Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 13.10.2011 13.10.2011

Festival do Rio abre as cortinas para o show de horror de Dario Argento

Por Andréia Silva
O diretor Dario Argento
O terror vai fincar suas garras no Festival do Rio a partir de hoje quando o diretor italiano Dario Argento chega ao Brasil para prestigiar a mostra “Dario Argento e seu mundo de horror”, que fica em cartaz até 23 de outubro na capital carioca.
A mostra, com curadoria de Mario Abbade, é uma das programações especiais deste ano do festival, feita em parceria com o CCBB do Rio. Para os fãs do gênero, é a oportunidade de conhecer melhor a obra deste italiano, ícone do cinema de horror, já que apenas seis de seus longas foram lançados oficialmente em DVD no Brasil.
Filho de mãe brasileira (Elda Luxardo) e pai italiano (Salvatore Argento), Argento começou como ator, depois roteirista até chegar a ocupar o posto atrás das câmeras.
Aos 20 anos já era roteirista profissional e juntou-se a Bernardo Bertolucci para escrever o roteiro do western de Sergio Leone, Era Uma Vez no Oeste (1968). Dois anos depois, escreveu e dirigiu seu primeiro filme, O Pássaro das Plumas de Cristal, que se tornou sucesso internacional e inaugurou a sua trilogia dos animais, que tem ainda Gato de Nove Caudas [que você não precisa ler a sinopse para imaginar o quão assustador isso pode ser] e Quatro Moscas no Veludo Cinza.
Dario sempre teve uma obsessão em abordar os mistérios da mente humana e os transtornos causados pelo medo e pela angústia, que lhe valeu os apelidos de “Hitchcock gore” e “Walt Disney às avessas”.
 
Em Giallo – Reféns do Medo, de 2009, uma americana tenta encontrar o serial killer que matou sua irmã
Aliás, ao assistir Prelúdio Para Matar (1975), com a história de uma vidente que recebe os pensamentos de um assassino durante uma sessão e acaba morta em seu apartamento, o próprio Hitchcock se surpreendeu. “Esse italiano está começando a me preocupar”, disse ele.
Na obra do italiano, Abbade destaca as "várias sequências elaboradas com diversos planos inusitados", o uso de histórias policiais, políticas e até sobrenaturais "em que o sexo, o mistério e a violência são os responsáveis em conduzir a narrativa caracterizada pelo improvável", além do "tom propositalmente farsesco" misturado com uma atuação muitas vezes questionável dos atores.
A mostra “Dario Argento e seu mundo de horror” traz 31 produções, entre filmes e séries de TV, um filme de sua filha – Asia Argento – e outros quatro filmes do estilo giallo (subgênero do terror criado na Itália e do qual ele é conhecido como “o dono”) protagonizados pelo ator e ex-miss universo Mickey Hargitay, como Bloody of Horror e A Mulher do Frankstein.
Um dos filmes é Giallo – Reféns do Medo, de 2009, e que traz no elenco Adrian Brody, Emmanuelle Seigner, Elsa Pataky. No filme, a polícia tenta capturar a qualquer custo Giallo – amarelo em italiano -um psicopata que mata mulheres.
 
Jennifer Connelly em Phenomena, de1985
Há também Phenomena, de 1985, com Jennifer Connely no papel da apavorada estudante que vai tentar descobrir o que – ou quem – está por trás das mortes que acontecem na cidade.
Suspiria (1977), um de seus maiores clássicos, com destaque para a sua iluminação multicolor e cenário psicodélico, relembra o início da carreira de Argento e as influências de diretores como Mario Bava, de quem ele herdaria a curiosidade pelo giallo. Bava, na verdade, é considerado o criador do giallo, lá pelos idos de 60, mas foi Argento quem deu fôlego ao gênero, que até então não tinha produções respeitadas na Europa.
Infelizmente, o público ainda não poderá ver o resultado de Drácula 3D, nova produção de Argento que ainda não tem data para estrear. Rodado na Hungria, o filme teve o roteiro adaptado por Argento, Stefano Piani e Antonio Tentori.
O filme é uma coprodução entre Itália, Espanha e tem orçamento de 13 milhões de dólares. O elenco traz a filha do diretor, Asia, como Lucy, Thomas Kretschmann como Drácula e Rutger Hauer como Van Helsing, além de Marta Gastini, Miguel Angel Silvestre e Miriam Giovanelli.
Resta esperar que, com a mostra no Rio, Argento fique mais popular entre os distribuidores e os brasileiros não precisem esperar festivais ou mostras especiais para entrar no mundo de horror e mistério do diretor italiano.
 
 
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