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Folha promove mesa com colunistas para discutir política por meio da literatura

 
ESPECIAL
 
Por Yael Peretz
A Casa Folha promoveu dois encontros, um seguido do outro, com dois conceituados estudiosos de política que também são colunistas do jornal. O editor do suplemento Ilustríssima, Paulo Werneck mediou uma conversa com João Pereira Coutinho, co-autor do livro Porque Virei à Direira. Logo foi a vez de escutar Vladimir Safatle, autor de A Esquerda que Não Teme Dizer seu Nome.
 
Ambos defendem visões opostas sobre os rumos políticos que o mundo deve seguir. Se João Pereira Coutinho se assume capitalista por desilusão com os caminhos que a esquerda assumiu em diversas experiências, Vladimir Safatle ainda defende uma nova forma de redistribuição de renda.
 
O público de João Pereira Coutinho que se apresentou às 15h, naturalmente permaneceu para ouvir a visão contrária de Vladimir Safatle. Foram dois diálogos acalorados entre os autores e ouvintes, com algumas interferências do mediador.
 
Representando a visão da Folha de S. Paulo, Paulo Werneck disse que essa é mais uma iniciativa que demonstra o pluralismo promovido pelo jornal. “Esse debate aqui reproduz uma conversa que acontece semanalmente pelos colunistas”
 
Os assuntos abordados giraram em torno da crise econômica mundial, aborto, casamento homossexual, eutanásia, regularização da imprensa, ditaduras e as experiências de governos de esquerda pelo mundo. 
Veja algumas citações dos palestrantes;
 
João Pereira Coutinho
Yael Peretz
João Pereira Coutinho durante evento na Casa Folha
“Não cabe ao Estado dizer como é que você tem que viver, como é que você tem que usar o seu dinheiro, como é que você tem que organizar a sua vida (…) O que me fez virar à direita é achar que cada pessoa é melhor juiz de sua própria causa”

 
“George Orwell é um dos escritores mais importantes da minha formação e era um homem de esquerda. A grande questão não é saber se a pessoa é de direita ou se é de esquerda. Em primeiro lugar se tem uma posição de autoridade”
 
“A crise na Europa é precisamente uma crise do papel do gigantismo do Estado”
 
“Eu acho que Rousseau é um grande filósofo e é um filósofo perigoso. (…) Rousseau tem um problema. Ele é um filósofo sentimental. Rousseau acha que a melhor forma de você atingir o fim político é mostrar o seu coração às massas. Rousseau é o grande amante da humanidade. Ama aos homens, mas na verdade era incapaz de amar as pessoas que estavam mais próximas”
 

“É muito curioso porque normalmente quando vejo ou escuto um humanista, normalmente estamos na presença de um canalha. Pela minha experiência pessoal nunca falhou. O inverso não acontece”

“O capitalismo tem a função de que as pessoas possam trocar livremente bens, serviços ou capitais. Nesse sentido o capitalismo tem uma função civilizadora”
 
Vladimir Safatle
 
“Tão velha quanto a experiência comunista é a crítica da esquerda a essa experiência. (…) Eu posso indicar vários pensadores de esquerda que fizeram autocríticas severas a respeito das experiências do século XX. Tenho dificuldade em identificar pensadores liberais que tenham feito uma autocrítica”
 
“Há um esvaziamento brutal de qualquer tipo de discussão sobre a ampliação da participação popular”
 
“O que se tem hoje é uma democracia radicalmente imperfeita, mas não é uma democracia imperfeita porque ela paulatinamente vai se aperfeiçoando. Ela é uma democracia que gira em torno de suas imperfeições há pelo menos vinte anos”
 

“Desde o século XIX o pensamento liberal brasileiro é uma das coisas mais inacreditáveis que se possam imaginar na fase da terra. Primeiro o pensamento do século XIX conseguia ser liberal e escravocrata ao mesmo tempo. Depois conseguiram ser liberais e estadistas. Depois conseguiram ser liberais e contrários ao Estado”

 
ESPECIAL
 
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