Bel Sanmax por Bel Sanmax Filmes e séries / Livros 20.05.2019 20.05.2019

George R.R Martin: conheça o criador do fenômeno Game of Thrones

George R.R. Martin, o criador dos livros da saga mais famosa dos últimos tempos, As Crônicas de Gelo e Fogo, quantos aos livros, e A Guerra dos Tronos (Game of Thrones), é uma figura enigmática.

O autor, que assim como J.K Rowling e Stephen King, é um dos escritores mais influentes do entretenimento, e dono de uma personalidade muito parecida com a dos leitores e fãs de suas obras. Nascido em 1948 em Nova Jersey, nos Estados Unidos, Martin, desde criança, é um fã dedicado ao universo de fantasia de sagas épicas e histórias em quadrinhos.

Seu amor pelo gênero é uma constante em sua vida até hoje: fã de Tolkien, cujo estilo de narrativa e temas baseados em lendas e folclores medievais foram a grande inspiração para criar a saga de best-sellers, Martin escreve e vive para um público-alvo que compartilha com ele os mesmos gostos.

Nerd Como a Gente

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Antes de seus livros atingirem a marca de mais de 60 milhões de exemplares vendidos pelo mundo, com traduções em 47 idiomas, e da produção da série dramática mais celebrada da atualidade, Martin já colecionava itens raros sobre Star Wars, Senhor dos Anéis e HQs raras da Marvel e DC, e usava trajes e acessórios com inspirações na cultura celta e no submundo folclórico criado por Tolkien.

Em 2011, quando trocou alianças com sua companheira de muitos anos, Parris McBride, os anéis foram cunhados por artesões especializados em criar joias celtas. A mãe de Martin, de origem irlandesa e francesa, foi quem passou a ele o fascínio da cultura celta e galesa.

Geek, nerd, o termo não importa: cada vez que alguém se senta para ler ou assistir uma de suas obras, mergulha em um universo ao qual o próprio autor elegeu como parte vital de seu estilo de vida.

“Eu sou muito grato às histórias em quadrinhos, porque elas foram realmente o que me fez um leitor, que em troca me tornou um escritor”, disse Martin. “Nos anos 50 na América, nós tínhamos esses livros que te ensinaram a ler, e eles eram todos sobre Dick e Jane, que eram a família mais chata que você sempre quis conhecer … Eu não conhecia ninguém que vivesse assim. e parecia uma coisa horrível, mas Batman e Superman tinham uma vida muito mais interessante: Gotham City era muito mais interessante do que onde quer que Dick e Jane vivessem.”

George R.R. Martin, portanto, é um fã de fantasia e ficção científica e parte dos mesmos fandoms que o público de suas obras.

Bem-humorado e sem papas na língua quando se trata de comentar o tratamento de suas criações pelas mãos dos executivos da HBO, Martin é conhecido por suas tiradas e comentários sarcásticos em entrevistas e redes sociais, tanto no que diz respeito a suas obras quanto ao universo pop em geral (política inclusive).

Martin, que segundo a revista especializada em economia Forbes ganha cerca de US $ 15 milhões por ano, vive em Santa Fé, no estado do Novo México, com a mulher.

Eles são donos de duas propriedades na mesma rua: a casa em que vivem e um edifício no qual guarda seus itens de colecionador, e também mantém seu escritório. Seu amor pela cultura o fez comprar e restaurar um cinema antigo da Santa Fé, chamado Jean Cocteau.

Conheça mais sobre George R.R Martin, o criador da série Game of Thrones

Precoce

Mestre em Comunicações Sociais (Jornalismo) e escritor de contos e romances de ficção científica desde a infância, Martin começou sua “carreira” vendendo contos fantásticos (com muitos monstros e criaturas nefastas) às crianças de sua vizinhança, o que lhe rendia uns trocados.

Sua família vivia de forma humilde, e não haviam muitas oportunidades de diversão. A mente fértil de Martin, no entanto, o permitia “viajar” aonde quisesse. O empreendimento acabou quando as crianças começaram a ter pesadelos ao ler suas histórias, o que levou os pais da comunidade a reclamarem com a mãe de Martin.

Processo Criativo

A dedicação de Martin pelas histórias em quadrinhos, novelas de fantasia e eventualmente seu trabalho como roteirista de programas para a TV (em Além da Imaginação) foram responsáveis por moldar seu estilo literário. O convite para o trabalho na TV veio após o sucesso de seus romances de ficção científica iniciais, como Armageddon Rag, de 1983.

“As pessoas que escreviam contos nesses fanzines na época eram terríveis. Elas eram realmente ruins, o que era bom também, porque eu analisava aquelas histórias horríveis e sabia que poderia fazer melhor” – Martin sobre o início de carreira como escritor na década de 1970

A carreira de Martin como roteirista de TV (irônico, não?) cunhou sua maneira de conduzir as narrativas de seus livros. Mesmo com treinamento em jornalismo e nas diversas modalidades de textos, foi ao escrever para a TV que ele desenvolveu seu estilo particular de estruturar a história através de capítulos relatados por diversos personagens, em primeira pessoa. Os trechos, assim como na TV, terminam sempre com um gancho de suspense.

Martin rejeita a escola tradicional de estrutura de roteiros, pois acredita que esse processo mecaniza a obra e poda a criatividade das narrativas.

Fan Boy

Martin tem um blog, que se chama “Not a Blog” (Não é um Blog, em português). No espaço virtual, Martin compartilha seu dia a dia, opiniões, e também suas aventuras de fã. Um post recente que exemplifica bem seu amor por Tolkien, por exemplo, é sobre sua participação no painel de perguntas e respostas do filme sobre a vida do autor inglês. Martin foi o moderador, posto que aceitou com gosto, mesmo com tantos trabalhos em andamento (sim, o final da saga de Game of Thrones na série pode ser bem diferente do que acontece nos livros finais, já que ainda não foram publicados).

“Além da idiotice na internet, o que mais tem acontecido ultimamente? Bem, eu fui para Los Angeles para moderar as perguntas e respostas na estreia do novo filme biográfico sobre Tolkien (…). Eu me diverti muito. Pude conhecer Nicholas Hoult e a adorável Lily Collins, as estrelas do filme, assim como o diretor Dome Karukoski”.

No evento, Martin fez uma declaração que gerou uma certa polêmica, principalmente porque envolve outro fandom poderoso: o de Harry Potter. Ele declarou que Gandalf, o mago de SDA, venceria Dumbledore em uma batalha. Mais tarde, em um post no blog, ele explicou melhor seu comentário.

“Ri bastante com isso (polêmica), foi ótimo. Até porque foi uma piada! Mas isso não significa que o que disse não seja verdade. Gandalf poderia chutar o traseiro de Dumbledore sim. O que quero dizer é que ele é um maia, pessoal, a coisa mais próxima de um semideus (no mundo de Tolkien). Gandalf morre e volta. Dumbledore morre e permanece morto. Mas para acalmar todos os Potterheads, deixem-me dizer que Gandalf poderia chutar o traseiro de Melisandre também”. Sim, George também assistiu a todos os filmes e leu todos os livros da saga de JK Rowling.

GOT

Martin originalmente planejou a série como uma trilogia, a qual começou a escrever na década de 1990. Quando os livros foram adaptados em série pela HBO, Martin estava na dúvida se seria possível narrar a trama com veracidade, pois sempre achou que a história era muito densa para ser contada em filmes. Já na TV…

A razão da demora quanto a publicação do próximo livro da saga literária em que se baseia GOT, segundo o autor, não é uma crise de bloqueio criativo, e sim as distrações que a sua notoriedade nos últimos anos lhe proporcionam, quanto à sua agenda de trabalho. “Como os livros e a série são tão populares, concedo entrevistas e viajo muito. De repente eu sou convidado a viajar para a África do Sul ou Dubai, e quem deixa passar uma viagem grátis para Dubai?”, explica ele aos risos.

A questão nuclear é que Martin só escreve em seu escritório, e tem um processo particular. “Eu não escrevo quando viajo, nem em quartos de hotel ou aviões. Eu preciso estar realmente imperturbável, e em casa, para escrever”.

Curiosidades sobre GOT

  • Embora Martin seja produtor executivo da série, contratualmente ele não pode impedir ou questionar decisões criativas do programa.
  • Uma das personagens mais importantes dos livros, Lady Stoneheart, foi cortada da versão televisiva, e isso causou uma as primeiras grandes desavenças com os criadores da série.
  • Tyrion é o personagem ao qual Martin mais admira, e quem aspiraria ser. Já Samwell Tarly é quem mais se parece com ele, e a quem conferiu mais características suas.
  • O trecho mais difícil de escrever, para Martin, foi o Red Wedding. Tanto que primeiro ele finalizou o livro A Storm of Swords, para depois incluir o capítulo.
  • Os criadores e produtores do show, David Benioff e D.B. Weiss, sabem o final que Martin planejou para a saga desde que começaram a gravar a série, mesmo sem todos os livros terem sido publicados.
  • Quem acha que o final da saga literária vai agradar aos fãs loucos por teorias sobre o que deve acontecer, está bem enganado. Martin não lê nenhuma dessas teorias.
  • Dracarys! Quase que os dragões ficaram de fora da vida de Daenerys. Foi um amigo escritor de Martin que o convenceu a incluí-los na história.
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