Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 14.05.2013 14.05.2013

Grifes literárias

Por André Bernardo
A carreira de Michael Crichton é marcada por feitos curiosos. Escreveu o livro Parque dos Dinossauros, assinou o roteiro do filme Twister e criou a série de TV Plantão Médico.
 
O maior deles, porém, é que, mesmo depois de morto, continua a publicar livros. Manuscrito perdido? Obra psicografada? Não.
Sua viúva, Sherri, apenas contratou um escritor de sucesso, Richard Preston, para concluir Micro.
 
“Quando tinha 15 anos, fingi estar doente só para não ir à escola e terminar de ler O Enigma de Andrômeda”, entrega Preston. Crichton estava escrevendo Micro quando morreu, vítima de câncer, em 4 de novembro de 2008. “Ele estava tão empolgado com o livro que escrevia até no hospital, nas sessões de quimioterapia”, conta o autor de Zona Quente, O Evento Cobra e O Demônio no Freezer.
 
 
 
 
TILLY BAGSHAWE JÁ ESTÁ NO SEU QUARTO LIVRO “EM PARCERIA” COM SIDNEY SHELDON
 
Tilly Bagshawe releu a obra completa de Sidney Sheldon para escrever A Senhora do Jogo, de 2009
 
Quando escreveu sua primeira obra, a britânica Tilly Bagshawe, 40, teve a feliz ideia de mandar um exemplar de Adorada, de 2005, para Sidney Sheldon. Meses depois, recebeu uma carta do autor de A Ira dos Anjos, O Reverso da Medalha e Se Houver Amanhã elogiando o romance e marcando um encontro. Sheldon morreu, dois anos depois, sem cumprir o prometido. Mas isso não impediu a viúva, Alexandra, de convidar Tilly para escrever A Senhora do Jogo, de 2009, Depois da Escuridão, de 2010, e O Anjo da Escuridão, de 2012. “Quando soube o que teria que fazer, reli os romances de Sidney Sheldon e tentei ser o mais fiel possível ao seu estilo”, avalia Tilly, que teve o trabalho supervisionado pela viúva do escritor.

ANTHONY HOROWITZ COMEÇOU A LER AS HISTÓRIAS DE SHERLOCK HOLMES QUANDO TINHA 16 ANOS

 
Anthony Horowitz sabe do risco que corre de frustrar os milhões de fãs de Sherlock Holmes
 
O britânico Anthony Horowitz, 56, tirou a sorte grande ao ser o escolhido pelo espólio de Arthur Conan Doyle para “ressuscitar” Sherlock Holmes. “Sherlock Holmes é maior do que o escritor que o criou”, afirma o autor de A Casa da Seda, que começou a ler as histórias de Arthur Conan Doyle aos 16 anos e não parou mais. “Os romances dele tinham, em média, 40 mil palavras. Meus editores exigiram algo em torno de 90 mil. O jeito foi combinar duas histórias em uma”, explica. Mas a alegria de trazer Holmes e Watson de volta à vida compensou qualquer sacrifício. “Quando você adapta um personagem famoso, tem que ter em mente que, se errar, um monte de gente vai ficar chateada”, avalia o escritor.
 
AUTOR DE A VOLTA DO PODEROSO CHEFÃO E A VINGANÇA DO PODEROSO CHEFÃO FOI ESCOLHIDO POR CONCURSO
Um ano depois da morte da Mario Puzo, seu primogênito, Anthony, e seu editor, Jonathan Karp, promoveram um concurso para escolher quem escreveria a sequência de O Poderoso Chefão. “Karp pediu a cinco escritores que apresentassem uma sinopse. O agente literário de um deles deu com a língua nos dentes para a The New Yorker e fui o escolhido”, gaba-se Mark Winegardner, 51, autor de A Volta do Poderoso Chefão, de 2004, e A Vingança do Poderoso Chefão, de 2006. Com a recusa de Winegardner de escrever um terceiro livro, Anthony Puzo confiou um roteiro inacabado de O Poderoso Chefão para Ed Falco. “Escrever o livro foi fácil. Difícil foi enfrentar a ira dos fãs”, brinca o autor de A Família Corleone.
 
SOBRINHO-BISNETO DE BRAM STOKER ESCOLHEU A SI MESMO PARA ESCREVER A CONTINUAÇÃO DE DRÁCULA
Ao contrário dos demais autores, Dacre Stoker pertence à família de Bram Stoker, que imortalizou o romance Drácula, de 1897. “Queria continuar a história do ponto em que meu tio-bisavô parou, mas queria adotar meu próprio estilo. Em vez de um romance epistolar, uma narrativa em terceira pessoa”, explica Dacre, que convidou Ian Holt para coescrever Drácula – O Morto Vivo, de 2010. O fato de ser descendente direto de Stoker não livrou Dacre de inúmeras críticas. A mais feroz delas é a de que teria mudado características importantes de Jonathan Harker, Van Helsing e do próprio Drácula. “Muitos dos que dizem adorar histórias de vampiros nunca leram uma linha sequer da obra de Bram Stoker”, rebate Dacre.
 
HERDEIROS DE ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY TENTARAM VETAR LANÇAMENTO DE A VOLTA DO PEQUENO PRÍNCIPE
 
Jean-Pierre Davidts tentou adaptar para os dias de hoje as questões existencialistas de O Pequeno Príncipe
 
Das sequências literárias publicadas, A Volta do Pequeno Príncipe é a única que foi lançada sem autorização do espólio. “Não tivemos que obter a autorização porque, com exceção de EUA e França, a obra é de domínio público”, argumenta Jean-Pierre Davidts. “Os herdeiros argumentaram que Exupéry nunca escreveria uma continuação”. Na esperança de resolver o imbróglio editorial, ofereceu parte dos royalties em troca de uma autorização, mas a família recusou. No livro, Davidts tomou emprestados alguns elementos da trama original e os inseriu num contexto mais moderno e contemporâneo. “Não quis copiar o estilo de Exupéry. Meu objetivo era propor a discussão de temas mais atuais”, explica. 
 
 
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