Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 31.03.2011 31.03.2011

François Ozon apela pra certo ‘realismo mágico’

Conhecido como enfant terrible do cinema francês, o já não mais enfant François Ozon, 47, tem uma carreira marcada por altos e baixos. Fez filmes bem interessantes como Sob a areia (2000) e Gouttes d’eau sur pierres brûlantes (2000), adaptado de uma peça do alemão Rainer Fassbinder, cometeu uma simpática mas nada especial homenagem às atrizes francesas em 8 mulheres (2002), perdeu a mão em Swimming poolÀ beira da piscina (2003), e voltou a surpreender com o forte O tempo que nos resta (2005).

Ozon não faz um cinema de tão difícil digestão. Mas a infantilização do cinema como um todo tem dificultado o acesso a seus filmes por parte do grande público, que não quer quebrar muito cabeça com pensamentos existencialistas e que tais. Daí a quase ausência de lançamentos de seus filmes em DVD, que dirá Blu-ray.

Daí, de novo, que a chance para ver Ozon é mesmo ir ao cinema. Amanhã estreia seu mais recente lançamento, Ricky, filme selecionado para mostra competitiva no Festival de Berlim 2009, que propõe uma parábola difícil de encontrar ecos na nossa realidade. Ou quem sabe o problema de identificação tenha sido meu. Fato que é que o enredo com tintas de realismo mágico apresenta o casal Katie (Alexandra Lamy) e Paco (Sergi Lopez), pessoas comuns, que se apaixonam, e cujo fruto da paixão é um bebê especial, Ricky do título. Nem sei se vale a pena explicitar o que há de especial – ou milagroso – no rebento. Mas há algo de… “”o escolhido””, que coloca diversos desafios para seus pais.

Quase uma parábola cristã, Ozon consegue transmitir com classe suas ideias, mas o filme termina sem deixar muito espaço sequer para especulação. Na boa, melhor quando Ozon se prende a questões mais terrenas para interpretar, esmiuçar as dores e amores nossos (e terrenos!) de cada dia. Ricky não diz a que veio e soa um pouco melodramático.

Veja abaixo um trailer legendado do filme:

 

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