Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 30.05.2010 30.05.2010

GULLAR E O ESPANTO

 

Por Ramon Mello e Bruno Dorigatti
Foto: Tomás Rangel

 

O painel com Ferreira Gullar, homenageado do Festival da Mantiqueira, foi o mais concorrido. O auditório montado na praça da cidade de São Francisco Xavier recebeu cerca de 300 pessoas, que aplaudiram de pé a presença do poeta.

“”Eu pensei que isso só acontecesse com Roberto Carlos””, disse, emocionado, Gullar, após a recepção calorosa. 
Durante uma hora de conversa, o poeta falou sobre a sua trajetória na literatura, relembrando o Poema sujo, os manifestos da Poesia Concreta e ainda falou sobre seu novo livro Em alguma parte alguma – que será publicado em setembro, quando o poeta completará 80 anos.
Entre as frases ditas por Ferreira Gullar, algumas são memoráveis:
“”Nunca vi poeta promover outro poeta como ele””, se referindo à Vinicius de Moraes.
“”Você é poeta, Ferreira Gullar?””, ele responde: “”Às vezes…””
“”A arte existe porque a vida não basta.””
“”O homem inventou Deus para que ele o criasse. Porque, como diz Waldick Soriano, ‘eu não sou cachorro, não’.””
“”O poema é como uma aventura, tudo é possível.””
“”Manifesto [literário] é igual a manifesto político, promete e não faz nada.””
“”A poesia em mim é rara, não sou eu que comando. Nasce do espanto””
“”Tenho horror ao passado. Ou porque foi doído e você não quer lembrança ruim, ou porque foi bom e você tem saudade. Bom é o presente.””
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