Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 06.09.2013 06.09.2013

Filme mostra cotidiano de bailarinos que ocuparam casarão no RJ

Por Edu Fernandes
 
O passeio entre ficção e documentário é cada vez mais frequente no cinema. Esse Amor que Nos Consome é centrado em um grupo de bailarinos que recebe a proposta de ocupar um casarão enquanto o imóvel não é vendido. A produção entra em cartaz em 6 de setembro.
 
A situação do diretor Gatto Larsen e do coreógrafo Rubens Barbot é real, mas as cenas do longa foram roteirizadas pelo cineasta Allan Ribeiro. Ele já havia firmado uma parceria com os artistas em 2006 e, desde então, trabalha com eles. Allan ajudou a criar imagens para os espetáculos da companhia e rodou com eles o premiado curta Ensaio de Cinema.
 
Esse Amor que Nos Consome aborda a fé no candomblé de Rubens, as dificuldades de seus dançarinos (em sua maioria, oriundos da periferia), os ensaios da companhia e o constante medo de o casarão ser negociado e levar todos ao despejo.
 
Allan falou ao SaraivaConteúdo sobre como surgiu o filme e a carreira vitoriosa que teve em festivais de cinema.
 
Como você vê a mistura entre ficção e documentário no cinema contemporâneo?
 
Allan. Esta definição é muito complicada. No fundo, não existe diferença entre um e outro. É sempre um olhar (uma construção) do diretor. Existem vários tipos de abordagem, algumas têm uma encenação mais construída, outras uma encenação direta, mas todas chegam ao mesmo lugar. Misturar esses tipos de abordagens me interessa muito. Tenho trabalhado nesse sentido utilizando personagens reais, criando histórias ficcionais junto com eles e explorando principalmente a encenação performática.
 
Elenco e equipe se reúnem no casarão durante gravações
 
Qual a participação que os personagens tiveram no roteiro de Esse Amor que Nos Consome?
 
Allan. Todos os bailarinos ajudaram. Colhíamos histórias e situações para o filme. Inclusive durante a filmagem, onde surgiram novas propostas. Gatto Larsen assina o roteiro comigo. Nós dois concentramos esse trabalho de criar uma linha narrativa. Tivemos reuniões semanais durante seis meses. A participação dele não se limitava a me contar as histórias do grupo, e sim criar junto a melhor maneira de utilizar as performances para nos ajudar a contar essa história. Eles são um grupo que coloca no palco o que eles vivem; dessa forma, ficou muito orgânico esse roteiro misturando a vida deles e os números de dança.
 
Como está a situação deles hoje?
 
Allan. Continuam no casarão. E o filme foi um marco nessa conquista. O dono do imóvel viu a sessão de estreia no Rio de Janeiro e ficou comovido. Dois dias depois avisou para eles não se preocuparem, pois não sairiam de lá. O cinema tem esse poder de emocionar, de potencializar mínimos detalhes que não percebemos no dia a dia. Acredito que eles ficariam lá de qualquer maneira, pois o dono do imóvel é um homem muito sensível e admira o trabalho deles, mas o filme acelerou o processo. Hoje eles têm um belo projeto de ocupação de dança nos três andares do casarão, incluindo um teatro no primeiro andar. Estão em busca de patrocínio.
 
Allan Ribeiro recebe troféu no festival Olhar de Cinema, em Curitiba
 
Como eles (e você) recebem as respostas positivas do público nas sessões do filme em festivais?
 
Allan. É uma grande felicidade. O filme não é convencional, não explica muitas coisas sobre a Companhia de Dança, pois a proposta é mais de sentir e viver o cotidiano deles, do que entender de onde vieram e qual sua história anterior. Além disso, utiliza a dança e a performance, que não são muito vistos no cinema. Mesmo assim, o público se emociona. Lembro até hoje do entusiasmo do Gatto Larsen se referindo aos prêmios de júri popular e júri jovem que recebemos em Curitiba e Salvador. Ele acha importantíssimo o grupo alcançar todas essas pessoas.
 
Veja o trailer de Esse Amor que Nos Consome:
 

 
 
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