexta para sábado, às 4h30.

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