Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 26.06.2009 26.06.2009

Grey’s Anatomy – Quarta Temporada

por Cecilia Giannetti

Grey’s Anatomy é uma jóia rara entre as séries de TV que têm médicos como personagens centrais. Garante aos seus fãs momentos de humor em cada episódio, mesmo em meio aos dramas mais sérios que adentram sangrando em cima de macas o fictício Hospital Seattle Grace. E, mais importante, não se desenvolve (ainda bem!) à imagem e semelhança do antigo modo norte-americano de fazer soap-operas, como General Hospital – mas segura o público com bons ganchos noveleiros como nenhum outro seriado atual do gênero “hospitalar”.

Além disso, estreou pela rede ABC em 2005, nos Estados Unidos – e no canal Sony brasileiro no mesmo ano, poucos meses depois – com um diferencial bastante promissor: o de apresentar um ângulo novo da rotina da profissão, ao acompanhar um grupo de jovens internos em seus primeiros passos num grande hospital. Soube fazer o interesse do público aumentar junto com o crescimento de personagens que, nesta Quarta Temporada, já não são mais tão inocentes quanto demonstraram no piloto da série… nem tão maduros a ponto de não se meterem em confusões sentimentais no seu ambiente de trabalho.

Separar a vida pessoal do que acontece no Seattle Grace foi tornando-se cada vez mais impossível, desde a chegada dos internos Meredith Grey (Ellen Pompeo), Alex Karev (Justin Chambers), George O’Malley (T. R. Knight), Izzie Stevens (Katherine Heigl) e Cristina Yang (Sandra Oh), inicialmente recebidos pela brilhante equipe de médicos formada por Miranda Bailey (Chandra Wilson), então conhecida como “A Nazista”; o neurocirurgião Derek Shepherd (Patrick Dempsey), que Grey apelida de “McDreamy”, seu “sonho”; o especialista em cirurgia cardiotoráxica Preston Burke (Isaiah Washington); e o Chefe da Cirurgia doutor Richard Webber (James Pickens Jr.). O rompimento das barreiras entre intimidade e trabalho na série começou com o envolvimento entre Grey e Shepherd; engatou com a não menos complicada relação entre Burke e Yang; seguiu com Karev, embolado com Izzie, além de enfermeiras e pacientes; e mostrou que até a doutora “Nazi” Bailey tinha um coração e uma rotina familiar de enlouquecer qualquer um. O’Malley, que iniciara sua trajetória com uma paixão platônica por Grey, chega a se casar, num ato impulsivo, com uma superior, a doutora Callie. E até Webber, o Chefe, tem sua cota nesses rolos, já que em sua juventude foi amante da mãe de Meredith, a renomada cirurgiã Ellis Grey.

Para embolar ainda mais o meio de campo amoroso/profissional dos personagens e garantir de vez a fidelidade do séquito da série, vimos também aparecer Addison Montgomery (Kate Walsh), cirurgiã-obstetra e ex-mulher de Shepherd, e o motivo da separação do casal Shpherd-Montgomery: o charmoso cirurgião plástico Mark Sloan (Eric Dane) – que também ganha apelido da mulherada: “McSteamy” -, ex-melhor amigo de Shepherd (que amigão, hein?). Ou seja, ninguém escapa de atar e desatar laços intensos neste ambiente supostamente estéril de hospital; nem de se deixar envolver pelas surpresas que proporciona o dia-a-dia no Seattle Grace.

Onde estávamos mesmo?

Da última vez que encontramos esses personagens, no final da Terceira Temporada, o grupo de internos passou pelas provas finais para a residência cirúrgica. Exceto por O’Malley, reprovado justamente por não conseguir se concentrar nos estudos em meio a uma crise que promete abalar seu casamento.

E por falar em casório, na temporada anterior Yang foi abandonada no altar pelo doutor Burke. O motivo fictício para o rompimento entre o casal foi a certeza de Burke de que Yang nunca se entregaria a ele completamente como se entregava ao interesse pela cirurgia. O motivo real para o sumiço de Burke da série foi uma briga de bastidores, em que o ator Isaiah Washington teria se referido ao colega T. R. Knight, numa discussão com Patrick Dempsey, como “faggot” (gíria preconceituosa para definir homens homossexuais). A história vazou por toda a mídia e Knight, que de fato é gay, acabou “saindo do armário” por conta da fofoca – e também para representar positivamente a aqueles que também se sentiam ofendidos pela postura de Isaiah; a emissora e o público desaprovaram o lado homofóbico de Isaiah e ficaram do lado de Knight.

Restou à equipe de roteiristas guiada pela criadora da série, Shonda Rhimes, varrer do Seattle Grace a bagunça criada pelo intérprete de Burke, o que os co-autores, o casal Joan Rater e Tony Phelan, do episódio final da terceira temporada de Grey’s Anatomy, souberam fazer com toda a consistência, utilizando o histórico complexo da relação entre Burke com a personagem de Sandra Oh. O resultado prendeu mais o público do que o que se poderia esperar de uma saída para uma situação de emergência…

Bem, nem tão “emergencial” assim; o problema já se arrastava por quase um ano, e Washington chegou a repetir as ofensas aos gays fora dos bastidores do seriado, em uma premiação, antes que a ficha lhe caísse e ele pedisse desculpas. “Too little, too late” (ou “Muito pouco, tarde demais”), como costumam dizer: Isaiah foi demitido e Knight ganhou a chance de brilhar como um repetente popularíssimo entre os novos internos. Os mais de 13 milhões de espectadores da série continuam a segui-la fielmente e, de acordo com a revista Entertainment Weekly, Knight passou a receber cerca de 125 mil dólares por episódio, além de ganhar uma pequena participação nos lucros da série – como já ocorre com Patrick Dempsey, Ellen Pompeo e Sandra Oh.

Burke, pelo jeito, não faz falta

Quem deixou um gostinho de “quero mais” no final da temporada anterior foi a doutora Addison Montgomery. Sua partida de Seattle para Los Angeles pode não ser definitiva na série original – a ruiva reaparecerá, é claro, quando somente ela puder resolver um caso especialmente difícil na sala de cirurgia do Seattle Grace -, mas Addison ganhou o spin-off “Private Practice”, também criado por Shonda Rhimes.

Na Quarta Temporada, os antigos internos, agora residentes, percebem que não só possíveis enganos que cometem bem como os de seus alunos serão todos de sua responsabilidade. Aumentam as tensões entre o núcleo principal da série, tornando-os muito mais competitivos e ambiciosos, quando o assunto é praticar medicina, e incrivelmente passionais em se tratando das questões de coração que não podem resolver na mesa de cirurgia.

Quem será a nova “Nazi” para os novos internos? Como Meredith vai lidar com o aparecimento de outra Grey no hospital, o próprio passado e seu medo de um compromisso sério com Derek? No triângulo Izzie/George/Callie, o caso extra-conjugal vencerá o casamento? Bailey saberá se dividir entre o marido, seu bebê e os bebês-grandes com quem se estressa no hospital? Será que, agora, poderemos conhecer um lado diferente do agressivo Karev? “McSteamy” terá chances de recuperar a confiança do antigo amigo “McDreamy”? E finalmente, para que não faltem surpresas, novos médicos chegarão ao Hospital Seattle Grace trazendo doses extras da mistura entre vida íntima complexa e trabalho hardcore que faz a fama internacional da série.

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