Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 26.10.2012 26.10.2012

“Gonzaga é o ser mais surreal que já conheci”, diz cineasta Breno Silveira

Por Edu Fernandes
 
O maior sucesso de bilheteria de Breno Silveira foi 2 Filhos de Francisco (2005), e há relações inegáveis entre esse título e seu último trabalho, o longa Gonzaga – De Pai para Filho. O filme estreia no dia 26 de outubro.
 
“Eu tinha prometido não fazer mais cinebiografias”, disse o diretor em conversa com a imprensa. O que o convenceu a retomar o gênero foram fitas de áudio gravadas por Gonzaguinha, que entrevistou o Rei do Baião. “Eu percebi que ali havia um drama de verdade, de um filho que não conhecia o próprio pai”.
 
As entrevistas serviram de base para o roteiro, que incorporou acontecimentos inusitados descobertos em pesquisa. “Gonzaga é o ser mais surreal que já conheci”, confessa Breno. “Até hoje recebo histórias sobre ele que lamentavelmente não estão no filme”.
 
Assim, Breno se debruça novamente sobre um enredo baseado em uma figura notável do mundo musical, em que a relação paternal está no centro dos conflitos. “Para o homem, a relação mais importante é com o pai”, atesta. Esse relacionamento também está presente em seus outros longas, Era uma Vez… (2008) e À Beira do Caminho (2012). “Meu pai me pergunta qual o problema que a gente tem”, brincou.
 
Chambinho caracterizado como Gonzagão
 
Gonzaga – De Pai para Filho traz imagens de arquivo e apresentações musicais dos personagens reais. “Com 2 Filhos de Francisco, aprendi o quanto a música pode contar história”, afirmou. “Nos meus filmes, as músicas não são escolhidas por serem as mais importantes da carreira, mas por colaborarem na narrativa. (…) Se eu tivesse de começar de novo, talvez fosse músico”.
 
Quebrada a promessa de não lidar com cinebiografias, Breno se sente livre para revisitar o gênero no futuro, mas fora do âmbito musical. “Eu tenho o sonho de fazer Lampião como se deve”.
 
OS ROSTOS DOS GONZAGAS
 
A pré-produção de Gonzaga – De Pai para Filho teve um obstáculo especialmente desafiador: a escalação do elenco. “Demoramos um ano na seleção de atores”, disse Silveira. “Eu não procuro só um bom ator, procuro uma alma parecida”.
 
No final do longo processo, Chambinho do Acordeon foi o escolhido para interpretar o Rei do Baião da juventude até a meia-idade. O músico não tinha qualquer experiência como ator e contou com a ajuda de um preparador para conseguir interpretar.
 
Ele contracena com Nanda Costa (A Febre do Rato), que vive a mãe de Gonzaguinha. “Houve um preparo com Sérgio Penna, e a Nanda gentilmente participava do processo”, explicou Chambinho.
 
Nanda Costa interpreta a mãe de Gonzaguinha, uma dançarina carioca
 
Além da inexperiência diante das câmeras, o sanfoneiro precisou vencer a timidez. “O Gonzaga é totalmente para fora, e eu já não tenho isso”, explicou. “Foi uma espécie de autoajuda, e isso eu trago para o dia a dia”.
 
Terminadas as filmagens, Chambinho elogia o convívio com o cineasta. “Eu não conheço outros diretores e não precisava nem conhecer. Tive muita sorte com o Breno”, disse. “Ele foi muito corajoso de colocar alguém sem experiência no cinema, mas apostou na verdade”.
 
Breno avalia que vale a pena o esforço de dirigir não-atores. “Trabalhar com pessoas que você não está acostumado a ver na novela aumenta a identificação no público”, falou. “Para o diretor, o trabalho é maior, mas é muito recompensador”.
 
Julio Andrade interpreta Gonzaguinha, seu maior ídolo musical
 
Já no papel de Gonzaguinha, o escolhido foi o experiente Julio Andrade (Hotel Atlântico), que emagreceu 7 kg para o filme. “O Julio não fez uma interpretação, fez uma reencarnação”, avalia o cineasta.
 
O ator lutou muito para conquistar o papel, por ser um grande fã do cantor. “Teve uma época em que eu era até bitolado: só ouvia Gonzaguinha”, confessa Julio. “Eu achei que depois do filme isso iria melhorar, mas foi ao contrário”.
 
Além do peso, outra mudança física foi necessária. Os cabelos precisaram deixar de ser lisos para completar a caracterização. “Os familiares do Gonzaguinha dizem que a maior semelhança é no gestual e no falar”, afirma. “Meu medo era cair no estereótipo. Eu queria fazer de dentro para fora, uma busca por uma coisa mais profunda”.
 
Para o futuro, a lista de filmes de Julio é extensa. Entre os títulos, está Nove Crônicas para um Amor aos Berros, primeiro longa de Gustavo Galvão e parte da programação da Mostra de Cinema de São Paulo.
 
Veja o trailer de Gonzaga – De Pai para Filho:
 

 
 
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