Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Outros 13.05.2014 13.05.2014

Fatos que marcaram o ano de 1914 no mundo

Por Priscila Roque
 
Em 1914, a Primeira Guerra Mundial colocava grandes potências em conflito e transformava a cultura e a história dos países envolvidos. Mesmo com o difícil cenário, esse foi um ano brilhante para Charlie Chaplin. Fernando Pessoa trazia a vida seus heterônimos.
 
Outros centenários se iniciavam ali. Nasciam o cineasta Robert Wise e o ator George Reeves. Morria o ilustrador de Alice no País das Maravilhas, John Tenniel.
 
Em 2014, a Saraiva também completa seu primeiro centenário. Foi em 13 de dezembro de 1914 que o imigrante português transmontano Joaquim Ignácio da Fonseca Saraiva abriu as portas de sua primeira livraria, inicialmente como um comércio de livros usados, no Largo do Ouvidor, em São Paulo.
 
Passados 100 anos, buscamos 20 fatos que contextualizam esse momento em que nasceu a empresa que hoje não só vende livros, como atua em outros negócios editoriais e educacionais e é a maior rede nacional de varejo de conteúdo e entretenimento do Brasil.
Igor Stravinsky compõe “O Rouxinol”, sua primeira ópera
 
Referência no século XX, o russo Igor Stravinsky teve um marco importante na sua carreira em 1914. Foi nessa época que finalizou sua primeira ópera, “O Rouxinol”. Inpirada no conto e nos argumentos de  Hans Christian Andersen, que ressaltava os poderes mágicos desse pássaro na corte imperial da China, ela começou a ser escrita em 1908. Tamanho tempo entre os atos valorizou a obra e a tornou ousada e diferente de tudo o que já compôs. Porteriormente, em 1917, transformou-se em Balé e teve sua estreia três anos mais tarde.
 
Fernando Pessoa dá vida aos seus heterônimos
 
Fernando Pessoa ficou parte do dia 8 de março de 1914 em pé, ao lado de uma cômoda alta. Nela, escrevia desenfreadamente aquilo que se tornaria depois O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro. Essa data também foi chamada de “Dia Triunfal” pelo próprio poeta anos mais tarde, já perto de sua morte, em uma carta endereçada a  Adolfo Casais Monteiro. Nela, Pessoa descreve em detalhes o aparecimento também de Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Tamanho material não foi criado em um único dia, mas é em 2014 que as criações desse símbolo português celebram 100 anos.
 
William Burroughs, escritor
(nascimento: 05.02.1914)
 
Dependente das drogas por quase 15 anos, o escritor e cronista estadunidense William Burroughs ficou conhecido após o sucesso da primeira obra, Junkie – publicado sob o pseudônimo de William Lee, em 1953, explorando suas experiências com diversas substâncias ilegais. Polêmico, integrou a Geração Beat com o livro Almoço Nu, de 1959, e foi marcado pelos Beatles na capa do clássico álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Faleceu em 2 de agosto de 1997, nos Estados Unidos, vítima de ataque cardíaco.
 
Estreia de Carlitos, o personagem mais famoso de Charlie Chaplin
 
Foi pouco tempo depois de sua estreia no cinema que Charlie Chaplin se desdobrou em Charlot, Charlie, Tramp… O nome não importa. O emblemático símbolo do cinema mudo, de bengala, bigode e chapéu coco, conhecido no Brasil como Carlitos, completa seu primeiro centenário em 2014. Chaplin conta que o criou em uma situação de emergência, com medo de ser demitido pela Keystone. Depois do sucesso que alcançou em Corrida de Automóveis Para Meninos, repetiu a fórmula em muitas outras produções.
 

Robert Wise, cineasta
(nascimento: 10.09.1914)

 
Para o diretor e produtor norte-americano Robert Wise, as portas do mercado cinematográfico foram abertas por seu irmão mais velho, que trabalhava nos estúdios da RKO. Não demorou muito para ter seu talento reconhecido. Deu início a uma trajetória colaborando em O Corcunda de Notre Dame (1939) e no o clássico de  Orson Welles, Cidadão Kane (1941). Passou para a direção de filmes bem sucedidos, como O Dia em que a Terra Parou (1951),  A Noviça Rebelde (1965) e Jornada nas Estrelas: O Filme (1979). Faleceu em 14 de setembro de 2005, em Los Angeles.
 

Octavio Paz,  poeta e tradutor
(nascimento: 31.03.1914)

 
O Nobel de Literatura de 1990, Octavio Paz, completa seu centenário de nascimento em 2014. Formado em Direito, com especialização em Literatura, aproveitou os seus vinte e poucos anos para ganhar o mundo: morou na Espanha, na França, no Japão e na Índia. Aos 31 conquistou um lugar no serviço diplomático do México. Assim, seus textos e poesias viajaram países e influenciaram as artes e a cultura. Uma curiosidade: seu poema "Blanco" foi traduzido por Haroldo de Campos e musicado por Marisa Monte para o álbum Barulhinho Bom, de 1996. Faleceu em 19 de abril de 1998, no México.
 
George Reeves, ator
(nascimento: 05.01.1914)
 
O ator mais velho que já interpretou Clark Kent, em Superman, foi George Reeves. Esse norte-americano estrelou a série na década de 1950, quando tinha 38 anos, onde ficou por mais seis. A maior parte de seus trabalhos como ator foi desenvolvido para a TV. Antes disso, lutava boxe e estudava música. Chegou a servir o exército durante a Segunda Guera Mundial e foi garoto-propaganda da Kellogg's. Em 16 de junho de 1959, foi encontrado morto com o tiro na cabeça sob a suspeita de suicídio. No túmulo de Reeves, estão as inscrições: "Para meu querido filho Superman", uma homenagem de seu padastro.
 
August Macke, artista plástico
(morte: 26.09.1914)
 
Uma das vítimas da Primeira Guerra Mundial foi August Macke. O pintor alemão, considerado expressionista, foi morto prematuramente durante um combate, no segundo mês da guerra, na França. Nascido em 3 de janeiro de 1887, aos 20 anos teve o primeiro contato com trabalhos impressionistas franceses em uma viagem a Paris, suas primeiras referências. Ao longo dessa curta carreira, conheceu Kandinsky, Robert Delaunay e Paul Klee que influenciaram e transformaram sua arte.
 
James Joyce publica o livro Dublinenses
 
Desviado dos estudos da medicina em Paris para se dedicar a língua inglesa e a literatura, o irlandês James Joyce começou sua carreira como crítico literário. Viajou por diversos países europeus e publicou seu primeiro livro de poemas, Música de Câmara, em 1907. Natural de Dublin, em 1914 lançou aquela que seria sua obra mais polêmica: Dublinenses. A coletânea de 15 contos foi escrita quando ele tinha apenas 25 anos e mostra uma Irlanda em declínio econômico e moral. Aqui, James Joyce retrata a dureza da vida de seus conterrâneos no início do século passado.
 
Estreia do filme The Squaw Man, de Cecil B. DeMille
(lançamento: 15.02.1914)
 
The Squaw Man, também conhecido como Amor de Índio no Brasil, foi o primeiro longa-metragem de western gravado inteiramente em Hollywood e traz como estrela principal o multiartista Dustin Farnum. Baseado em uma história escrita originalmente para o teatro, o filme de 74 minutos marca a estreia do cineasta Cecil B. DeMille no cinema mudo. Entre suas principais obras estão Os Dez Mandamentos (1923 e 1956), Cleópatra (1934) e Sansão e Dalila (1949).
 
Mario de Sá Carneiro publica As Confissões de Lucio e Dispersão
 
Dois dos principais títulos do escritor Mário de Sá Carneiro completam 100 anos em 2014: A Confissão de Lúcio e Dispersão. Um dos maiores representantes do modernismo português, antes da publicação dessas obras de ficção e poesia, intensificava sua troca de correspondências com Fernando Pessoa. Nessas cartas, é possível perceber tamanho pessimismo que refletiu nas obras. Em A Confissão de Lúcio, ele demonstra a obsessão pelo amor perverso e pelo suicício. Dispersão, o primeiro livro de poesias da carreira, reúne textos que reforçam sua tristeza.
 

Julio Cortázar, escritor
(nascimento: 26.08.1914)

 
Filho de pais argentinos, Julio Cortázar nasceu na Embaixada da Argentina na Bélgica. Com a separação dos pais, foi criado pela mãe, uma tia e a avó em Banfield, na Argentina. Contos autobiográficos, explorando a tristeza e a introspecção, fazem parte de sua obra. Para fugir da ditadura, mudou-se para a França, onde viveu pelo resto da vida. Ali, atuou muitos anos como tradutor da UNESCO. Em 1963, lançou Rayuela (no Brasil: O Jogo da Amarelinha), seu primeiro grande sucesso. Meses antes de falecer em Paris, a 12 de fevereiro de 1984, conquistou a cidadania francesa.
 
Franz Kafka publica Na Colônia Penal
 
Uma das principais obras de Franz Kafka completa seu primeiro centenário em 2014. O perturbador Na Colônia Penal traz influências de O Jardim dos Suplícios, do francês Octave Mirbeau, e analisa de maneira profunda a questão da pena, mostrando seus limites e castigos de horror. Kafka discutiu e criticou as máquinas e os mecanismos direcionados a tortura e crueldade e abriu espaço para reflexões sobre o direito de liberdade.
 
Estreia do filme italiano Cabiria, de Giovanni Pastrone
(lançamento: 18.04.1914)
 
Durante as primeiras décadas de vida da sétima arte e no momento em que a indústria cinematográfica italiana ainda caminhava para ser fortalecer no mercado, veio o lançamento de Cabíria. Esse filme mudo, dirigido por Giovanni Pastrone, conta a história de uma jovem virgem raptada por piratas durante a guerra entre Roma e Cartago. A estreia oficial foi em Turim e Milão. No mês seguinte, aquele que é considerado o primeiro blockbuster do cinema, chegou também aos Estados Unidos.
 
John Tenniel, ilustrador
(morte: 25.02.1914)
 
O britânico John Tenniel foi o ilustrador original de Alice no País das Maravilhas, escrito por Lewis Carroll, seu trabalho de maior destaque. O autor convidou Tenniell no dia 25 de janeiro de 1864. Para rechear a obra, entregou 92 desenhos, que foram gravados em blocos de madeira para, posteriormente, serem usados na impressão do livro. Esse material se encontra hoje armazenado pela Universidade de Oxford. O ilustrador morreu a três dias de completar 94 anos, em sua terra natal, Londres.
 
Hermann Hesse publica Rosshalde
 
O Prêmio Nobel de Literatura 1946 e um dos mais importantes escritores alemães do século XX, Hermann Hesse, publicou Rosshalde em 1914. O romance traz influências autobiográficas, como em toda a sua obra, e comenta o fracasso no casamento de um casal de artistas. Nessa mesma época, o autor – hoje com mais de 125 milhões de cópias publicadas – se alistou como soldado voluntário na Primeira Grande Guerra, mas por um problema de visão, não foi convocado. Optou por ir a Berna (Suíça), oferecer auxílio aos prisioneiros de guerra alemães.
 
Jackie Coogan, ator
(nascimento: 26.11.1914)
 
John Leslie Coogan, como foi batizado, nasceu em Los Angeles, nos Estados Unidos. Seus primeiros trabalhos como ator vieram ainda no cinema mudo, tendo sido descoberto por Charlie Chaplin. Nas telonas, seus principais filmes foram O Garoto (1921) e Oliver Twist (1922). Entretanto, ficou consagrado mundialmente quatro décadas mais tarde, após ter atuado como Tio Chico na série de TV A Família Addams, exibida na década de 1960. Jackie Coogan faleceu em 1 de março de 1984, em Santa Monica, Califórnia, vítima de um ataque cardíaco.
 
O fim da Belle Époque
 
A eclosão da Primeira Guerra Mundial colocou um ponto final na Belle Époque, período que teve início nas últimas décadas do século XIX, na Europa. A expressão surgiu posteriormente para relacionar a época considerada de forte progresso intelectual, econômico e artístico. O desenvolvimento do telefone, do cinema, do automóvel e do avião foram algumas das inovações tecnológicas de maior expressividade. Tudo isso deu origem também a uma nova rotina, uma forma diferente e otimista de observar e pensar a vida.
 
Alain-Fournier, escritor
(morte: 22.09.1914)
 
Assim como outros escritores e artistas de 1914, o francês Alain-Fournier também foi uma das vítimas da Primeira Guerra Mundial. Morreu em combate, na França, mas só teve sua ossada encontrada e reconhecida em 1991. Um ano antes de falecer, lançou aquele que se tornaria um clássico da literatura francesa: O Bosque das Ilusões Perdidas. O romance é inspirado em uma jovem garota que havia conhecido e acreditava ser seu grande amor. Entretanto, quando se reencontraram, oito anos depois, ela estava casada e era mãe de duas crianças.
 
Freud publica o artigo “Sobre a Introdução do Conceito de Narcisismo”
 
Há 100 anos, Sigmund Freud publicou aquele que foi um de seus artigos mais importantes: “Sobre a Introdução do Conceito de Narcisismo”. Nele, Freud traz suas discussões anteriores sobre o tema relacionando-as com o desenvolvimento sexual, reformulando alguns conceitos. Nesse mesmo ano, vivendo as consequências da Primeira Guerra Mundial, começou a preparar um ensaio posteriormente publicado como “Considerações atuais sobre a guerra e a morte”.
 
 
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