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Filme colaborativo mostra manifestações de junho de 2013

Por Edu Fernandes
 
O ano de 2013 ficará marcado pelas passeatas que movimentaram cidades por todo o Brasil. O documentário 20 Centavos recolhe imagens de muitos desses eventos e constrói um panorama multifacetado da questão.
A violência policial, os manifestantes com opiniões opostas, os atos de vandalismo, os cartazes, as performances artísticas e muitos outros elementos dos protestos têm seu espaço nas cenas. O longa faz parte da programação do É Tudo Verdade. O festival dedicado ao cinema documental acontece de 3 a 13 de abril em São Paulo e Rio de Janeiro, com sessões gratuitas e outras atividades.
Tiago Tambelli, diretor de 20 Centavos, conversou com o SaraivaConteúdo sobre seu filme e sobre documentários no Brasil.
SaraivaConteúdo. Como surgiu a ideia para realizar o documentário?
Tiago Tambelli. O filme começou a ser pensado a partir da quarta manifestação, quando a polícia militar reprimiu violentamente manifestantes e imprensa. Convidei cerca de 50 pessoas pelo Facebook para formarmos um grupo para fazer esse documentário. Portanto, o filme foi capitaneado por mim, mas foi um processo aberto para todos opinarem.
SaraivaConteúdo. 20 Centavos forma um registro das manifestações, sem uma narração para guiar. Isso foi pensado para manter a imparcialidade?
Tiago. Os desdobramentos desses eventos ainda reverberam na sociedade, por isso não quisemos colocar nossa opinião no filme. Nosso discurso está em apresentar e dar os valores desses manifestantes. O que entrou pela câmera era mais forte do que o que a gente poderia colocar no filme, porque no final não é uma análise sociológica. A proposta é o espectador juntar essas peças e formar um entendimento. Por isso não tem narração.
 
Thiago Tambelli assina a direção do projeto colaborativo
SaraivaConteúdo. Como foi o processo de produção em tão pouco tempo?
Tiago. De forma organizada, conseguimos fazer um filme em mais ou menos seis meses. Foram R$ 50 mil de custo de produção, com os profissionais trabalhando de forma colaborativa. Nossa meta é retornar algo para a sociedade num curto espaço de tempo.
SaraivaConteúdo. Qual a importância de um documentário feito tão próximo aos eventos que retrata?
Tiago. O Brasil não tem tradição no cinema documental de fazer filmes durante processos de crise. Nossa tradição são filmes posteriores aos eventos sociais, refletindo o que passou. 20 Centavos está dentro da jornada de manifestações de junho de 2013. Nossas referências são Godard e Santiago Alvarez, que são cineastas que foram às ruas enquanto as coisas aconteciam. Nosso filme serve de suporte para outros cineastas e analistas sociais – não podíamos deixar isso para depois.
SaraivaConteúdo. Por que ainda não vimos mais documentários sobre o tema se havia tantas pessoas registrando as manifestações em vídeo?
Tiago. A gente observou pela rua que tinha muitos manifestantes com câmeras, mas não com preocupação cinematográfica. A gente não queria vulgarizar nossas imagens e soltar na internet de forma não pensada. Percebemos que existiam virais sobre as manifestações, mas seguramos o conteúdo por conta do seu valor cinematográfico.
ACOMPANHAMENTOS
Outras produções brasileiras em cartaz no É Tudo Verdade falam sobre questões políticas atuais:
Batalha pelo Rio – Um cineasta uruguaio visita comunidades cariocas e analisa a atuação das UPPs.
Com uma Câmera na Mão e uma Máscara de Gás na Cara – O curta carioca também fala das manifestações de junho, mas com foco no papel dos cinegrafistas, sejam eles profissionais ou amadores.
O Mercado de Notícias – O filme fala sobre o papel da imprensa na sociedade brasileira, com coberturas jornalísticas parciais realizadas por grandes grupos de comunicação que operam de maneira questionável.
Para conhecer a programação completa do festival, acesse o site oficial.
 
Cena do filme Com uma Câmera na Mão…
 
 
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