Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 16.11.2014 16.11.2014

Game of Thrones: fãs falam sobre as diferenças entre os livros e a série

por Carolina Cunha

Quando uma série inspirada em um livro é lançada na TV, as expectativas e receios dos fãs dividem o mesmo espaço. Será que ela vai ser fiel às páginas? Será que vai retratar com a mesma intensidade o drama dos personagens? No caso de Game of Thrones, não é diferente.

Criada pelo canal HBO, a premiada série foi baseada na saga Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor George R.R. Martin, composta por sete volumes que retratam a luta pelo poder em Westeros, uma terra medieval dividida por diferentes clãs.

Na telinha, a história ganhou uma superprodução com cifras de cinema. As temporadas têm dez episódios pautados pela saga. A primeira cobriu a trama A Guerra dos Tronos. Já a segunda, que terminou em junho, foi baseada no livro A Fúria dos Reis, com algumas pitadas de A Tormenta de Espadas.

Cada volume tem em média 600 páginas, e, até o quarto, as mãos inventivas de Martin já criaram mais de mil personagens. Implacável, o autor também é conhecido por matar seus personagens mais populares sem um pingo de piedade. Tudo isso constitui um desafio para roteiristas, que precisam manter a coesão entre as diversas linhas narrativas, deixando apenas as peças fundamentais no jogo dos tronos.

Apesar de elogios ao cuidado técnico da produção, as comparações são inevitáveis entre os entusiastas dos textos de Martin. Ao falar ao SaraivaConteúdo sobre as diferenças entre as publicações e a adaptação para a TV, alguns fãs parecem ser unânimes em dizer que a série começou bem, mas, com o tempo, foi perdendo a fidelidade à obra do autor.

“A primeira temporada foi fantástica e bem fiel ao primeiro livro, mas agora, na segunda, ficou faltando muita coisa. O segundo livro tem muitos detalhes, personagens e histórias que são importantes e que foram cortados na adaptação para a TV. Aí, quem leu os livros pensa ‘Ok, e agora?’”, diz Thayse Dantas, analista de marketing em São Paulo.

O paulista Alexandre Sobreiro também aponta a primeira temporada como sua preferida. “É difícil ver adaptações cuidadosas como a que tivemos nesse caso, com vários diálogos sem nenhuma alteração do original. Ando me tornando menos ortodoxo com detalhes quando se trata de adaptações, mas a tal da fidelidade ainda me deixa suspirando”.

No livro, George R.R. Martin narra os capítulos a partir do ponto de vista de um personagem. Para Ana Carolina Alves, do site Game of Thrones BR – a maior página brasileira feita por fãs da série –, esse recurso literário é uma diferença fundamental que permite que o leitor vivencie a história por todos os lados e entre na pele do personagem.

“As tensões da história são a pior parte da TV. No livro, elas ficam mais escondidas, você só consegue enxergar o que é mostrado através dos olhos de uma pessoa. Na série, a abordagem é global, muito é revelado meio que sem jeito”, diz Ana.

A carioca Renata Roxo segue o coro. “Eu fiquei um pouco chateada com as mudanças todas, sim, o que é bastante natural; mas já sou do tipo que está mais curiosa do que furiosa para ver o que vai acontecer daqui para frente. Sempre tenho pra mim que livros são insuperáveis e sempre melhores que adaptações”.

Para a baiana Lidiany Cerqueira Santos, blogueira do Game of Thrones BR, as mudanças simplificam a trama, mas são fundamentais para deixar o roteiro objetivo em uma obra audiovisual. Por isso, propõe uma trégua: “Ao invés de reclamar da fidelidade, por que não acompanhar e curtir os dois?”.

Palavra dos fãs

Esqueça o fato de que pessoas que morrem na série não estão no livro. Ou que personagens secundários (como Mindinho) podem ganhar um papel decisivo na TV. Às vezes, basta um detalhe para provocar a ira do leitor. A carioca Renata já coleciona uma lista de contestações sobre Game of Thrones.

“Mudaram o nome da irmã de Theon de Asha para Yara – segundo os produtores, para não confundir com a personagem Osha; na minha opinião, um atestado de estupidez dos roteiristas para com o público. Deanerys e Tyrion ainda crescem um pouco, mas ainda não chegaram aos pés de como são retratados nos livros; o Bran virou só um moleque meio chato. Eles suprimiram completamente a relação dele com os Filhos da Floresta. Vamos ver como isso vai ser resolvido no futuro”, comenta ela.

O desfecho de outras tramas de Game of Thrones na TV também irritaram os leitores. Muitos não engolem o romance açucarado de Robb Stark com uma camponesa ou o roubo dos dragões de Dany Targaryen, que não aparece na obra literária. Já a personalidade de Jon Snow, o filho bastardo de um rei, também decepcionou muita gente.

“A maneira como retrataram Jon Snow não convenceu. Ele não é tão burro quanto colocaram ali. Definitivamente é um ‘emo’, mas o pai lhe ensinou coisas preciosas, e a série meio que deixou isso de lado. Ficou vazio e bobo. Ah, e Dany. A garota jamais seria tola em deixar que os dragões dela fossem roubados”, ri Ana Carolina.

Na TV, quem parece ter brilhado mais é Tyrion Lannister, o anão cheio de carisma e estratégia, tornando-se um dos personagens mais queridos pelos fãs. “Além do sarcasmo e humor, ele representa tudo o que está em jogo: nada de personagens essencialmente bons, de um lado, e personagens essencialmente ruins, do outro”, avalia Alexandre.

Para Ana Carolina Alves, a série também se destaca por valorizar o melhor de muitos personagens secundários, como a guerreira Brienne de Tarth. “É o ideal de honra e proteção, lealdade e paz. E é uma mulher. Ygritte e Jaqen H’ghar também foram grandes surpresas. Deram mais acidez para a garota selvagem, e quanto a Jaqen, transformaram o personagem em um homem sexy, gentil e engraçado”.

Outra figura em ascensão no seriado é Margaery Tyrell. No quesito vilão, ninguém parece superar Joffrey Baratheon, adolescente mimado que não mede esforços para manter-se no Trono de Ferro. Se, no livro, suas maldades chamavam atenção, na TV, o sadismo do loirinho é incontrolável, a ponto de muitos desejarem ver sua cabeça numa bandeja.

Já outro malvado parece ter, em parte, se redimido. Tywin Lannister, que nas páginas surge como um patriarca frio e calculista, revela na televisão um lado mais humano, principalmente nas conversas com Arya Stark, por quem demonstra certa “compaixão” em cenas que não existem nos livros.

E por falar em Arya, a garota corajosa que sonha em ser guerreira aparece mais dócil, o que divide a opinião dos leitores. “A Arya sofre muito no segundo livro. Na série, a vida dela é bem mais fácil. Eu senti falta de todo o sofrimento que ela passa e que a torna mais forte”, comenta Thayse.

Em relação a cenas marcantes, a que mais decepcionou os fãs com quem conversamos foi a passagem de Dany pela Casa dos Imortais, considerada rápida demais e sem o impacto que a obra literária desperta. “Poderia ter sido bem melhor. A sequência deveria ter sido repensada pelos produtores”, avalia o jornalista carioca Felipe Borelli.

A surpresa mais positiva foi o nono episódio da segunda temporada. O roteiro que retrata o ataque a Porto Real foi escrito pelo próprio Martin e contou com diversos efeitos especiais – que renderam cenas de tirar o fôlego na famosa Batalha da Água Negra.

“O mais gostoso de ver na tela foi o texto e suas pequenas coisas: a música, os discursos. Os personagens estão em seu centro, exatamente como nos livros”, avalia Ana Carolina.

Próximos capítulos…

A série televisiva estreou em 2011 e sua segunda temporada foi exibida em abril deste ano, nos EUA e no Brasil.

Para a terceira temporada, já confirmada para 2013, os produtores David Benioff e Dan Weiss disseram, em entrevista à revista EW, que alguns dos personagens dos livros serão excluídos para facilitar a compreensão por parte do público que não leu a obra de Martin.

Enquanto isso, o autor corre para finalizar o próximo volume da saga. Em entrevista à HBO, ele disse que quer evitar a pressão da TV sobre a sua produção.

“É um processo lento do jeito que eu escrevo, especialmente livros desse tamanho, que são tão grandes e complexos assim. (…) Estou ciente da série de TV se movendo atrás de mim como uma locomotiva gigante, e eu sei que, talvez, precise percorrer os trilhos mais rapidamente, porque a locomotiva em breve virá caindo em cima de mim”, disse.

“A última coisa que quero é que a série de TV termine me alcançando (…) Vamos ver”.

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