Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.06.2013 28.06.2013

‘Guerra Mundial Z’: Um diretor entre o drama e a ação

Por Edu Fernandes
 
Não há dúvidas de que os zumbis estão em alta. Atualmente, diversos filmes, seriados, games, HQs e livros usam os mortos-vivos como tema. O desafio de cada obra é conseguir ter personalidade suficiente para se sobressair nesse mar de produções, que são, a princípio, semelhantes.
O filme Guerra Mundial Z, baseado no romance de Max Brooks, joga para escanteio a tensão do suspense e a sanguinolência do terror, gêneros que são prontamente associados aos zumbis. O longa destaca-se por mesclar cenas de ação empolgantes com momentos dramáticos. A produção estreia no Brasil em 28 de junho.
A história acompanha Gerry (Brad Pitt, de O Homem da Máfia), um investigador da ONU que se afastou do trabalho para ficar mais tempo com a família. Ele se vê obrigado a voltar à ativa depois que uma pandemia zumbi assola o mundo.
O drama se revela pela mudança de rumo do protagonista, motivada por sua família. Gerry percebeu que sua esposa (Mireille Enos, de Caça aos Gângsteres) e filhas têm maiores chances de sobrevivência se ele arriscar sua vida para impedir a disseminação das criaturas.
Para equilibrar a ação com a emoção, foi escalado o diretor Marc Forster, cuja carreira passou por uma transição entre esses dois motes.
O começo de sua trajetória como cineasta foi dedicado a dramas emotivos. Quando foi indicado ao Globo de Ouro por Em Busca da Terra do Nunca (2004), Marc já era conhecido por ter comandado o set de A Última Ceia (2001), filme que rendeu o Oscar a Halle Berry.

Cena do filme Mais Estranho que a Ficção
A busca por novos gêneros tem início de fato em 2006, quando Forster dirige Mais Estranho que a Ficção. A história de um homem (Will Ferrell) que ouve sua vida ser narrada e fica ciente de sua morte iminente traz em si elementos fantásticos.
Há também cenas cômicas por conta do talento do protagonista. Para completar, há um tanto de romance, pois o personagem principal conhece uma confeiteira (Maggie Gyllenhaal) por quem se apaixona.
Depois da enxurrada de estilos de Mais Estranho que a Ficção, Marc volta para o drama emotivo que o consagrou. O Caçador de Pipas (2007) tem em sua história ingredientes lacrimejantes com os quais o diretor sabe trabalhar. Essas características estão no livro homônimo que inspirou o roteiro.
A partir desse ponto, começa sua trajetória em direção a um cinema de ação que não deixa de lado os momentos dramáticos e de reflexão. Esse tipo de produção remete ao primeiro filme que Marc Forster viu no cinema: Apocalypse Now (1979).

Cena do filme 007 – Quantum of Solace
Com sua dupla cidadania (alemã e suíça), em 2008 Forster torna-se o primeiro cineasta nascido fora do Commonwealth a dirigir uma aventura de James Bond. Não por acaso, 007 – Quantum of Solace é o mais politizado dos três longas em que Daniel Craig vive o agente britânico.
Bond mostra vulnerabilidade depois de ter perdido a mulher amada e busca vingança. Ele se envolve com uma organização poderosa, que atua para manter os países subdesenvolvidos em sua posição desfavorável.
Entre 007 e Guerra Mundial Z, Marc se dedicou a mais um filme com drama, ação e um tanto de consciência política no roteiro. Redenção (2011) é baseado em uma história real e se passa na tensa guerra civil do Sudão.

Cena do filme Redenção
O personagem principal é Sam (Gerard Butler), um ex-traficante de drogas que se salvou por causa da religião. Ele passa a dedicar sua vida a ajudar as crianças africanas, forçadas a se tornarem soldados no sangrento combate dentro de seu país.
A ajuda de Sam não é bem vista por todos, o que o coloca na linha de fogo de grupos armados. Nesse ambiente de tensão, Forster consegue incluir as questões políticas envolvidas e o drama entre o protagonista e sua esposa (Michelle Monaghan).
Por enquanto, Marc Forster não tem projetos confirmados para o futuro. No entanto, seu caminho leva a crer que ele continuará a trabalhar com histórias que tragam boas cenas de ação, mas que possam revelar um discurso mais amplo do que o simples entretenimento.
 
Veja o trailer de Guerra Mundial Z:
 

 
 
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