Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 22.08.2012 22.08.2012

Gene Kelly é sinônimo de talento, até debaixo de chuva

Por Willians Glauber
 
Ele se formou em Economia pela University of Pittsburgh, já foi marinheiro, membro do júri do Festival de Cannes em 1959, consultor coreográfico da turnê Girlie Show de Madonna, em 1993, deu aulas de dança na escola da família e, além de tudo isso, era ator e bailarino.
 
Eugene Curran Kelly completaria 100 anos em 23 de agosto de 2012. Mesmo depois de sua morte, aos 84 anos, Gene Kelly será lembrado eternamente como o jovem de chapéu na cabeça e guarda-chuva na mão, cantando “I’m singing in the rain (…)” sob a chuva.
 
O filme Cantando na Chuva, de 1952, é o mais lembrado quando o assunto é Gene Kelly. O longa-metragem musical foi escrito só depois da escolha das canções, e os roteiristas tiveram que criar situações que se encaixassem no enredo de cada uma delas.
 
A música-tema do filme, “Singin’ in the Rain”, já havia sido usada em outros cinco longas. A primeira vez foi em The Hollywood Revue of 1929. Das canções usadas no filme, apenas duas foram especialmente escritas para a produção, “Moses Supposes” e “Make ‘Em Laugh”.
 
Além de protagonizar, Gene Kelly também dirigiu o filme e produziu os números musicais. O crítico de cinema e fundador do site Cine Players, Rodrigo Cunha, acredita que o ator, assim como Cantando na Chuva, trouxeram inovações para o cinema, e não só na atuação.
 
“Unindo a dança corporal com a dança das lentes, ele criou movimentos de câmera que seguiam seus protagonistas, ao invés de trabalhar com planos mais abertos, preocupando-se com os detalhes”, diz Cunha.
 
Durante a gravação da cena clássica de Gene cantando e dançando na chuva, o ator estava com febre alta, mas, mesmo doente, tudo ficou redondinho em apenas uma tomada. O musical foi indicado a dois prêmios Oscar. Cunha diz que o trabalho de Gene beirava a perfeição. “Extremamente perfeccionista, ele exigia o máximo dos atores e de si mesmo. Sem dúvidas, foi um dos principais nomes da história dos musicais clássicos de Hollywood”.
 
A chuva vista no filme era uma mistura de leite e água, para que ficasse mais visível na tela. Para elaborar o cenário e deixar tudo pronto para a filmagem, a equipe de produção levou um dia inteiro.
 
Cantando na Chuva talvez seja o trabalho mais conhecido de Gene. Porém, muito antes, o ator já mostrava seus talentos na frente e atrás das câmeras. Ele havia sido diretor e protagonista de outra produção, Um dia em Nova York, de 1949. Depois é que Gene estrelaria e também dirigiria o clássico de 1952.
 
Gene Kelly e Fred Astaire dançaram lado a lado em Um Dia em Nova York
 
Nesse filme de 1949, Gene pôde cantar e dançar ao lado de Frank Sinatra. Os dois dividiram o set ao interpretar marinheiros que aproveitavam o dia de folga em Nova York. Mas aquela não era a primeira vez que os dois artistas se encontravam na telona. A produção Marujos do Amor, de 1945, foi a estreia dos dois juntos em um longa-metragem. Nele, os atores também atuavam, cantavam e dançavam para dar vida a marinheiros.
 
Nos bastidores da produção, Gene precisou ensinar alguns passos a Sinatra, já que o segundo não era muito bom no quesito dança. Em uma das cenas, por exemplo, foram necessárias 73 tomadas para que tudo saísse nos conformes. E Gene Kelly era o ator ideal para interpretar um marujo, já que ele mesmo prestou serviço militar na marinha durante a Segunda Guerra Mundial. O longa-metragem teve cinco indicações ao Oscar.
 
O primeiro filme de Gene em Hollywood foi For Me and My Gal, de 1942. E o ator fez sua estreia nas telonas em grande estilo, ao lado da dama do cinema Judy Garland. O ator começou a carreira como dançarino nos teatros da Broadway, e foi justamente por sua performance nos palcos que surgiu o convite para fazer o filme. Ele nem sequer precisou fazer teste para o papel.
Todo o sucesso de Gene foi merecido: ele era uma Triple Threat (ameaça tripla), expressão usada em inglês para definir alguém que atua, canta e dança com alta qualidade.
O também ator, cantor e bailarino Vinnie Cofer conta que fazer as três coisas ao mesmo tempo no palco não é nada fácil. “O desafio maior é fazer com que tudo isso aconteça harmoniosamente, de uma forma que construa a realidade da personagem. Todas as três coisas precisam estar no mesmo nível”, explica Cofer.
O último filme estrelado por Gene Kelly foi Xanadu, de 1980, ao lado de Olivia Newton-John. Depois disso, ele só fez participações em minisséries da TV.
GENE, A DANÇA E O OSCAR
 
Antes dele, Fred Astaire conseguiu introduzir a dança nos filmes como algo que podia ajudar no desenvolvimento da trama, e foi um dos maiores dançarinos que o cinema mundial já teve.
 
Mas foi Gene Kelly quem conseguiu democratizar a dança e mostrá-la como uma tarefa possível, coisa que Astaire não conseguia ao sapatear de fraque e cartola. A dança de Gene era alcançável e se aproximava mais do público.
 
O ator tinha um estilo único, que misturava movimentos atléticos e técnicas mais clássicas, como as do ballet. Fred Astaire e Gene Kelly dançaram lado a lado apenas uma única vez, na performance de “The Babbitt and the Bromide”, em Ziegfeld Follies, de 1945.
 
A dança surgiu cedo na vida de Gene: quando ele era criança, sua mãe o inscreveu, juntamente com os quatro irmãos, em aulas para aprender e aperfeiçoar a arte.
 
Gene Kelly e Leslie Caron nos bastidores de Sinfonia de Paris
 Depois que o pai do futuro ator de Hollywood perdeu o emprego na Depressão de 1929, a família abriu uma escola de dança, em que Gene deu aulas por algum tempo. Com a intenção de se tornar coreógrafo, ele se mudou para Nova York e lá teve seu primeiro trabalho como dançarino, no musical Leave it to Me, na Broadway.
 
A partir dali, dezenas de oportunidades surgiriam. Em 1951, o ator estrelou Sinfonia de Paris, obra ganhadora de seis prêmios Oscar. Além de protagonizar a produção, Gene também coreografou todos os números musicais; por esse longa-metragem, ele ganhou um Oscar Honorário. O prêmio foi dado por sua versatilidade como ator, cantor, diretor e dançarino e, especialmente, pelas brilhantes conquistas na arte da coreografia em filme.
 
Gene faleceu em sua casa, no dia 2 de fevereiro de 1996, em Beverly Hills. Nos anos de 1994 e 1995, o ator havia sofrido uma série de infartos e, desde então, sua saúde já estava debilitada. Gene Kelly deixou um legado, fãs ao redor do mundo e sua marca em Hollywood. 
 
 
 
Recomendamos para você