Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 21.12.2012 21.12.2012

Fase bônus: na telona e em capítulos

Por Edu Fernandes
 
Uma missão improvável, diferentes mundos, mais de 180 personagens e muitas e muitas fases a serem vencidas. Detona Ralph, novo filme da Disney Pictures, que estréia no Brasil em 4 de janeiro , faz da telona o cenário ideal para um novo combate.  A referência a títulos famosos, como Sonic e Street Fighter, são a maior atração do filme.
Ralph é o vilão de Conserta Félix, um jogo de fliperama muito parecido com a estreia de Mario e Donkey Kong. Depois de 30 anos bancando o malvado, Ralph decide que é hora de mudar, por isso visita outros jogos para conquistar uma medalha e provar seu valor. É aí que descobrimos um universo onde todos os personagens de videogames convivem.
Fazer uma animação protagonizada por um personagem de jogo eletrônico é um plano antigo da Disney – desde os anos 80 a ideia perambula pelos corredores da empresa. Foi exatamente nessa época que o cinema começou a se interessar pelos videogames em uma relação que cada vez se estreita mais.
FILMES COM JOGABILIDADE
A primeira aproximação entre a sétima arte e os videogames foi puramente comercial. Filmes de sucesso licenciavam seus títulos para que inspirassem jogos eletrônicos. As produtoras desses jogos viam no sucesso dos filmes uma fonte de novos fãs. Porém, as limitações tecnológicas faziam com que o os jogos ficassem bem diferentes dos filmes em que eram baseados.
Assim, muitos games não eram aprovados pelo público. Um exemplo é o jogo ET, lançado no começo da década de 80. O game foi produzido às pressas para acompanhar a estreia do longa, dirigido por Steven Spielberg e não agradou. Ao contrário, Indiana Jones soube adaptar seu formato aos games, instigando o raciocínio de seus jogadores. Baseado em quebra-cabeças, o título transmitia bem a atmosfera de aventura e inteligência das aventuras cinematográficas do arqueólogo.
GAMES NA TELA GRANDE
Na telona, os jogos de décadas passadas também eram simples demais para render boas histórias. A maior reviravolta no roteiro de Super Mario Bros, um dos maiores sucessos da Nintendo, é o letreiro: “Obrigado, Mário! Mas a nossa princesa está em outro castelo”. Não é o tipo de surpresa que faz o espectador ir para a ponta da poltrona.
Até o momento, os games conseguiram gerar filmes de entretenimento, como Hitman e Terror em Silent Hill, ou franquias de blockbuster, como Resident Evil. Agora, no entanto, os roteiros dos jogos estão cada vez mais elaborados e há vários projetos de adaptação em andamento. Um deles é Assassins Creed, que será protagonizado por Michael Fassbender. As tramas de títulos recentes tentam balancear jogabilidade com uma boa narrativa. O resultado são jogadores-espectadores com um controle nas mãos e lágrimas nos olhos ao “zerar” um jogo como Shadow of the Colossus.
ESTRUTURAS MESCLADAS
Além do passeio dos personagens de uma mídia para outra, a linguagem do cinema influenciou os games e vice-versa. Até a geração de Super Nintendo e Mega Drive, as histórias dos jogos eram contadas com imagens estáticas e texto, ou animações simplórias. Isso porque a qualidade dos gráficos e a capacidade de processamento dos consoles eram limitadoras. A partir da geração seguinte (PlayStation e Nintendo 64), animações em computação gráfica tornaram-se a forma predileta de mostrar o desenrolar do roteiro dos jogos.
Esses pequenos filmes eram produzidos para o início e o final do game, com algumas inserções no meio do jogo. Nas animações, fórmulas consagradas pelo cinema foram importadas: movimentação de câmera, enquadramentos, trilha musical para emocionar e tudo o que se pode imaginar. A franquia Final Fantasy (que virou animação para cinema em 2001) é um caso bem-sucedido dessa veia cinematográfica nos games.
 
Cena do filme Detona Ralph
FILMES DE FASES
Assim como as táticas do cinema foram exploradas nos games, o caminho inverso foi traçado. Na adaptação da graphic novel 300 para os cinemas, a linguagem visual e o uso frequente de cenas em câmera lenta lembram momentos de God of War, um jogo tão sangrento quanto o filme, que também se passa na Grécia Antiga.
Nos jogos, as histórias têm fragmentos (capítulos, atos, partes ou fases) mais evidentes do que o cinema costuma apresentar. No entanto, alguns filmes levam para a tela grande uma narrativa que parece tirada das fases de um jogo. O treinamento de Po em Kung Fu Panda para se tornar um valoroso lutador é uma amostra.
A história de Missão Babilônia é um bom exemplo de longa-metragem feito para se transformar em game, algo que nunca se concretizou. No filme futurista, Vin Diesel é um mercenário com a missão de escoltar uma mulher em uma viagem perigosa da Rússia para os Estados Unidos. No caminho, há diversas sequências que parecem “telas” de um jogo: perseguição em paisagem nevada, fuga pelas vielas de uma cidade exótica, e outras situações do tipo.
GAMES PARA FOLHEAR
Uma nova mídia está sendo também invadida pelos jogos eletrônicos: os livros. Vários volumes são publicados com histórias que se baseiam em títulos de sucesso. Warcraft já tem alguns títulos disponíveis no mercado, tanto como RPG quanto literatura.
Os lançamentos mais recentes são God of War e Resident Evil. O último é um caso de multiplataforma levado ao extremo. O livro publicado é a roteiro do filme Resident Evil 5 – Retribuição, transformado em romance.
 
GAMES QUE VIRARAM LIVROS
 
 
 
Assassin´s Creed – Oliver Bowden
Halo Criptum – Greg Bear
Diablo, The Sin War – Richard Knaak
Uncharted – Christopher Golden
Resident Evil – John Shirley
Battlefield 3 – Andy McNab
God of War – Matthew Stover & Robert Vardeman
 
LINHA DO TEMPO DE MOMENTOS DA LIGAÇÃO DOS VIDEOGAMES COM OUTRAS MÍDIAS
 
1992: Dune II: The Building of a Dinasty
O clássico da literatura fantástica inspira um game para Mega Drive e PC
1993: Super Mario
Um dos primeiros títulos do videogame a chegar aos cinemas
1995: Knee-Deep In The Dead
O elogiado romance é baseado no primeiro episódio do jogo Doom, um dos pioneiros de tiro em primeira pessoa
2001: Final Fantasy X
Uma das mais bem-sucedidas franquias dos games começa a usar atores para dublar os personagens
2006: Terror em Silent Hill
O game de terror chega aos cinemas em uma das adaptações mais triunfantes até o momento
2012: Phoenix Wright
O renomado diretor Takashi Miike (13 Assassinos) comandou a adaptação do jogo de tribunal
 
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