Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 26.03.2011 26.03.2011

Flores no jardim de Tiê

Primeiro nome da nova geração paulista a passar pela prova do segundo disco, Tiê deixa boa impressão em A coruja e o coração, nas lojas na próxima semana pela Warner Music. Tiê não apresenta um CD igual ao seu primeiro, Sweet jardim (2009). Ao contrário. Há diferenças significativas. Permanece a doçura da música e da voz, mas muda a pulsação. O doce jardim de Tiê floresceu. Se o disco anterior girou em torno do violão da artista, o atual é um álbum feito com banda. E basta a entrada de uma bateria para dar mudar toda a dinâmica do som.

Em sintonia com seu novo tempo, Tiê abriu o leque de parceiros. Entre outros nomes, ela está compondo com João Cavalcanti (autor dos versos de “”Na varanda da Liz””, faixa inspirada na filha da cantora, hoje com um ano) e com Karina Zeviani, a Ka, que já militou pela banda francesa Novelle Vague e pelo coletivo norte-americano Thievery Corporation. De modo geral, a abertura do leque de colaboradores deixou o sol bater no jardim de Tiê e dissipar a melancolia que pautou Sweet jardim.

Tiê também prova ter personalidade com as escolhas das três regravações do disco. Em vez de tirar do baú um clássico da MPB, ela se volta para duas canções de compositores de sua geração – Thiago Pethit e Tulipa Ruiz – e se permite recriar, em tom flamenco, um sucesso populista da banda Calcinha Preta, “”Você não vale nada””, faixa cujo interesse se esgota em seu exotismo. Dos covers, o mais sedutor é “”Só sei dançar com você””, um dos hits do primeiro disco de Tulipa, Efêmera (2009). Tiê envolve a música num clima de cabaré em registro que chega a superar o de Tulipa. Já “”Mapa múndi”” se revela em sintonia com a gravação de Pethit.

O fato de Tiê ter bisado a parceria com Plínio Profeta impede que haja uma ruptura no som de Tiê. Canções como “”Te mereço””, que soa como uma valsa, e “”Piscar o olho”” conservam a delicadeza da música da artista e mostram que A coruja e o coração é mais um desenvolvimento de Sweet jardim do que uma ruptura com o som de um disco que, afinal, deu certo e cumpriu seu papel de projetar Tiê na cena brasileira.

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