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Gilberto Gil: aquele abraço…

MÊS GILBERTO GIL NO SARAIVACONTEÚDO
 
Depoimentos para Diego Muniz
 
O SaraivaConteúdo conversou com alguns dos artistas parceiros do músico que revelaram como foi o seu encontro com Gil. Veja.
 
João Barone, baretista do Paralamas do Sucesso e parceiro de Gil.
“O Gil é um mestre Jedi, uma espécie de Gandhi misturado com Dalai Lama. Quando ele fez uma participação em um show nosso no Morro da Urca, em 1985, foi demais. Depois, gravamos “Alagados” e veio a letra “Novidade”.
O primeiro trabalho de estúdio que fizemos na volta do Herbert, pós-acidente, foi o álbum tributo ao Marley que Gil preparou. No dia em que gravamos, foi tudo tão tranquilo e rápido, passamos as músicas umas três ou quatro vezes até acharmos que estava tudo no lugar, aí ele falou: ‘meninos, vamos gravar, está tudo ótimo, não vamos querer desfritar o ovo!’ Isso só quem tem essa sabedoria pode dizer.
O Herbert sempre se inspirou muito no Gil, que depois virou um grande conselheiro. Quando Herbert tinha umas crises de "e agora, o que é que eu vou dizer?", conversava com ele, que dizia: "limpe as antenas e deixe a inspiração chegar".
 
Mart´nália acabou de lançar o novo disco com uma canção inédita de Gil, "Eu te Ofereço", escrita especialmente para ela.
 
“É mágico saber que meu disco tem uma música inédita de Gilberto Gil, um cara que sempre admirei. Mas não foi mole conseguir essa composição. Sempre que encontrava com ele, pedia uma canção.
No CD passado, não deu tempo, mas neste falei: ‘nem que tenha que atrasar o lançamento, vamos esperar a música do Gil’. Ela veio a tempo. O engraçado é que, quando a canção chegou, não era bem o que estava esperando.
Pensei que o Gil ia mandar uma coisa mais tropicália, mais Bahia, e chegou o Gil Bossa-Nova. Mostrei para o Djavan (produtor do disco) e começamos a trabalhar no arranjo.
Confesso que a harmonia é a mais difícil de todas que estão neste trabalho, e fiquei com medo que ela não se encaixasse no álbum. Mas ela entrou e ficou superbem. Estou até emocionada de poder participar de uma matéria com pessoas que fazem parte da história do Gil.
 
 
Nando Cordel, participou do CD e do show Fé na Festa, dedicado ao forró
 
“Gil é metamorfose pura. Para onde ele coloca sua genialidade musical, em qualquer estilo, ritmo e poesia, dá à luz obras espetaculares, doces como as águas límpidas, intensas e pegajosas como visgo de jaca. Eu me arrepio com a música Grão e me comovo com a A Paz que sempre invade meu coração. Ter Gil como parceiro é um dos maiores presentes que Deus me deu. Tenho vários encontros maravilhosos e já tive a felicidade de compor músicas como De volta pro meu aconchego e Gostoso demais, mas Gil deu um plus na minha vida. Ele é como o Sol, e eu já era atingido pela sua beleza há muito tempo. E na medida em que me juntei a ele, é inevitável não falar da importância na minha carreira.”
 
Roberta Sá. Ao lado de Gil, Roberta Sá gravou a música "Minha Princesa", tema de abertura da novela Cordel Encantado, da Rede Globo.
 
“O dom do Gil é natural. O violão é extensão do seu corpo, e dividir o estúdio com ele foi um sonho. Além de genial, é um artista generoso, instigado e envolvido pessoalmente em tudo o que tem a ver com sua música. É fantástico notar que, depois de tantos anos de carreira e tantas conquistas, ele não se acomodou. É sempre bom constatar que seu ídolo supera suas expectativas. Ele é realmente espetacular.”
 
Zizi Possi já eternizou clássicos do repertório de Gil como "A Paz", "Rebento" e "Febril"(composta especialmente para ela)
 
“Na época do Tropicalismo, eu era pequena, nem sonhava em ser cantora, e já ouvia o Gil com muita atenção. Lembro que, quando escutei Procissão pela primeira vez, fiquei assustada, como é que pode um cara descrever desse jeito, como se estivesse vendo lá do alto.
Gilberto Gil sempre soube lidar com o lado bonito do ser humano. Ele não tem nada de óbvio, não é ilusão; ele tem aspiração. Acho que ele era o único da geração dele a escrever sobre a realidade, a vida, de uma forma que transcendia o dia a dia, os problemas e preocupações ordinárias.
Todas as reflexões nas músicas dele sempre foram muito profundas. Eu me identifico demais com o tipo de pergunta de vivência, de curiosidade que tem na música dele. Ele é uma das poucas pessoas com quem consigo compartilhar esse existencialismo.”
 
Vanessa da Mata escreveu duas músicas com Gil: "Quando Amanhecer", gravada com participação do músico em seu último CD, Bolos, Bicicletas e outras Alegrias; e "Lá Vem Ela", registrada no CD de Gil, Fé na Festa
 
“Fazendo música, ele é muito diferente de mim. Acho que são diferenças complementares. Por exemplo: ele faz diversas melodias para uma mesma música, brinca de improvisar o tempo todo.

Eu estruturo mais e seleciono essas melodias, sou apegada a todas elas, então prefiro fazer existir as que estão mais fortemente aparecendo. Fazendo música com ele, aprendo, tenho grande honra e prazer, tenho músicas lindas.

Ter o Gil no estúdio participando de uma gravação minha foi divertido, emocionante, amistoso, de grande valia. Ter uma música gravada pelo Gil significa ter um profissional de excelência, de extensa capacidade em parceria comigo.

Sempre conversamos muito quando nos encontramos, adoro a percepção dele sobre o mundo, sobre o ser humano, meio ambiente. Falamos de culinária, infância, filhos de coração, teorias sobre a vida e a morte.”
 
Jorge Mauter. Em 1971, Gilberto Gil gravou em Londres um álbum só com canções compostas em inglês, três em parceria com Mautner.
 
"Quando conheci Gil pessoalmente em Londres, em 1969, foi [um momento] de instantânea e absoluta amizade, aliança em todos os sentidos, que durará por toda eternidade.

A música 'Babylon' reflete nossas conversas sobre o assunto: Black Panthers, revolução cultural, a profunda questão sobre Nova York ter sido fundada por pernambucanos judeus e cristãos que viveram em Pernambuco na era de Mauricio de Nassau, e a importância disso se refletir no fato de que Nova York é tão diferente de todas as outras cidades dos EUA por causa desta Amálgama do Brasil Universal. E, claro, se chama Babylon por causa do Black-Panther e principalmente de Martin Luther King. Gil sempre foi pacifista!

A outra parceria intitula-se 'Three Mushrooms' (três cogumelos), que também foi fruto de nossos encontros, em que todos os temas eram debatidos e reinterpretados numa alegria de artistas e pensadores no exílio, loucos para voltar, mas que ao se encontrarem, todos os dias e noites discutindo, debatendo, criando, fabricavam um pedaço da nossa saudosa Pátria ali nessas reuniões em Londres.

A canção Crazy Pop Rock é uma das músicas pioneiras sobre ecologia e meio ambiente; falávamos muito desse assunto dia e noite,e eu vinha de Nova York com informações sobre esse tema, oriundo das minhas conversas com o filósofo Paul Goodman, cujo livro "Crescendo em direção ao absurdo" era e é fundamental.

Os nossos encontros eram efervescentes e calorosos: muita risada, alguma tristeza rapidamente superada por outra gargalhada… éramos jovens, o mundo fervilhava. Nós sabíamos  que, de alguma maneira, misteriosa, nossos encontros eram uma espécie de ensaio para a nossa volta ao Brasil."
 
Elba Ramalho – entre as diversas canções de Gil gravadas por Elba, destaque para "Chororô", "Vamos Fugir" e "Lamento Sertanejo".
“Que honra poder falar de um artista que amo, admiro e sigo por toda a minha vida. Digo 'sigo', porque Gilberto Gil é um caminho a percorrer, uma escola onde todos temos que aprender. Cantor, compositor, instrumentista, tudo é singular, genial e precisa ser vivenciado com profunda delicadeza. O chamamos de mestre, já que é um dos mais importantes artistas de todos os tempos na música brasileira. Criativo, intuitivo e surpreendente, assim é o Gil, senhor e menino de mil facetas e de constante vitalidade e alegria. Ainda sou fã do ser espiritual, pensador, filósofo e místico, em sua vasta obra poética, onde tudo está deflagrado e revelado. 

Por último, tenho a honra de manter com ele uma amizade mais estreita, de longas conversas, onde sempre saio abastecida, preenchida de tudo, no vazio onde tudo se harmoniza com o Criador de todas as coisas. Há diversidade de dons, mas é o mesmo espírito que habita em todos! Que Deus o abençoe nesta idade áurea e permita que ele permaneça por milhões de anos no meio de nós. De uma fã e admiradora.”

 
 
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