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Frankenweenie estreia nos cinemas e coloca em evidência o Stop Motion

Por Luma Pereira
 
Um garoto traz seu cachorro de volta à vida utilizando a eletricidade numa tempestade. Essa história é familiar? Sim, já foi contada de modo semelhante por Mary Shelley, no clássico Frankenstein (1831). Mas Frankenweenie, novo filme de Tim Burton, é um pouco diferente.
 
Após perder seu cão Sparky num acidente de carro, Victor decide tentar trazê-lo de volta do mundo dos mortos. E consegue. Porém, o segredo de como fazer isso cai em mãos erradas e as crianças da cidade tentam ressuscitar seus bichinhos de estimação.
 
Mas Tim Burton não concebeu essa trama aleatoriamente. Quando garoto, gostava de assistir a produções de terror, incluindo, claro, Frankenstein. Além disso, teve um cachorro que marcou muito sua infância. Então, foi só juntar as duas coisas e ter a ideia do filme.
 
Frankenweenie, em 3D e preto e branco, é a refilmagem do homônimo de 1984, em live-action. A ideia original da produção da década de 80 era que fosse feita em stop motion. Porém, devido a restrições orçamentárias, não foi possível realizá-la.
 
“A versão de 2012 não deixa de ser uma revisão da anterior, mas é, também, um passo adiante. Ela talvez seja o filme que Tim Burton sempre sonhou em fazer”, diz Reinaldo Glioche, crítico de cinema.
 
Em 'Frankenweenie', Victor tenta trazer seu cão Sparky, de volta à vida
 

Os nomes dos personagens e suas características foram inspirados em clássicos de terror dos anos de 1930. O Sr. Rzykruski, professor de Ciências da Escola Primária de New Holland, é uma homenagem a Vincent Price, conhecido por atuar em filmes do gênero, como Museu de Cera (Toth, 1953).

 
Foram criados mais de duzentos bonecos e cenários para a animação. Entre os dubladores, estão atores que já trabalharam com o diretor em produções anteriores, como Winona Ryder (Edward Mãos de Tesoura) e Martin Short (Marte Ataca!).
 
Em Frankenweenie, o estilo de Tim Burton prevalece: “Distorções de ângulos que evocam o Expressionismo, o contraste claro-escuro, o ambiente em tom gótico misturado com a atmosfera zombeteira do Halloween”, afirma Márcio Henrique Muraca, que publicou um artigo sobre o cineasta na revista Semioses, da Unisuam.
 
O cenário do cemitério dos animais de estimação, por exemplo, construído em cima de uma colina e não em terreno plano, exemplifica bem essa atmosfera de Transilvânia que Burton quis dar ao filme.
 
Victor e Sparky em 'Frankenweenie'
 
OBJETOS GANHAM VIDA NO CINEMA
 
Frankenweenie coloca em evidência a técnica do Stop Motion, tão antiga que se confunde com os primórdios do cinema. Já foi utilizada em filmes como King Kong (O’Brien, 1933) e por cineastas como George Méliès, para fazer os efeitos especiais.
 
Mas foi Tim Burton quem realizou a produção conhecida como uma referência quando se fala dessa técnica: O Estranho Mundo de Jack (1993). Além deste, são dele também Vincent (1982) e A Noiva Cadáver (2005).
 
“A animação em stop motion nada mais é do que você tirar fotos dos bonecos e dar a impressão do movimento”, afirma Cesar Cabral, cineasta brasileiro premiado pelo filme em stop motion Tempestade, no II Festival Internacional Brasil Stop Motion, em 2011.
 
Em Frankenweenie, os animadores tinham que reposicionar os bonecos 24 vezes para fazer 1 segundo da ação de cada cena. Por ser tão trabalhoso, o longa levou dois anos para ser concluído e contou com o auxílio de uma vasta equipe.
 
Além disso, foi necessário realizar uma pesquisa para dar vida aos cães Sparky e Persephone. Um Bull Terrier e um Poodle foram levados ao estúdio para que os animadores pudessem ver como se comportavam e reproduzir essa realidade na ficção.
 
Tim Burton
 
Cabral considera que essa técnica resgata o lúdico de ter os bonecos fisicamente e poder tocá-los. Diferente das animações feitas em computação gráfica, não menos trabalhosas, com o stop motion é possível manusear os miniatores de brinquedo.
 
Para o diretor de Tempestade, esse é o motivo que faz muitos cineastas optarem por esse método mais antigo em vez das animações convencionais de hoje em dia.
 
“Os bonecos se movimentando num mundo em miniatura têm um impacto dramático particular. É uma atmosfera mágica, onírica, e mesmo uma criança intui que aqueles seres são físicos, ‘de verdade’, e não desenhos gráficos”, acrescenta Muraca.
 
O stop motion foi se aprimorando com o tempo. Segundo Cabral, antes, até mais ou menos a década de 90, só era possível ver se o filme estava correto após todas as fotografias serem tiradas e colocadas no computador. Já hoje, é possível ver como está ficando a sequência a qualquer momento da filmagem.
 
No Brasil, a técnica está se desenvolvendo. Minhocas (AnimaKing) é o título da primeira produção nacional em stop motion. Os bonequinhos de massinha e os cenários em miniatura estão na moda hoje em dia – no cinema, até os objetos ganham vida.
 
Os 8 filmes em Stop Motion mais famosos
 
James e o Pêssego Gigante (Selick, 1996).
 
A Fuga das Galinhas (Lord, Park, 2000).
 
Wallace & Gromit, a Batalha dos Vegetais (park, Box, 2005).
 
O Fantástico Sr. Raposo (Anderson, 2009).
 
Mary & Max (Elliot, 2009).
 
Coraline (Selick, 2009).
 
Piratas Pirados! (Lord, 2012).
 
ParaNorman (Fell, Butler, 2012). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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