Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 29.06.2012 29.06.2012

FLIP 2012: retrospectiva 10 anos

 
 
                       ESPECIAL                         
Por Daniela Guedes
Os amantes dos livros têm um encontro marcado, aliás, como acontece já há dez anos, com a nata da literatura mundial e brasileira. Tudo o que acontece de mais bacana e polêmico no mundo das letras tem data e horário para começar, em Paraty (RJ). É a Festa Literária Internacional de Paraty, ou, simplesmente, Flip, que acontece de 4 a 9 de julho. Este ano com direito a festa de aniversário pela passagem dos dez anos, show de abertura com o cantor Lenine e uma homenagem pra lá de especial ao poeta Carlos Drummond de Andrade.
A conferência de abertura é do cronista Luiz Fernando Veríssimo e a celebração ainda inclui o retorno de alguns escritores que fizeram sucesso em edições passadas, como Ian McEwan, que lançará na Flip seu novo romance, Serena, Enrique Vila-Matas e Hanif Kureishi.
Relembre algumas curiosidades das edições passadas e saiba o que vai rolar na Flip 2012.
 
 
AS HOMENAGENS
Em 2003, a homenagem foi para o poeta Vinicius de Moraes, que naquele ano completaria 90 anos se estivesse vivo. Em seguida, veio a celebração do autor de Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa. Clarice Lispector, em 2005, ganhou até espetáculo multimídia, conjugando depoimentos, leituras, canções e entrevistas inspiradas na obra da autora de Perto do Coração Selvagem (1943).
Continuando a série de homenagens, o escritor Jorge Amado foi o escolhido em 2006 e, para reiterar a relação afetiva do escritor com a Bahia, a FLIP convidou outra baiana ilustre: Maria Bethânia, que comandou o show daquela edição da festa. Depois ainda vieram programações especiais para Nelson Rodrigues (2007), Machado de Assis (2008), Manuel Bandeira (2009), Gilberto Freyre (2010) e Oswald de Andrade (2011).
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
No ano de aniversário de dez anos da Flip, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade completaria 110 anos de idade. Aproveitando a data, a Flip deste ano presta homenagem com a exposição “Faces de Drummond – o poeta e seu avesso e o monólogo de Sura Berditchevsky”, baseado em cartas que o autor trocava com a filha Maria Julieta. Além disso, falam sobre a obra de Drummond o escritor e colunista do Estadão Silviano Santiago, o filósofo Antônio Cícero, o poeta, professor e ensaísta Eucanaã Ferraz, entre outros.
 
CURADORIA
A primeira Flip em 2003 não tinha um curador, tinha vários; Liz Calder, Louis Baum, Luiz Schwarcz, Flávio Pinheiro, Mauro Munhoz, Belita Cermelli e Nina Gama. Uma equipe de oito integrantes, que, independente dos títulos atribuídos aos créditos do primeiro programa, faziam de tudo um pouco.
 
O Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, e o Mauro Munhoz, que hoje dirige a Casa Azul (ONG que realiza a Flip), planejaram junto com Liz Calder o que seria o embrião da Festa Literária Internacional de Paraty, um festival nos moldes do Hay Festival, realizado na cidade inglesa de Hay-on-Wye.
 
Foi daí que nasceu a Flip. “A festa cresceu mais do que nossas expectativas mais ousadas. Mas conseguiu manter algo do sentimento e do espírito originais, e espero que sempre consiga”, disse em entrevista à BBC Liz Calder.
Flavio Moura comandou a Flip por três anos
 
Com o crescimento e a fama, foi necessário designar curadores. Relembre alguns nomes dos que ocuparam este cargo:
2006: Ruth Lanna. Ela privilegiou uma seleção voltada para escritores de quem nunca se ouviu falar no Brasil. Muitos têm em comum o fato de serem considerados periféricos dentro do mainstream. Ou seja, são africanos, árabes, asiáticos etc. que vivem e produzem no eixo literário Estados Unidos/Europa. Convidados: Tariq Ali, Mourid Barghouti e Ondjaki.
2007: Cassiano Elek Machado. Levou à Flip com uma homenagem a Nelson Rodrigues a ideia de lembrar às pessoas que a criação literária é muito flexível, variados formatos e propostas se encaixam no que a gente chama de literatura. E criou a edição “menos sisuda e mais bem-humorada que as anteriores”. Convidados: J. M. Coetzee, Mia Couto e Lawrence Wright.
 
2008, 2009, 2010: Flávio Moura. Comandou a Flip por três anos, mas no último ano enfrentou críticas por ter convidado menos autores literários e mais acadêmicos. A mesa dos cartunistas Robert Crumb e Gilbert Shelton, avaliada por muitos como um fiasco, pôs em dúvida a permanência dos  quadrinhos como pauta do evento. Neste ano, é curador dos projetos especiais dos 10 anos da Flip. Convidados: Neil Gaiman, Tom Stoppard, Gay Talese e Lionel Shriver.
2011: Manuel da Costa Pinto. Tornou a Festa linguisticamente mais democrática, ao equilibrar o número de autores brasileiros e estrangeiros, visando à “maior variedade possível de nacionalidades e tradições linguísticas da literatura”. Resgatar a importância do homenageado da 9ª Flip, Oswald de Andrade, também foi um dos principais objetivos desta curadoria. Convidados: David Byrne, Joe Sacco, James Ellroy e Pola Oloixarac.
2012: Miguel Conde. Assumiu a curadoria da Flip em outubro de 2011. “O planejamento dessa edição em que a festa completa uma década tem como ponto de partida o inevitável reconhecimento do que ela tem de mais valioso: a combinação entre celebração e pensamento crítico, num espaço em que escritores, leitores e intelectuais se reúnem em torno de um interesse comum pela literatura e pela reflexão”, disse Conde, em comunicado distribuído pela Flip. Convidados: J. M. G. Le Clézio, Jennifer Egan, Jonathan Franzen e Alejandro Zambra.
 
 
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