Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 23.11.2012 23.11.2012

Hermila Guedes diz que objetivo de Era Uma Vez Eu, Verônica é “tratar da nudez de maneira natural”

Por Edu Fernandes
 
Muitas comédias brasileiras de grande sucesso de bilheteria têm no centro de seus enredos o sexo. É o caso de De Pernas pro Ar, Cilada.com e E aí, Comeu?, por exemplo. No entanto, tais produções são voltadas para o entretenimento familiar, por isso não há nudez em suas cenas.
Recentemente, estreou o drama Era Uma Vez Eu, Verônica, que traz numerosos momentos sexuais. A história é sobre uma médica residente (Hermila Guedes, de Assalto ao Banco Central) preocupada com a condição de saúde de seu pai (W.J. Solha, de O Som ao Redor). Apesar dos problemas, ainda há espaço para Verônica curtir a vida.
Depois de passagem premiada pelo Festival de Brasília, a produção foi eleita o melhor longa do Amazonas Film Festival. Na ocasião, Hermila Guedes conquistou o prêmio de melhor atriz. Após a sessão do filme no evento manauara, a atriz concedeu entrevista ao SaraivaConteúdo sobre seu trabalho em Era Uma Vez Eu, Verônica e sobre a recepção de cenas de nudez no cinema brasileiro atual.
“A gente trabalhou muito minuciosamente para tratar da nudez de maneira natural, como Verônica encararia o assunto”, disse Hermila. “Eu tinha confiança e segurança no trabalho do diretor. A nudez está no contexto das cenas, mas é claro que eu também tenho pudores”. O longa é dirigido por Marcelo Gomes (Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo).
“Marcelo estava fazendo um diário íntimo de uma personagem, então teria de falar do desejo, porque faz parte da vida”, afirmou o produtor João Vieira Júnior (Baixio das Bestas). “Seria leviano fazer diferente, e não podia mostrar o desejo muito comportado. Por isso que o tom é mais quente”.
 
João Miguel faz par romântico com Hermila Guedes em Era Uma Vez Eu, Verônica
 
Quem divide a maioria das cenas de sexo de Era Uma Vez Eu, Verônica com Hermila é João Miguel (Se Nada Mais Der Certo). O ator baiano interpreta um caso complicado na vida da protagonista. “O sexo é pesado no filme, não há coreografia nas cenas”, explicou Vieira.
O receio de incluir nudez em outros filmes é visto por Hermila com uma motivação histórica. “É o ranço de um período do cinema brasileiro em que a nudez era banal”, analisou. “Existe um medo de incluir cenas mais ousadas sem que o público acredite que sejam apenas apelação”.
Para o produtor, as motivações são mais amplas. “É raro para a sociedade mais individualista discutir o assunto, então a questão ficou mais conservadora”, rebate Vieira.
Outro longa que traz cenas de nudez e sexo em número considerável é Paraísos Artificiais. Ao acompanhar a jornada de uma DJ (Nathalia Dill, de Apenas o Fim) nas experimentações com drogas e sexualidade, a produção oferece um cinema sensorial. “É um grito contra a caretice e puritanismo do cinema nacional”, disse o diretor Marcos Prado (Estamira) em entrevista ao UOL. “Quis fazer cenas em que você pudesse experimentar um pouco o que o personagem está vivendo, por isso elas são longas e explícitas, dentro de uma preocupação em não ser pornográfico ou exagerado”.
 
Nathalia Dill em cena de Paraísos Artificiais
 
O filme causou polêmica quando foi exibido no CinePE, no Recife. Parte da plateia abandonou a sala de projeção antes de a sessão acabar.
“A gente estava caracterizada das personagens, toda a ambientação ajudou muito”, falou Dill sobre uma das cenas de Paraísos Artificiais em entrevista ao site Cineclick. “Daí você embarca e faz. O desconforto é o assistir depois”.
Veja o trailer de Era Uma Vez Eu, Verônica:
 

 
 
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