Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 28.12.2020 28.12.2020

Grandes escritoras que sempre vale a pena ler

Esse post foi feito para celebrar a vida e a obra das grandes escritoras do Brasil e do mundo, mulheres que colocaram no papel histórias reais e ficcionais, que nos fizeram rir e chorar, nos revoltaram e também nos inspiraram.

Quem são as grandes escritoras de todos os tempos, cuja obra estará na mente e no coração de bilhões de pessoas, enquanto houver livros e leitores:

Harper Lee

A autora de O Sol é Para Todos nasceu em Monroeville, no Alabama, Sul dos Estados Unidos em 28 de abril de 1926 e faleceu também lá em 19 de fevereiro de 2016, pouco antes de completar 90 anos.

Harper se tornou famosa por um único livro, O Sol é Para Todos, um clássico da melhor literatura antirracista e o drama de tribunal quintessencial. O protagonista da história, Atticus Finch, é um advogado que persegue a verdadeira justiça, para defender seu cliente, um homem negro injustamente acusado de assassinato, em uma cidade racista.

Finch, vivido no cinema por Gregory Peck, foi considerado o maior herói do cinema mundial pelo American Film Institute, e foi inspirado no pai de Harper Lee, que também era advogado e defendeu clientes negros em situações reais. A própria Harper foi vivida nas telas por grandes atrizes, como  Catherine Keener no filme Capote (2005), por Sandra Bullock no filme Infamous.

Anne Frank 

Annelies Marie Frank nasceu em 12 de junho de 1929 em Frankfurt, na Alemanha. Ainda era criança durante a ascensão do nazismo, que fez com que sua família fugisse para Amsterdã, o que só os manteve a salvo até que Hitler ordenasse a invasão da Holanda, em 1940, e começasse também lá a perseguir os judeus, fazendo com que a família de Anne Frank tivesse de se esconder em um compartimento secreto de um prédio comercial.

Suspeita-se que a família de Anne Frank tenha sido denunciada aos nazistas já no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e levada ao campo de concentração de Bergen-Belsen, onde ela e sua irmã, Margot Frank, acabaram morrendo de tifo. Otto Frank, seu pai, foi o único sobrevivente da família Frank.

O Diário de Anne Frank foi escondido e preservado por Miep Gies, a mesma mulher que havia escondido a família Frank, que o entregou ao pai de Anne quando ele retornou a Amsterdã. Com muito esforço, Otto Frank conseguiu que ele fosse publicado, se tornando um dos livros mais traduzidos do mundo, além de uma peça de teatro e um filme ganhador de 3 Oscar em 1959.

Ana Maria Machado

Nascida no Rio de Janeiro em 24 de Dezembro de 1941, Ana Maria Machado é professora, pintora, jornalista e escritora. Formada em Letras, foi professora de universidades muito conceituadas do Brasil, trabalhou com rádio e foi fundadora da primeira livraria infantil do Brasil.

Ana Maria Machado foi eleita para a Academia Brasileira de Letras em 2003, ocupando a sexta cadeira, tendo sido escolhida presidente da ABL em 2011, para os anos de 2012 e 2013. Escreveu mais de 20 livros infanto juvenis, como Raul da Ferrugem Azul e Bisa Bia, Bisa Bel, e mais de dez livros para o público adulto, entre eles Um Mapa Todo Seu e Audácia Dessa Mulher.

Malala Yousafzai

Nascida no Vale do Suat, no Paquistão, Malala é uma ativista pelos direitos humanos que quando tinha 11 para 12 anos, escrevia um blog para a BBC defendendo o direito das mulheres à educação e desagradando os membros do movimento ultra radical islâmico Talibã, que impedia que as jovens frequentassem a escola.

O ativismo tornou Malala muito conhecida, inspirando jovens do mundo inteiro e lhe rendendo a indicação para o Prêmio Internacional da Criança. Mas também lhe rendeu inimigos, que em 9 de outubro de 2012 atiraram nela 3 vezes enquanto entrava em uma van escolar. Um dos tiros a acertou na cabeça, e ela chegou a ficar em estado muito grave.

Malala sobreviveu, e o atentando só chamou mais atenção e simpatia pela sua causa, a da educação infantil, a ponto de a rede de TV alemã Deutch Welle afirmar que ela era a adolescente mais famosa do mundo, enquanto a Revista Times a colocou na capa da edição em que listava as 100 pessoas mais influentes do mundo, em abril de 2013. Mesmo ano em que ganhou o Prêmio Sakharov pela Liberdade de Pensamento e o Prêmio Nobel da Paz, que dividiu com o ativista indiano pelos direitos das crianças, Kailash Satyarthi.

Malala Yousafzai se tornou a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel, com apenas 17 anos e até hoje escreveu 3 livros, todos com a temática de sua luta Eu Sou Malala – Como Uma Garota Defendeu o Direito À Educação e Mudou o Mundo- 2013.[, Malala e Seu Lápis Mágico (para o público infantil) e Longe de casa: Minha jornada e histórias de refugiadas pelo mundo.

Svetlana Alexievitch

Svetlana Aleksandrovna Aleksiévitch ainda não é muito conhecida no Brasil, mas é uma das mais relevantes escritoras da atualidade. Apesar de sua nacionalidade Bielorrusa, nasceu em Stanislav, hoje Ivano-Frankivsk, na Ucrânia, quando ambos os países eram parte da antiga União Soviética.

A obra de Svetlana Alexievitch , que lhe valeu o Prêmio Nobel de Literatura em 2015 é uma crônica impiedosa e um ponto de vista pessoal sobre a vida na União Soviética e nos países que faziam parte dela, após o seu fim. Ela mesma descreve seu trabalho da seguinte maneira.

…toda a nossa história, tanto soviética quanto pós-soviética, ela é uma enorme vala comum e um banho de sangue. Um eterno diálogo entre executores e vítimas. As malditas perguntas russas: o que deve ser feito e quem é o culpado. A revolução, os gulags, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra do Afeganistão escondida do povo, a queda do grande império, a queda da terra socialista gigante, a utopia terrestre e agora um desafio de dimensões cósmicas – Chernobyl

Esses são os temas de seus livros traduzidos e publicados no Brasil, como Vozes De Tchernóbil – A História Oral Do Desastre Nuclear, uma narrativa sobre o pior acidente nuclear da História, e como ele foi escondido pelo governo soviético, até que fosse impossível negá-lo e A Guerra Não Tem Rosto De Mulher, a história quase esquecida, das quase 1 milhão de mulheres que lutaram no Exército Vermelho na segunda guerra mundial.

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