Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 31.10.2012 31.10.2012

Filme ‘E.T.’, de Steven Spielberg, completa 30 anos

Por Andréia Silva 
 
Elliot (Henry Thomas) é um garoto do subúrbio que adora brincar de alienígenas e super-heróis com os amigos, mas está um pouco entediado. O cenário muda quando ele recebe uma visita inesperada: um extraterrestre. 
 
Há 30 anos, mais precisamente em 11 de junho e 1982, o filme E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, estreava nos cinemas de boa parte do mundo, emocionando centenas de espectadores com a história de um extraterrestre perdido na terra que tentava achar o caminho de volta para casa. No Brasil, o longa chegou alguns meses depois, em dezembro. O crítico de cinema Sérgio Rizzo era um dos presentes na plateia.
 
“Gostei muito quando assisti ao filme pela primeira vez, no dia de estreia no Brasil, em 25 de dezembro de 1982, na projeção em 70 mm e tela curva do extinto Cine Comodoro, na Avenida São João, em São Paulo. Naquelas condições, o filme talvez tenha ficado ainda mais envolvente. A surpresa da cena das bicicletas que voam é inigualável a qualquer outra do filme”, conta ele.
A cena a que Rizzo se refere é uma das mais emocionantes da produção, talvez até do cinema. Com o E.T. na cesta de sua BMX, Elliot consegue passar por uma blitz da polícia levitando com a bicicleta, passando em frente à lua. “Não conheço nenhuma criança que, na época do filme, não queria repetir a cena de qualquer jeito”, conta o jornalista e estudante de cinema Jonas Fagundes de Mello, 33. Ele também é colecionador de filmes dos anos 80 e coloca E.T. no top 5 de seus favoritos.
 
“Acho que foi um filme particularmente importante para a minha geração. Assisti com 7 anos. Além de ter sido um dos primeiros a abordar extraterrestres como amigos, e não inimigos do homem, o que sempre me chamou a atenção foi a atuação incrível de Henry Thomas, que, ainda criança, mostra uma segurança, uma determinação, que soam muito reais e intensas para um garoto daquela idade”, comenta Mello.
O vídeo do teste de Henry Thomas – de apenas 10 anos – para o papel chama atenção. O olhar forte de quem está perdendo o chão quando um policial avisa o garoto que terá que levar o E.T. e a voz embargada, dizendo que a criatura é o seu melhor amigo, e por isso não pode ser levado, convenceram a equipe de produção na hora. Assim que a cena termina, uma voz ao fundo diz: “Henry, o emprego é seu”. Thomas segue atuando – já esteve em filmes como Lendas da Paixão e Gangues de Nova York – e revelou que, para o teste, pensou que seu cachorro tinha morrido.
 
'E.T.', filme que completa 30 anos em 2012
 
O longa, que traz ainda no elenco nomes como Peter Coyote, Dee Wallace e Pat Welsh (1915-1995), a voz do E.T., entre outros, também marcou a estreia de peso da atriz Drew Barrymore no cinema. E para nunca mais parar.
 
Em seu segundo papel para a telona, ela interpretou a irmã de Elliot, Gertie. É ela quem decifra o desejo do E.T. em um momento especial do filme, quando ele diz suas primeiras palavras e manifesta o desejo de telefonar para casa.
“Gosto dessa cena porque acho que ela humaniza bem o personagem. Ele mostra uma revista em quadrinho para Elliot, se não me engano, e aponta o dedo para o desenho de um homem telefonando. Em seguida, ele olha para a janela e diz as palavras ‘E.T.’, ‘phone’ e ‘home’. É uma das melhores cenas”, lembra Mello.
Para Rizzo, E.T. não figura em sua lista de obras clássicas. Citando o livro Por Que Ler os Clássicos, de Ítalo Calvino, Rizzo considera que três décadas ainda é pouco tempo para consagrar como clássico um filme, um livro ou uma canção.
 
“Algo marcante, mesmo que para milhões de pessoas, não é necessariamente um clássico, ensina Calvino. E. T. é um filme muito popular para duas ou três gerações de espectadores, ou seja, seria uma espécie de ‘clássico de estima’ ou ‘clássico popular’”, completa ele.
Quando se fala de filmes de alienígenas, E.T. é um dos mais lembrados, mas, segundo Rizzo, não por ter seguido uma receita diferente. “Há uma diversidade de bons filmes sobre vida alienígena. Um dos diferenciais de E.T. é ser um filme ‘para famílias’, na tradição consagrada pela Disney”, diz.
Clássico ou não, o longa é uma obra de peso na filmografia de Spielberg. Foi nomeada a nove Oscars, levando os prêmios de melhor trilha sonora, melhores efeitos especiais, melhores efeitos sonoros e melhor som; e chegou a ser a maior bilheteria dos cinemas por onze anos, sendo derrubado por Jurassic Park, outro trabalho de Spielberg.
 
Os personagens Elliot e ET em cena do filme, de 1982
 
"Gosto muito do trabalho de Spielberg quando se fala de seres de outro mundo e o sobrenatural. Ele trabalhou com esses temas em Poltergeist e em Gremlins, filmes dos quais foi produtor. Esse último conseguiu repetir o que vimos em E.T.: transformar criaturas assustadoras em desejo de estimação de uma geração", comenta Mello.
Para celebrar os 30 anos, o filme ganhou um lançamento especial em Blu-ray no mês de outubro, com imagens que mostram os bastidores e depoimentos dos atores e diretor, reunião do elenco e também vídeos mostrando como o E.T. foi concebido.
O lançamento traz a versão original do longa, exibida em 1982, sem as alterações que Spielberg fez em 2002 para comemorar os vinte anos da estreia, trocando por walkie-talkies as armas usadas por policiais em uma das cenas. O próprio diretor já declarou que se arrependeu da mudança.
 
Na ideia inicial, E.T. não foi concebido como uma criatura tão amistosa. A produção seria um filme de terror na mesma linha de Sinais e Poltergeist – O Fenômeno. Além disso, em vez de luz, o dedo do E.T. teria poderes para destruir qualquer coisa. Essa ideia foi logo abandonada, mas o estúdio Columbia Pictures não comprou a produção. Sobrou para a Universal, que, ao que tudo indica, não se arrependeu do negócio.
 
 
Recomendamos para você