Bel Sanmax por Bel Sanmax Música 28.12.2019 28.12.2019

Harry Styles: do pop ao rock

Harry Styles vive um processo de constante experimentação sobre sua identidade artística. O músico inglês, alçado à fama internacional graças ao sucesso da boy band One Direction, que entrou em hiato em 2015, conta com dois álbuns de estúdio no currículo da carreira solo.

O músico, que completa 26 anos em 2020, não escondeu o “frio na barriga” e a pressão que sentiu ao trabalhar no material do disco Fine Line, lançado ao final de 2019. A obra estreou no topo da parada da Billboard, e Harry é o primeiro artista masculino do Reino Unido a dominar o ranking dos mais vendidos com seus dois  álbuns inaugurais (o primeiro, Harry Styles, foi lançado em 2017). Em menos de um mês, Fine Line tornou-se um dos discos mais vendidos de 2019.

“Por favor, sinta-se livre para ser quem você quiser ser aqui nesta noite” – Harry Styles durante o concerto inaugural da turnê do álbum Fine Line, que contou com a participação de Stevie Nicks, do Fleetwood Mac

Linha Fina

Fine Line, que traz Harry experimentando com as influências tanto filosóficas quanto musicais do rock psicodélico, também expõe na obra a sua até então bem guardada intimidade.

Harry, que desde o início da carreira sempre se recusou a dar respostas absolutas quanto à sua sexualidade, por acreditar que tal definição seria antiquada e desnecessária, narra nas faixas a experiência de ter seu coração partido, além de assumir a culpa pelo fim de um relacionamento por conta de uma traição.

“Basicamente, as letras do álbum são sobre sexo e sentir-se triste”, disse ele para a revista Rolling Stone.

No passado, ele namorou mulheres famosas, como Taylor Swift e Kendall Jenner (mas jamais falou sobre elas). Entretanto, foram as dores e sabores do relacionamento de cerca de um ano com Camille Rowe, uma modelo francesa, que o levaram a expor seus sentimentos nas letras de Fine Line.

Sem receio de demonstrar a vulnerabilidade emocional decorrente de um “coração partido”, Harry credita a sua criação apenas por mulheres (ele cresceu com a mãe e a irmã), e sua admiração pelos elementos característicos da feminilidade como seus “superpoderes” enquanto artista.

“As pessoas pensam que se você diz ‘eu sou feminista’, significa que você acha que os homens devem queimar no inferno e as mulheres devem pisar no pescoço deles. Não: a ideia é que as mulheres sejam tratadas socialmente da mesma forma (…) Isso não me parece uma coisa absurda”, declarou também na entrevista para a RS.

Afilhado

Harry Styles na capa do álbum Fine Line. Foto: Columbia Records

Em 2016, ele conheceu e ficou muito amigo de Stevie Nicks, um dos maiores ícones do rock contemporâneo. A artista, que além do sucesso solo também é vocalista da banda Fleetwood Mac, tornou-se uma espécie de mentora para Harry, e trata-o como se fosse o “filho que ela nunca teve”.

Harry se juntou ao Fleetwood Mac durante a bem-sucedida turnê que marcou a reunião da banda, em 2017, depois de mais de duas décadas sem se apresentarem juntos.

O blues rock da década de 1970, produzido por nomes como David Bowie, Stevie Nicks (e o FM) e Joni Mitchell , foi a influência dominante de Harry quanto à composição da linha musical de Fine Line. Além do legado sonoro, tal época foi marcada pela androgenia estética e comportamental.

Artistas como Bowie e Freddie Mercury estavam na vanguarda do movimento artístico, que rompeu com a imagem “status quo” de como um artista masculino deveria se “portar”. As apresentações incorporavam elementos teatrais, pirotecnia, e os músicos se expressavam através de personas. Bowie é conhecido por ter explorado suas facetas artísticas dessa forma, sendo suas personas mais notórias Ziggy Stardust e The White Thin Duke.

Psicodelia

Harry revelou que fez uso dos mesmos “recursos psicodélicos” que seus ídolos para entrar no clima nas gravações de Fine Line.

A banda e Harry, que assina a maior parte das letras e toca violão e guitarra na obra, estavam sob o efeito de cogumelos alucinógenos em grande parte do período de produção. Um belo dia a “onda” foi tanta que ele mordeu a ponta da língua e decepou um pedaço.  

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Solo

A carreira no showbiz já dura uma década: quando o One Direction foi formado, ele tinha 16 anos. A banda nasceu da mente do juiz de competições e produtor musical Simon Cowell. Os cinco integrantes eram participantes do reality show britânico X-Factor.

Harry, que dos cinco ex-membros é o único que se identifica com o rock´n´roll como estilo musical, não rejeita seu passado como ícone do pop “chiclete”, e crush internacional de uma geração. “Não sinto como se houvesse sido uma obrigação, porque foi tão divertido. Se eu não gostasse, não teria feito parte. Não é como se alguém tivesse me amarrado a aquilo”, diz ele sobre os anos com o One Direction.

Depois do “pause” da banda, Harry expandiu sua presença no showbiz e na cultura de moda e arte além do One Direction: em 2017 co-estrelou o filme Dunkirk, do aclamado diretor Christopher Nolan. O longa foi indicado ao Oscar de Melhor Filme, e a performance de Harry como um soldado inglês durante a Segunda Guerra Mundial foi elogiada pela crítica.

O senso estético de Harry lhe rendeu parcerias, também solo, com grandes marcas da moda. Ele se define como uma pessoa que não vê limites de gêneros quanto a estilo: suas unhas, por exemplo, estão sempre pintadas de cores diferentes, e ele adora usar peças de roupas femininas.

Em 2019, ele foi um dos mestres de cerimônia no baile de gala do museu MET, em Nova York, promovido por Anna Wintour, da revista Vogue norte-americana. O evento é considerado o mais importante e prestigiado no mundo da moda.

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Indie

Apesar de abraçar o legado do OD, e saber que sua persona pública e artística sempre será associada a este período, o desafio de Harry ao lançar seu primeiro álbum, Harry Styles, em 2017, era ser levado a sério como músico. 

Assim como Justin Timberlake e Zayn, que ao contrário de Harry deixou de fato a banda (o OD se “aposentou”, por assim dizer), o pop lhe rendeu fama e influência, mas não entre a indústria fonográfica e a crítica especializada.

O single Sign of Times, de 2017, foi recebido como uma obra-prima inesperada: a música de mais de seis minutos de duração mostrou o potencial e versatilidade de Harry como artista. O público concordou: a faixa alcançou a posição número um nas paradas da Inglaterra, seu país natal. 

O álbum não tinha elementos que sinalizavam “dominação” mundial nas paradas, e era composto de faixas experimentais, produzidas artesanalmente com fundamentos no soft e folk rock. A alma do artista na versão solo estava presente em cada uma delas, criadas para agradar a ele, e não fabricadas com elementos que garantiam sucesso em vendas. Mesmo assim, ele revelou sentir a pressão do meio para alcançar um single de sucesso em suas duas obras.

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