Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 28.02.2012 28.02.2012

Gêmeas escrevem livro a quatro mãos

Por Carina Gonçalves
Mônica e Monique Sperandio
Como você definiria a relação entre duas irmãs? E se elas fossem gêmeas? Agora acrescente a possibilidade de elas serem escritoras e terem produzido uma obra a quatro mãos. Isso mesmo!
 
Mônica e Monique Sperandio são irmãs gêmeas idênticas e, com apenas 17 anos, já cursam universidade e também se dedicam à carreira de escritoras.
Com dois livros finalizados, o primeiro O Diário de uma Adolescente Mascarada, guardado no acervo pessoal, e o segundo Sete Vidas (Editora Underworld), lançado no ano passado, as irmãs curitibanas leem em média 90 livros por ano, são fãs dos textos de Tati Bernardi e ainda têm tempo para se dividirem em atividades corriqueiras da idade, como sair com os amigos, estudar, ficar com a família e namorar. Parece impossível, mas, para elas, não é.
Para conhecer um pouco mais sobre elas e, também, conhecer um pouco mais sobre a nova obra, o SaraivaConteúdo entrevistou as irmãs e descobriu curiosidades sobre seus gostos e a paixão pela leitura. Confira abaixo um pouco mais sobre como foi o processo de desenvolvimento da obra Sete Vidas e sobre a relação entre elas.
 
Como surgiu a ideia de escrever uma obra em conjunto e como surgiu a inspiração?
 
Mônica. Gostamos muito de ler e de escrever, daí vem a necessidade de registrar tudo o que nos marca ou que podemos usar para criar histórias paralelas. Escrever o livro Sete Vidas foi uma tarefa árdua, pois nem sempre concordávamos com as ideias uma da outra e, na maioria das vezes, acabávamos discutindo sobre isso. Mas, no fim, sempre chegamos a um acordo que melhor direcionasse a história.
Monique. A inspiração de escrever em conjunto surgiu depois que nós duas sonhamos, por diversas noites e ao mesmo tempo, com água. Ficamos quase uma semana sonhando com lagos, rios, mares e piscinas. E como estávamos querendo uma ideia nova para escrever um livro, isso serviu como uma luva. Depois, ao aprimorarmos melhor nossa proposta, pensamos em misturar mitologia egípcia e poderes sobrenaturais aos personagens, o que se encaixou perfeitamente na história.
 
Qual é o enredo de Sete Vidas? Como vocês constroem os personagens?
 
Monique. Queríamos escrever algo diferente, que mesclasse diversos temas. E, nos baseando nos sonhos que tivemos com água, lagos e rios, decidimos inovar e criar um enredo sobre uma garota chamada Aprilynne, que é desafiada a pular em um lago pela sua inimiga. Ao cair na água, ela se depara com o corpo de uma menina morta, e é a partir daí que as coisas começam a complicar. A personagem passa a ter visões/alucinações com uma deusa egípcia, que é a chave para desvendar o mistério dessa história e explica, ao final, o porquê de tudo e da morte no lago.
Mônica. Normalmente as histórias são baseadas em coisas que já aconteceram com a gente ou com pessoas ao nosso redor, e para os personagens usamos os mesmos critérios. Com isso, podemos realizar coisas que não seriam possíveis no cotidiano ou no mundo real, tudo por meio de nossas histórias. E o mais legal deste livro foi que conseguimos concluí-lo em apenas quatro meses. Fizemos a revisão, lemos e relemos para depois apresentar a terceiros.
Vocês pretendem continuar a escrever em dupla? Como é feita a divisão na hora de escrever?
Mônica. Sim! Pretendemos seguir escrevendo juntas sim, pois sozinhas não tem graça. Ainda tem a vantagem de se uma de nós tiver algum tipo de bloqueio, trocamos de lugar e a outra completa o que ficou em branco ou com um buraco. Somos cúmplices em tudo. Ainda, não paramos de produzir nunca, mesmo que seja em um caderno ou papel velho. Não consigo me ver longe da profissão de escritora ao lado da minha irmã. As nossas ideias parecem como pipoca, onde os milhos ficam o tempo todo cutucando a panela. É assim que acontece conosco. As inspirações ficam nos incomodando até que as colocamos em um papel, para depois usá-las.
 
Monique. E sobre o processo de divisão na hora de escrever, procuramos sempre (antes de começarmos um livro) nos reunir para discutir sobre quem vai escrever o quê. Normalmente, o livro é dividido em cenas, e cada uma escreve uma ou um capítulo inteiro. Depois, a outra sempre revisa e, se achar que precisa, acrescenta ou retira algo que seja desnecessário. É muito legal, pois expomos nossas propostas, que, na maioria das vezes, geram polêmicas positivas ou não, e depois alinhamos o que queremos e descartamos o que não é interessante. A partir daí, sentamos e damos início às nossas aventuras literárias. 
 
Os pais de vocês as incentivaram neste projeto de escrever um livro? Como foi?
Mônica. No começo eles não acreditavam muito no nosso sonho, mas depois que o livro foi aprovado, eles viram que a coisa era mesmo real e não só um dos nossos delírios. Hoje temos o apoio total deles para as futuras obras e até opinião sobre elas.
Monique. Nossos pais são tranquilos. Eles não influenciaram muito na decisão de ser escritora. Como não temos nenhum histórico familiar, acredito que a novidade deve ter mexido com eles, inicialmente. Sentimos que eles apoiam e têm orgulho de nosso trabalho, sempre.
Como surgiu a paixão pela leitura e como vocês fazem para ler cerca de 90 títulos por ano?
Mônica. Acredito que nascemos com o dom da curiosidade e do interesse por conhecer tudo o que for possível. Somando isso ao fato de sempre estudar em um colégio muito bom e rígido, que nos deu as melhores ferramentas para que pudéssemos ter sucesso no vestibular e que incentiva os alunos para a prática da leitura diária, conseguimos desenvolver o hábito e o prazer de ler com rapidez e com compreensão total.
Monique. No colégio, nós não éramos do tipo super estudiosas, para o desespero dos nossos pais, mas sempre conseguíamos passar. Íamos muito bem em Química, Biologia, Português, História e Geografia. Matemática e Física é que era o terror. Mas, com o apoio dos professores e da literatura, conseguíamos driblar as dificuldades. Eu não fico sem ler nos momentos vagos e sempre que eu posso, estou com um livro nas mãos. Adoro pesquisar e sempre estar conectada com a informação.
E quais são os autores e livros que vocês mais gostam?
Monique. Adoro os textos da Tati Bernardi, que é roteirista de cinema e TV, além de escritora dos livros A Mulher que não Prestava, A Menina da Árvore entre outros. Enquanto eu leio ou escrevo, às vezes, ouço música ao mesmo tempo, o que amplia ainda mais os meus sentidos.
Mônica. Concordo com a Monique e ressalto que me inspiro muito nas obras da Meg Cabot. Entre os outros livros que indico estão: Nick & Norah, da Rachel Cohn e David Levithan; Jogos Vorazes, da Suzanne Collins; Cidade dos Ossos, da Cassandra Clare; Onde Habitam os Dragões, do James Owen; Luxo, da Anna Godbersen; Menina Morta-Viva, da Elizabeth Scott; e A Caminho do Verão, da Sarah Dessen. Acho que é melhor parar por aqui, pois minha lista é imensa.
Como é a relação entre vocês duas no dia a dia?
Monique. Nossa relação é ótima! Somos muito unidas, sempre saímos juntas, temos os mesmos amigos e gostamos das mesmas coisas. É como se tivessem dividido uma alma no meio e colocado em dois corpos diferentes. Somos bem conectadas. A Mônica é um pouco mais nervosa, direta, já eu sou um pouco mais calada e guardo as coisas para mim.

Mônica. Amamos o fato de sermos iguais fisicamente. Porque, de repente, nós não nos sentimos tão sozinhas, sabemos que temos uma à outra para contar sempre que precisarmos. E é bom ter alguém que sempre irá te apoiar, não importa o que aconteça. Então só podemos dizer que temos muita, muita sorte em ter uma à outra!

 
Vocês têm novos projetos para o futuro, novos livros?
 
Mônica. Com certeza! Estamos sempre escrevendo algo, não conseguimos ficar paradas. Mas por enquanto não queremos divulgar nada precipitado. Podemos dizer que os leitores podem esperar, para a próxima obra, uma personagem corajosa que salva vidas.
Monique. Adoro estar em conexão com a literatura e com a imaginação. Por isso, escrever e me manter sempre em atividade é uma necessidade. Fico sempre on-line no Facebook, pesquiso sobre diversos temas e assuntos, leio e estudo muito… enfim, gosto de ser ativa.
 
 
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