Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 30.11.-0001 30.11.-0001

Gilberto Gil: o anfitrião da música brasileira

MÊS GILBERTO GIL NO SARAIVACONTEÚDO
 
Por Diego Muniz
 
A representação de Gilberto Gil na cultura nacional vai muito além dos 57 discos lançados, dos 8 Grammys conquistados e das centenas de composições escritas. Os encontros fizeram parte da trajetória do músico desde o começo.
 
No fim da década de 1960, ao lado de Caetano Veloso, Gil criou a Tropicália, movimento que mudou a forma de fazer música no país e serve de inspiração para os artistas até hoje.
 
Com a chegada de Gal Costa e Maria Bethânia, a dupla formou Os Doces Bárbaros, ícone da contracultura brasileira, que viajou o país com o show, em 1976.
 
Essas não são as únicas parcerias da discografia do artista. Com Jorge Ben Jor, lançou, em 1975, Gil & Jorge – Ogum – Xangô (Universal).
 
O LP, gravado com dois violões, duas vozes, percussão e baixo, é marcado por improvisos e tem clássicos como Taj Mahal e Filhos de Gandhi. O último duo, em 2000, foi com Milton Nascimento em Gil e Milton (Warner Music), álbum elogiado pela crítica e público.
 
Para comemorar o mês de aniversário do artista, que completa 70 anos, o SaraivaConteúdo irá publicar uma série de matérias especiais. Começamos hoje falando sobre as famosas parcerias de Gil com importantes personalidades da nossa música.
 
Gil e as divas
As composições do pai da tropicália também circulam nos discos das principais cantoras do Brasil. Elis Regina, Nana Caymmi e Cássia Eller são apenas algumas das intérpretes que deram voz às ideias do baiano.
 
“As letras e melodias dele transcendem a moda e o tempo, e são eternas. Gil não é só um compositor, é um artista que imprime uma consciência que ultrapassa o ordinário”, diz Zizi Possi, que gravou clássicos como A Paz e Rebento.  
 
A identificação com as cantoras já rendeu shows nacionais e internacionais. Gil dividiu o palco com Marisa Monte, em 1995, e Maria Bethânia, em 2000.
 
E, em 1977, percorreu o país em uma turnê com Rita Lee. O encontro virou um dos álbuns mais cultuados da MPB, Refestança (Som Livre), e conta com clássicos como Domingo no Parque, Ovelha Negra e É Proibido Fumar
 
A nova geração de mulheres continua o culto à obra do baiano. Maria Rita, Maria Gadú, Roberta Sá e Mart´Nália podem se orgulhar de terem gravado composições ou feito duetos com o cantor.
 
“Acho ele um dos artistas mais completos da música. Tudo que o Gil se propõe a fazer ele faz bem, do rock ao forró. Sempre fui daquele tipo de fã descontrolada, que vai, depois dos shows, falar com ele no camarim, mesmo sem ter assunto”, brinca Mart´nália, que em seu último trabalho ganhou canção inédita do Gil, Eu te Ofereço.
Gil e Maria Bethânia
Foto: Priscila Casaes Franco
 
A voz de Roberta Sá foi parar na abertura da novela Cordel Encantado, da Globo, após receber um convite de Gil para cantar Minha Princesa.
 
“Quando recebi a ligação perguntando se queria gravar com ele, fui para o estúdio na mesma hora. Com calma, ele me ensinou a canção e viu se o tom estava bom pra minha voz. Gil é muito envolvido, atento ao que faz. É muito educado, rápido, generoso”, conta a intérprete.
 
Com Vanessa da Mata e Ana Carolina, Gil encontrou novas parceiras de composição. “Mostrei a ele uma música minha chamada Minha Herança uma Flor.
 
Ele pegou o violão e começou a me mostrar esboços do seu disco Fé na Festa. Fizemos isso por dias, enquanto brincávamos com diversas possibilidades de harmonia e melodia. Assim surgiram várias ideias, e nos tornamos próximos”, lembra Vanessa da Mata.
 
    
 Capas de álbuns; Gil & Jorge – Ogum – Xangô, Doces Bárbaros, Tropicalia e Refestança 
 
Além da MPB
A participação de Gil ultrapassa a barreira do popular.Em parceria com os Paralamas do Sucesso, em 1986, o cantor fez a letra para a música A Novidade, um reggae com bateria, baixo, percussão e guitarra, e apontou um novo caminho para a banda.
“A letra veio como um tiro certeiro, absolutamente de chofre, inteira. E de um modo surpreendente até pra mim, porque, mesmo sem tempo pra qualquer avaliação crítica no dia seguinte, resultou no que eu acho um dos meus melhores textos – pela escolha e pela maneira de tratar o assunto, pela concisão e pela elegância da construção", revelou Gil em seu site.
O músico também circula pelo axé, forró e reggae. As musas Daniela Mercury, Claudia Leitte e Margareth Menezes já contaram com a participação de Gil em seus trabalhos.
 
E, agora, o músico, ao lado de Caetano Veloso e Ivete Sangalo, lança o especial de fim de ano da Rede Globo com diversos sucessos da música brasileira em CD e DVD.
 
 
CRONOLOGIA DAS PARCERIAS
2012 – Ao lado da Orquestra Petrobrás Sinfônica, Gil grava o show Gil Sinfônico, previsto para ser lançado em CD e DVD no fim do ano.
 
2011 – Gil +10: show acústico que reuniu Ana Carolina, Erasmo Carlos, Lenine, Maria Gadú, Mart’nália, Milton Nascimento, Os Paralamas do Sucesso, Preta Gil, Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara, virou um DVD e CD ao vivo

2010 – Lançamento do CD Fé na Festa, que contou com parcerias de Vanessa da Mata e Nando Cordel

 
2009 – Lançamento do CD/DVD BandaDois, que contou com a participação de Maria Rita
 
2002 – Os Doces Bárbaros voltaram a se reunir para dois shows: um na Praça da Paz, no parque do Ibirapuera, em São Paulo; outro, na praia de Copacabana, no Rio, em dezembro
 
2001 – Gil e Milton se apresentaram no festival Rock in Rio 3, em São Paulo e no Rio
 
2000 – Shows com Maria Bethânia em São Paulo e no Rio de Janeiro

Lançamento do CD Gil Milton (Warner), em parceria com Milton Nascimento.
Show de Gil e Maria Bethânia no réveillon de Salvador

 
1999 – Gil e Ivete Sangalo reúnem 90 mil pessoas num show na Praça da Paz, no parque do Ibirapuera, em São Paulo, em julho
 
1998 – Lançamento do CD O sol de Oslo, álbum coletivo dividido com o baixista e produtor Rodolfo Stroeter, a cantora Marlui Miranda, o percussionista indiano Trilok Gurtu, o tecladista norueguês Bugge Wesseltoft e o acordeonista Toninho Ferragutti
 

1995 – Gil faz o show de abertura e participa da apresentação de Stevie Wonder, cantando em duo com o artista norte-americano, no Rio e em São Paulo, dentro do Free Jazz Festival.

31 de dezembro – Gil, Caetano, Gal, Chico Buarque, Milton Nascimento e Paulinho da Viola dividem um grande show em homenagem a Tom Jobim na praia de Copacabana, cantando músicas do compositor; participação da bateria da Mangueira
 
1994 – Gil, Caetano, Gal e Bethânia se apresentam juntos no Royal Albert Hall, em Londres; o show conta com a participação especial da bateria da Mangueira
 
1993 – Novembro: Shows com Marisa Monte na Alemanha
 
1991 – Março e abril – Nos Estados Unidos, grava com o saxofonista norte-americano Ernie Watts o CD Afoxé (Ernie Watts with Gilberto Gil), lançado apenas no exterior, pela CTI Records
 
1986 – Abril – Apresenta show de voz e violão no Golden Room, do Copacabana Palace, no Rio, dentro do projeto Luz do solo; Jorge Mautner participa do espetáculo
 
1980 – Maio – Gil e o cantor jamaicano de reggae Jimmy Cliff se apresentam juntos num espetáculo levado em ginásios e estádios de cinco capitais brasileiras; os dois gravam um programa especial para a TV Globo
 
1978 – 14 de julho – Acompanhado pelo grupo A Cor do Som (mais o guitarrista Pepeu e o percussionista Djalma Correa), Gil se apresenta no Festival Internacional de Jazz de Montreux, na Suíça (o registro da performance sai um mês depois pela WEA, gravadora para a qual Gil se transfere)
 
Gil se transfere com a família para os Estados Unidos, indo residir em Los Angeles, para preparar a gravação de seu primeiro disco feito exclusivamente para o mercado estrangeiro, com produção de Sérgio Mendes
 
1977 – Gil e Rita Lee se unem para fazer Refestança, show que passa pelas principais capitais do país e é gravado em LP pela Som Livre
 

1976 – Maio – Os Doces Bárbaros começam a gravar um disco, mas resolvem lançar apenas um compacto duplo com quatro faixas, cada qual cantada por um dos integrantes

Gil, Caetano, Gal e Bethânia, reunidos para formar o grupo Os Doces Bárbaros, iniciam no Anhembi, em São Paulo, a excursão do show homônimo
 
1975 – Lançamento do álbum duplo (dois LPs) Gil Jorge Ogum Xangô, também chamado Gil e Jorge, onde ele e Jorge Ben Jor cantam e tocam violão
 
1973 – Junto com outros nomes da MPB, como Gal e Jorge Ben Jor (na época, apenas Jorge Ben), Gil se apresenta no Midem, em Cannes, na França
Show Banana eufórica no teatro João Caetano, no Rio, reunindo Gil, Gal Costa, Jards Macalé e Luiz Melodia
 
1971 – lnício do ano – Gil grava, em Londres, um LP composto somente de canções escritas em inglês, algumas em parceria com o cantor, compositor e escritor carioca Jorge Mautner
 
1967 – Gil apresenta sua música Domingo no parque, acompanhado do conjunto Os Mutantes, no 3º Festival de Música Popular Brasileira
Por essa época, já está em desenvolvimento o tropicalismo criado pelo grupo baiano integrado por Gil e do qual participam Caetano, Torquato, Capinan, Tom Zé, Gal e Rogério Duarte, além dos maestros e arranjadores Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzella
 
1965 – Dá início a parcerias com os letristas Capinan e Torquato Neto. Participa, com Caetano, Gal, Bethânia e Tom Zé, de Arena canta Bahia
 
1964 – Junho – Gil, Caetano, Bethânia, Gal (ainda Maria da Graça, à época) e Tom Zé fazem o show Nós, por exemplo, que inaugura o Teatro Vila Velha, de Salvador
 
1963 – Gil é apresentado a Caetano Veloso pelo produtor Roberto Santana; pouco depois, conhece Maria Bethânia e Gal Costa
 

Fonte: www.gilbertogil.com.br

 
 
MÊS GILBERTO GIL NO SARAIVACONTEÚDO
Gilberto Gil: uma máquina incessante de ritmosleia entrevista exclusiva com o músico, que fala dos seus 50 anos de carreira e 70 de idade
Gilberto Gil: aquele abraço…: SaraivaConteúdo conversou com artistas parcerios do músico, que revelaram como foi seu encontro com Gil. Leia depoimentos de Os Paralamas do Sucesso, Zizi Possi, Vanessa da Mata, Nando Cordel, Jorge Mautner, entre outros.
 
Recomendamos para você