Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.01.2012 30.01.2012

Filmes apocalípticos: o fim do mundo visto do cinema

Por Luma Pereira
Cartaz do filme 2012
 
Guerras, forças da natureza, vírus, invasões alienígenas, profecias – o fim do mundo. Não importa o motivo de nossa extinção, a indústria cinematográfica arranja um jeito de colocar catástrofes nas telonas e proclamar a destruição da humanidade.
 
Nós sempre tememos o fim dos tempos e nos perguntamos se o mundo vai mesmo acabar um dia.
Essas questões, porém, não ficam apenas na nossa cabeça. Cineastas mostram, no cinema, como imaginam que o mundo acabará.
 
“Quando um filme retrata esse assunto, o público é atraído automaticamente. Geralmente, o fim do mundo é tratado em blockbusters épicos, com efeitos visuais de deixar o espectador boquiaberto”, diz Renato Marafon, crítico de cinema do CinePop.
 
Guerras e ETs
 
Dois dos motivos comuns para retratar o fim do mundo no cinema são os conflitos políticos entre os países – as guerras em geral – e a invasão de extraterrestres. Ou a humanidade acaba em armas ou dominada por seres de outro planeta.
 
A primeira produção apocalíptica a ganhar notoriedade foi Daqui a Cem Anos, dirigido por Willian Cameron Menzies, em 1936. “A história mostra nosso mundo enfrentando uma devastadora guerra planetária e uma praga mundial”, conta Marafon.
 
A Guerra dos Mundos (Haskin, 1953), baseado no livro de H. G. Wells, é sobre quando as principais cidades da Terra são tomadas por alienígenas. O Dia Seguinte (Meyer, 1983) é sobre a guerra fria e a corrida dos mísseis nucleares.
 
Em Vampiros de Almas (Siegel, 1956), os humanos são substituídos por clones ETs sem sentimentos. Conforme uma das interpretações, a ausência das almas é a representação da sociedade comunista, mostrando o medo americano do avanço soviético.
 
Independence Day (Emmerich, 1996) é também sobre o ataque de seres de outro planeta, que investem contra nós com naves de quilômetros de diâmetro. Até a Força Aérea dos EUA é acionada para combater os inimigos.
 
Em O Dia em que a Terra Parou (Derrickson, 2008), o alienígena Klaatu (Keanu Reeves) entra em contato com nosso planeta para avisar sobre uma invasão extraterrestre. A humanidade, porém, pensa que ele é uma ameaça e o hostiliza.
 
O Dia em que a Terra Parou
 
A natureza e os vírus
 
Outro motivo para justificar o fim são as catástrofes naturais, mostradas em filmes como Impacto Profundo (Leder, 1998) e Armageddon (Bay, 1998). No primeiro, um cometa entra em rota de colisão com a Terra e, no segundo, é um asteroide que atingirá o nosso planeta.
 
Armageddon
 
Fim dos Tempos (Shyamalan, 2008) é sobre um veneno liberado pelas plantas, que faz as pessoas cometerem suicídio. O Inferno de Dante (Donaldson, 1997), por sua vez, trata de uma ameaça mais próxima do real: um vulcão entra em erupção e destrói tudo.
 
O Dia Depois de Amanhã (Emmerich, 2004) trata de alterações climáticas, resultantes do uso indevido dos recursos naturais, que destroem a Terra e a levam a uma nova Idade do Gelo.
 
Em Wall-E (Stanton, 2008), a humanidade passa a morar numa gigantesca nave, pois, na Terra, há muito lixo e gases tóxicos. A ideia é que as pessoas se retirem apenas por alguns anos, até que os robôs limpem o nosso planeta.
 
O Núcleo – Missão ao Centro da Terra (Amiel, 2003) também segue essa linha de catástrofe natural. O núcleo do planeta para de girar e cientistas precisam fazer com que ele volte à ativa.
 
Eu Sou a Lenda (Lawrence, 2007), Vírus (Pastor, Pastor, 2009), Contágio (Soderbergh, 2011) e A Epidemia (Eisner, 2010), refilmagem de Exército De Extermínio (Romero, 1973), são filmes sobre vírus indestrutíveis que atingem nosso sistema imunológico.
 
Foram lançados na época das pandemias de gripe aviária e suína, retratando um medo geral em relação a doenças contagiosas e seus efeitos catastróficos na saúde humana.
 
Em Terra dos Mortos (Romero, 2005), as pessoas se transformam em zumbis, que passam a dominar o mundo e fazer novas vítimas, como na franquia Resident Evil e em Madrugada dos Mortos.
 
De profecias e filosofias
 
Sempre ouvimos falar de profecias a respeito do fim do mundo. A mais famosa atualmente, e que está deixando algumas pessoas preocupadas, é a do Calendário Maia. Segundo ela, o fim da humanidade já tem até data marcada: 21 de dezembro de 2012.
 
Baseado nessa previsão, o diretor Emmerich fez o filme 2012, lançado em 2009. “O orçamento da superprodução foi de US$ 200 milhões, apostando em efeitos visuais de deixar o queixo caído”, comenta o crítico de cinema.
 
Outra produção cinematográfica com tema semelhante é Presságio (Proyas, 2009). O filme não é baseado numa profecia, mas em uma mensagem numérica deixada há muitos anos que indica a destruição da humanidade.
 
Presságio
 
Há também filmes que tocam no assunto do fim do mundo de maneira mais filosófica, como é o caso de Árvore da Vida (Malick, 2011) e Melancolia (Lars Von Trier, 2011). Neste último, um planeta vai nos atingir e as pessoas têm de lidar com a ideia do fim.
 
“Cada produção tem o seu valor. Blockbusters como 2012 atraem o grande público ao cinema, entretêm, divertem e só. Produções menores, como Melancolia, nos fazem refletir e nos aprofundar no assunto”, comenta Marafon.
 
Com roteiro sobre a colonização alienígena e os eventos de 2012, o terceiro filme Arquivo X tem estreia prevista para 2012, porém a data exata ainda não está confirmada.A produção dá sequência a Arquivo X (1998) e Arquivo X: Eu Quero Acreditar (2008). 
 
A boa notícia é que não importa o quão catastrófico seja o filme, podemos assisti-lo em segurança numa poltrona. A imagem da telona não vai sair da ficção, e quando formos para casa, a Terra ainda estará do mesmo jeito que estava antes de a sessão começar.
 
 
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