Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 31.10.2009 31.10.2009

FÓRUM DAS LETRAS DE OURO PRETO

Por Paula Cajaty

“”Dia 30 de outubro no Fórum das Letrinhas e Forum dasLetras de Ouro Preto””

Cheguei em Ouro Preto dia 29, debaixo de uma chuva fininha,numa noite bem fria em final de outubro. A programação começaria no diaseguinte e logo pela manhã do dia 30 fui ao Teatro Casa da Ópera conferir aprodução do teatro ‘Valentina’, adaptação do livro infantil de Márcio Vassallo,programação do Fórum das Letrinhas.

A equipe da produção do Fórum das Letrinhas, instalada numprédio anexo ao Teatro, recebia todos os visitantes com sorrisos e água geladaCaxambu com a sugestiva tampinha Libertas Quae Sera Tamen.

E lembrei que, de certa forma, a literatura é também umaforma de libertação.  

O teatro já estavatodo decorado para receber os estudantes das diversas escolas de Ouro Preto eMariana, acompanhadas de suas respectivas educadoras. No horário marcado, eleslotaram o Teatro Municipal Casa da Ópera, o mais antigo da América do Sul.

As crianças, já íntimas do texto do livro, puderam fazerperguntas diretamente ao autor antes que a peça teatral começasse. E depois daapresentação do autor a equipe teatral mostrou o talento de adaptar ‘Valentina’de forma carinhosa e irretocável.

Antes de chegar ao Teatro Cine Vila Rica, conferi a bonitalivraria, instalada no prédio histórico da Casa dos Contos (aliás, quase todoprédio em Ouro Preto é histórico…). A livraria estava afinada com aprogramação, dando destaque aos autores-convidados e a recepção da Ludi, asuper-simpática vendedora, levei alguns títulos para minha biblioteca.

No Fórum das Letras, às 14h30, começava a primeira mesa dodia, com a discussão sobre o papel da crítica literária no Brasil. Conseguinotícias da mesa pois a própria Guiomar de Grammont combinou com o autor eprofessor Flávio Carneiro que fizesse a cobertura das mesas.

 Ao encontrar comFlávio e perguntar sobre a primeira mesa do dia 30, ele ponderou que, adespeito das excelentes escolhas para a composição da mesa, com os jornalistasAlmir de Freitas, José Castello, Luciano Trigo e Manuel da Costa Pinto, sentiufalta de algum componente que fornecesse a visão acadêmica da crítica literáriano Brasil.

De qualquer forma, tive alguma sorte no fato de que aquelamesa tenha demorado demais para acabar. Só assim cheguei a tempo de assistir àdivertidíssima Anne-Marie Metaillié, editora francesa que publica autoresbrasileiros, em debate com a elegante Lucia Riff, responsável pela maior equase única agência literária, e Ricardo Aleixo, poeta e editor. O assunto damesa era a produção do livro e seus passos, da redação à edição.

Anne-Marie morou no Brasil por vários anos e, assim, tinhaótima fluência no português, bem como conhecimento aprofundado do mercadoeditorial brasileiro, conseguindo tirar gargalhadas da plateia com sua ironiafina e inteligente, quase machadiana. Entre as considerações da ‘jovemfrancesa’, a mais importante foi a declaração de amor feita à literatura brasileira, enquanto explicava que “”oeditor, antes de mais nada, é um leitor com seus gostos””. Ressaltou aimportância da boa tradução, da escolha de capa e da venda do livro aoscríticos literários.

Lucia Riff, que recebeu a maior parte das perguntas,destacou que o Brasil acompanha a tradição da França, na medida em que nãopossui um mercado forte de agentes literários, de forma que a maioria dosautores lida diretamente com as editoras. Diversamente, em países como EstadosUnidos, Inglaterra, Espanha e Itália, como Lucia enumerou, é mais frequente apreferência dos escritores em contratarem a intermediação de uma agência.

Anne-Marie, Lucia e Ricardo também responderam à pergunta domediador André Miranda sobre o uso do e-book no Brasil e no exterior. Lucia,que havia acabado de chegar da Feira de Frankfurt, falou sobre a postura dos autorese editores perante a novidade digital, explicando que os contratos estãosofrendo adendos e modificações para alcançar todas as novas mídias, atuais efuturas.

Em seguida, a mesa formada por Frei Betto e pela portuguesaMargarida Paredes, mediada por Leda Nagle, prometia abordar a literatura como formade redenção. No entanto, segui para o restaurante Bené da Flauta, indicaçãounânime de quase todos os pontos turísticos de Ouro Preto, pois já chegava ahora do jantar.

A bela surpresa ficou por conta da cantora Eliane, que fezuma homenagem ao tema central do Forum das Letras com sua voz impecávelcantando ‘La vie en rose’ e, em seguida, ‘Encontros e despedidas’ da MariaRita, o que fez a turma que estava em viagem se emocionar e pedir bis.

Depois do vinho e das melhores músicas da França e doBrasil, só restou mesmo o descanso merecido daquele sobe e desce das ladeirasde Ouro Preto, para retomar a programação cultural e literária no dia seguinte.

>>> Acompanhe a programação do Fórum das Letras de Ouro Preto, AQUI!

>>> Assista a cobertura da TV UFOP:


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