Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 22.03.2012 22.03.2012

Há 180 anos morria o escritor alemão Goethe, criador de ‘Fausto’

Por Luma Pereira
 
Você faria um pacto com o diabo em troca de riquezas materiais? O escritor alemão Goethe, falecido em 22 de março de 1832, escreveu sobre um personagem que supostamente teria vendido a alma ao tinhoso. Baseado no “mito de Fausto”, a peça 'Fausto', publicada em 1806, tornou a lenda conhecida no mundo todo.
 
“Para além de algumas anedotas medievais, o mito propriamente dito teve início na época de Lutero, quando uma série de vestígios dão a entender que de fato existiu um tal de Fausto com dons mágicos”, conta Márcio Seligmann, diretor do documentário Fausto e a Busca do Conhecimento.
 
Dr. Johannes Georg Faust seria o nome do médico e alquimista em que se baseiam essas posteriores obras literárias. Conta-se que ele decidiu fazer um pacto com Mefistófeles (“inimigo da luz”) para satisfazer seus desejos humanamente inalcançáveis.
 
Os escritos da época o descrevem como uma figura pouco louvável, que algumas vezes era admirado, e em outras era suspeito de charlatanice. A estudiosa do tema Vanderléia de Andrade Haiski conta que ele foi degolado e sua morte atribuída ao diabo.
 
“Nos séculos XVII e XVIII, Fausto teve grande exposição na Alemanha, nos palcos das feiras e no teatro de marionetes, além de surgirem várias reedições das narrativas populares. A proliferação de Fausto na Alemanha se dá em todos os gêneros literários”, completa ela. 
 
“Depois de Goethe, o mito fáustico adquiriu um caráter mais atual, de reflexão sobre o elemento prometeico do progresso e sobre o indivíduo moderno, sem Deus e entregue a si mesmo para resolver a questão do tempo e da moral”, explica Seligmann.
 
O escritor de Fausto
 
Um dos nomes mais importantes da literatura alemã, o autor e pensador alemão Johann Wolfgang von Goethe nasceu em Frankfurt, em 1749, e morreu em Weimar, em 1832.
 
“Ao contrário do que acontece com muitos escritores, Goethe não foi projetado no cenário mundial pelo seu país: ele projetou a Alemanha para o mundo”, afirma Vanderléia.
 
“Além disso, fazia incursões pela ciência, foi um escritor diferenciado em sua produção, pois escreveu em todos os gêneros literários, teve reconhecimento, renome e poder, além de ser uma figura influente”, completa ela.
 
“Goethe escreve como um clássico, mas sem perder a leveza, o humor e a ironia. Essa foi a sua genialidade. Sua obra representou uma virada na história da literatura em língua alemã”, garante Seligmann.
 
Mil e uma vezes Fausto
 
“O personagem Fausto de Goethe é a versão romântica da utopia do homem que, insatisfeito com a sua condição de mortal, recorre a qualquer meio para realizar seu sonho de atingir a eternidade”, afirma Salvatore D’Onofrio, conhecedor do assunto.
 
O SaraivaConteúdo preparou uma lista de obras literárias cujos enredos apresentam, direta ou indiretamente, o “mito de Fausto”, que se tornou tema bastante recorrente na literatura mundial.
 
Conta a história de Adriam Leverkühn, músico que vende a alma ao diabo, como o Fausto da lenda. Seu objetivo é conseguir viver tempo suficiente para terminar sua obra.
 
Dorian Gray é modelo para a pintura de Basil Hallward. Ao ver-se no quadro, apaixona-se por sua imagem e deseja ser belo e jovem para sempre – o pedido é atendido.
 
  • A Dama do Pé de Cabra, de Alexandre Herculano.
A obra do escritor português é sobre uma mulher que vaga pelo mundo dos vivos seduzindo os homens.
 
  • O Primeiro Fausto, de Fernando Pessoa.
Considerado o Fausto de Goethe em língua portuguesa, reconta de outra maneira o mito de Dr. Johannes Georg Faust.
 
O protagonista Teodoro descobre uma lenda: um toque de campainha mataria o Mandarim e faria de quem a tocou seu herdeiro. O diabo o aconselha a fazer isso.
 
  • A Igreja do Diabo, de Machado de Assis.
Este conto faz parte do livro Histórias sem Data e fala sobre quando o diabo decidiu criar sua própria igreja, onde as pessoas podiam praticar os atos que desejassem.
 
“Sem dúvidas é a grande obra brasileira sobre o tema fáustico”, diz Seligmann. A diferença é que não dá para ter certeza se Riobaldo realizou o pacto com o tinhoso.
 
 
 
 
 
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