Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 25.05.2014 25.05.2014

Festival de cinema e Copa do Mundo: convivência ruidosa

Por Edu Fernandes

Copa do Mundo é o tipo de evento que paralisa o Brasil. Em 2014, pelo evento acontecer no País, sua força é ainda maior e passa a ser um fator a se considerar na hora de organizar um festival de cinema. A primeira influência que se sentiu foi no calendário.

Durante o mês em que a bola estiver rolando nas doze cidades-sede, haverá poucas grandes estreias no circuito comercial. A agenda de festivais também foi alterada, com eventos agrupados antes do jogo de abertura em São Paulo e após a final no Rio de Janeiro.
Entretanto, o maior peso da Copa do Mundo foi no lado financeiro. Via de regra, o mercado publicitário concentrou suas verbas para patrocinar o evento esportivo, ou em campanhas que fazem menção a ele. A maioria dos festivais teve de realizar suas edições de 2014 com um orçamento menor do que no passado.
“Tivemos metade do orçamento para dar conta de planos maiores do que de 2013”, disse Barbara Sturm, diretora do CineramaBC, festival que acontece em Balneário Camboriú (SC) desde 2011.
Em 2014, a mostra aconteceu no começo de abril. “Assim pegamos um período depois da alta temporada de turismo, mas antes de chegar o frio”, explica a estratégia. O público foi o maior da história do evento. “A população da cidade e da região já abraçaram o festival”, comemora Barbara.
 

Diretores do festival, Barbara Sturm e André Gevaerd apresentam sessão do CineramaBC
 
“Esse ano buscamos visibilidade com imprensa, por isso convidamos mais críticos para acompanhar o Cinerama”, explica. “A grande mídia não nos dá visibilidade, então escolhemos os veículos certos para nosso nicho.”
 
A maior parte dos jornalistas convidados era de sites e blogs. No final de novembro, o Curta Taquary também aposta em uma presença mais forte de críticos para ganhar visibilidade para o festival no interior do Pernambuco.
Nesse mesmo estado aconteceu no final de abril o Cine PE, em Recife e Olinda. Apesar da tradição, o festival teve problemas orçamentários. Mesmo assim, buscou inovações: foi a primeira vez que a mostra competitiva incluía filmes estrangeiros.
O curitibano Olhar de Cinema foi um dos exemplos de festival com ajuste de agenda. A terceira edição da mostra acontece de 28 de maio a 6 de junho, uma semana antes do que seria esperado. Com isso, coincide com pelo menos mais dois eventos: o goiano FICA, dedicado ao cinema ambiental, e o mineiro Cine OP, na cidade de Ouro Preto.
 

Antônio Junior participa da abertura do Olhar de Cinema
Outra dificuldade encontrada pelo festival paranaense foi a financeira. “Acabamos sacrificando tudo um pouco”, afirma Antônio Junior, um dos diretores do Olhar de Cinema. “Tivemos de correr atrás de mais parcerias e pessoas que nos ajudem a fazer o festival sem perder muito. Nesse ano teremos bem menos realizadores de fora.”
A novidade no evento é a mostra retrospectiva do cineasta Stanley Kubrick, mas a força do festival continua na curadoria. “Acreditamos que internacionalmente o festival tem ganhado força”, relata Antônio. “Muitos realizadores querem passar o seu filme no festival. Virou um ponto de referência no Brasil e América Latina para o cinema independente.”
Apesar da grande exposição que a Copa do Mundo traz, Junior enxerga vantagens para empresas apoiarem eventos culturais. “Se compararmos o valor investido na Copa e o investido no Olhar de Cinema com os resultados, com certeza a relação de projetos como o nosso vale muito mais a pena a longo prazo”, afirma.
 
“O festival é um evento que ocorre anualmente, ou seja, tem continuidade. A Copa no Brasil é agora e talvez só daqui 100 anos.”
 
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