Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 26.01.2015 26.01.2015

Estreia de ‘Grandes Olhos’ dá largada para o ano Tim Burton no Brasil

Por Tássia Kastner
Está longe de ser o trabalho mais expressivo do cineasta, mas Grandes Olhos (2014), que estreia no próximo dia 29 de janeiro nos cinemas do país, poderá ser lembrado como o filme que deu a largada para o ano Tim Burton no Brasil.
Simples: o diretor norte-americano aterrissa em São Paulo para a abertura de exposição retrospectiva sobre sua obra no Museu da Imagem do Som de São Paulo (MIS-SP) em janeiro de 2016.
Até a chegada de Burton pelas bandas de cá, muito deve ser dito sobre seu (muitas vezes) excêntrico trabalho. A mostra foi montada pela primeira vez pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) em 2009 e é formada por mais de 700 peças, entre pinturas, fotografias, storyboards, esboços e figurinos que retratam os trabalhos mais conhecidos do público e também projetos pessoais.
Nos cinemas, Grandes Olhos deverá trazer alguma surpresa aos admiradores: desta vez Burton fez um filme, digamos, normal. Para a história da pintora Margaret Keane, o diretor abriu mão, de uma só vez, da estética noir e de referências fantásticas que tornaram a sua obra tão conhecida, para dar espaço às telas de sua biografada.

Margaret Keane (Amy Adams, premiada como melhor atriz de comédia ou musical no Globo de Ouro deste ano, mas de fora das indicadas ao Oscar) teve o crédito de seu trabalho roubado entre as décadas de 1950 e 1960 pelo então marido Walter Keane (Christoph Waltz). Suas pinturas ficaram famosas por retratar crianças com olhos enormes e expressivos, mas a autoria só ficou conhecida quando ela se divorciou e denunciou o roubo, na década de 1970.

É claro que Burton pincela algum surrealismo na vida de Margaret, assim como fez em boa parte de sua obra, que estará exposta. A julgar pelo esmero das últimas mostras que desembarcaram no MIS (Stanley Kubrick, David Bowie e Castelo Rá-Tim-Bum), a cenografia deve ser de encher os olhos.
                                                                                                                      Paris Filmes/Divulgação
Amy Adams interpreta Margaret Keane em Grandes Olhos
A visita, no entanto, fica ainda interessante para quem já dedicou algum tempo aos homenageados. Por isso, eis um guia de imersão do que vale (ou não, mas esses nós ignoramos) ver e ler sobre Tim Burton até janeiro de 2016.
OS IMPERDÍVEIS
Edward Mãos de Tesoura (1991) e Os Fantasmas se Divertem (1988)
Clássicos da Sessão da Tarde, os dois filmes têm a essência de Burton: humor, personagens sombrios e melancólicos, cores saturadas. Entre os imperdíveis, Edward é o mais. O roteiro é assinado por Burton e por Caroline Thompson, e seu protagonista é inspirado em Frankenstein (que dá origem a outros trabalhos de Burton, mas falaremos disso mais para frente). Edward foi criado por um inventor que morreu antes de terminá-lo e vivia sozinho (com suas mãos de tesoura) em uma mansão até ser encontrado por uma revendedora Avon.
Entre as cenas maravilhosas, fique com a do colchão d’água:
Em Os Fantasmas…, um casal morre no primeiro dia de férias, mas se recusa a sair da casa onde vive. Para afastar os novos moradores, os dois decidem fazer o que fantasmas fazem: assustar, ainda que a estratégia não seja muito efetiva mesmo com a ajuda de Beetlejuice (Michael Keaton).
REFERÊNCIAS
Para entender Tim Burton, o mais importante é buscar a origem da estética e de seus temas preferidos. Ler Frankenstein, publicado pela primeira vez em 1818 pela escritora inglesa Mary Shelley, é o primeiro passo. Na história, Victor Frankenstein é um estudante que cria um monstro em seu laboratório. Além de Edward, a clássica obra de Mary Shelley inspira o curta e o longa homônimos Frankenweenie (1984 e 2012).
No visual, o Expressionismo Alemão é o movimento presente em Burton, como ele mesmo afirmou em entrevista ao MoMA para a exposição. O filme O Gabinete do Dr. Caligari (1920), um dos marcos do Expressionismo Alemão,está na íntegra no YouTube.
PRIMEIROS CURTAS
Vincent (1982) e Frankenweenie (1984)
No primeiro, chama a atenção o traço do desenho de Burton, que segue reconhecível nas animações posteriores e mais famosas, e também em cenários, como em A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005). A história é narrada em uma poesia.
Já em Frankenweenie, Burton faz uma espécie de tributo a Frankenstein, com um menino que aprende em uma aula de ciências que pode trazer de volta o cachorro que morreu atropelado.
BATMANS
Tim Burton foi escolhido para dirigir as primeiras versões cinematográficas do personagem da DC Comics, Batman (1989) e Batman: O Retorno (1992). A estética do diretor casa perfeitamente com a Gotham City dos quadrinhos, mas nem todas as decisões dele foram bem aceitas. Fãs reclamaram da escolha de Michael Keaton para o papel de Bruce Wayne/Batman, isso porque o ator não tinha o tipo físico padrão para um super-herói (alto e musculoso).
Bom dar um desconto para o som de tiros (que parece saído dos filmes do Velho Oeste). A nova franquia, dirigida por Christopher Nolan, é bem melhor, mas mesmo para quem gosta muito do Coringa interpretado por Heath Ledger, não esqueçam que Jack Nicholson já mandou muito bem no papel.
ANIMAÇÕES
O desenho, os traços, as histórias: a essência de Tim Burton está aqui. Em stop motion, o cineasta assina O Estranho Mundo de Jack (1993), Noiva-Cadáver (2004) e Frankenweenie (2012) – veja todos (sensíveis a musicais devem deixar O Estranho Mundo… para o final da lista).
REMAKES
A Fantástica Fábrica de Chocolates (2005), Alice no País das Maravilhas (2010) e Planeta dos Macacos (2001). Ainda que a versão original de A Fantástica Fábrica… ainda esteja viva na memória de muita gente, Burton é muito mais tentador ao estimular o pecado da gula nas crianças. A Fantástica Fábrica… é, ainda, um bom exemplo para prestar atenção ao trabalho de Danny Elfman, que faz a trilha dos filmes do diretor desde As Grandes Aventuras de Pee-Wee (1985).
EXTRAS
A melhor narrativa fantástica dirigida por Tim Burton talvez seja Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2004). No filme, adaptação de Big Fish: A Novel of Mythic Proportions, de Daniel Wallace, um velho conta as aventuras que viveu ao sair de casa, quando jovem, misturando realidade com fantasia.
Para quem curtiu Vincent, a Editora Girafinha publica no Brasil O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra, com desenhos e poemas do cineasta para o público infantil (que adultos também devem amar).
EM BREVE
Os Fantasmas se Divertem deve ganhar continuação, segundo afirmou Tim Burton em entrevista ao portal ComingSoon para divulgação de Grandes Olhos. A expectativa é de que as filmagens se iniciem no final de 2015.
                                                                                                                                         Paris Filmes/Divulgação
Mais novo filme do cineasta, que conta a história da pintora Margaret Keane, marca contagem regressiva para exposição no MIS-SP
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