Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 16.08.2013 16.08.2013

“Há uma responsabilidade”, diz Glória Pires sobre interpretar arquiteta em ‘Flores Raras’

Por Edu Fernandes
 
Glória Pires (É Proibido Fumar) coleciona em sua carreira uma lista invejável de papéis. Atualmente, ela passa por uma fase no cinema em que interpreta pessoas reais. A partir de 16 de agosto, a atriz poderá ser vista na pele da arquiteta Lota de Macedo Soares, no longa Flores Raras. Em seguida, está concretizada sua participação como papel-título da cinebiografia Nise da Silveira: Senhora das Imagens, que atualmente se encontra em pós-produção e deve entrar em cartaz em 2014.
“Há uma responsabilidade porque essas pessoas existiram”, disse a atriz em conversa com a imprensa em evento de divulgação de Flores Raras. “É diferente de um personagem que vai ser totalmente criado.”
O filme conta a história de amor entre Lota e Elizabeth Bishop, poetisa estadunidense interpretada pela atriz australiana Miranda Otto (Guerra dos Mundos). Durante o relacionamento, a escritora ganhou prêmios literários e a paisagista concebeu o Parque do Flamengo no Rio de Janeiro.
A produção é dirigida por Bruno Barreto (Última Parada 174) e também traz no elenco Tracy Middendorf (A Mina de Ouro), Marcello Airoldi (Onde Está a Felicidade?), Lola Kirke (Bastidores de um Casamento), Tânia Costa (Chico Xavier) e Treat Williams (A Fuga).
“Não existem muitas fotos de Lota”, relatou Pires sobre o processo de criação. “Há relatos de pessoas que a conheceram e relatos em livros. (…) Ela tinha essa forma de falar, com palavrões. Ela também tinha uma camaradagem bem masculina com os peões de obra.”

Flores Raras mostra o processo criativo de Elizabeth Bishop (Miranda Otto)
“Eu não conhecia Elizabeth Bishop e fiquei impressionada ao ler o roteiro”, revelou Otto. “Eu li poemas, biografia e relatos de muitas pessoas. Eu ouvi gravações de Elizabeth lendo poemas e assisti a coisas reais o máximo que pude.”
A maior parte das cenas de Flores Raras traz diálogos em inglês, o que foi um desafio para a atriz brasileira. “A questão da linguagem foi bastante complicada”, confessou. “As cenas de emoção me preocupavam, mas foi tudo bem. (…) Eu sempre gostei de inglês e comecei a aprender sozinha na infância. Isso ajuda, mas pensar em outro idioma é mais difícil.”
Pelo menos aos olhos de sua parceira de cena, Glória Pires cumpriu com louvor sua missão. “Ela é graciosa e carismática,” afirmou Miranda. “Ela traz naturalismo em uma personagem muito extravagante.”

Cena do filme Flores Raras
A PAUTA DA DIVERSIDADE SEXUAL
Pelo conflito central do filme ser o amor entre duas mulheres, é inevitável não tocar no assunto dos direitos gays, tão em voga recentemente. “O filme vem em um momento importante, para acrescentar em uma discussão que já está aberta”, avalia Glória. “O filme desmitifica o universo gay. São pessoas comuns, com problemas comuns, vidas comuns.”
Miranda Otto compartilha a visão de sua colega. “Quando li o roteiro, não fiquei pensando muito se elas eram gays”, disse. “Ela é apenas mais uma pessoa, uma poeta apaixonada. Eu queria ir além dessa rotulação. As complicações da homossexualidade não são o tema do filme, mas as complicações de qualquer relacionamento.”
Na opinião de Glória Pires, com a postura de universalizar as relações, é possível extrair de Flores Raras uma mensagem de apoio à luta dos movimentos LGBT. “O filme é um bom advogado do bom senso, do respeito pela natureza humana. Mostra de uma forma simples e prosaica a vida de duas pessoas do mesmo sexo que têm uma história de amor juntas.”
 
Veja o trailer de Flores Raras:
 
 
 
 
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