Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 26.02.2010 26.02.2010

Esquemático, sim, e daí?

Com um quê de “comercial de margarina”, a comédia romântica “Simplesmente complicado”, que estréia hoje, repete fórmulas fáceis do cinema hollywoodiano. Esquemático, sim, e daí? Isso não quer dizer que o filme escrito e dirigido por Nancy Meyers seja ruim.

Claro que boa parte do êxito se deve à presença magnética de Meryl Streep no longa, que rendeu uma das duas indicações a prêmios que a prolífica e camaleônica atriz recebeu (a outra foi por “Julie & Julia”).

Meryl faz o papel de Jane, mulher divorciada e solitária, mãe de três filhos, que na formatura de um deles começa a ter um caso com seu ex-marido, Jake (Alec Baldwin). Ao mesmo tempo, ela se envolve com Adam (Steve Martin), arquiteto responsável pela reformas em sua casa. Daí surgem os estopins para o riso, como as crises de ciúme de Jake, o jogo de esconde-esconde com os filhos etc.

Um dos elementos mais típicos – e óbvios – da fórmula “comercial de margarina” é a comilança: Jane é dona de uma sofisticada loja de pães e doceria e a personagem vira e mexe está cozinhando seja para suas amigas, a família ou seus pretendentes. Hollywood vem aprendendo, desde filmes como o dinamarquês “A festa de Babette” (1987) e, bem mais recentemente, o alemão “Simplesmente Marta” (2001), que o público, como o homem, às vezes se conquista pelo estômago.

Outra variante nesta equação para o sucesso é a trilha sonora cool, com artistas recentes (Benjamin Biolay, Basement Jaxx etc.) e outros mais “vintage” (Gladys Knight, David Bowie, Elton John etc.). Fica mais fácil se reconhecer nos personagens quando eles são “embalados” por uma canção ou voz conhecida.

A fórmula, que naturalmente busca atingir um público bem amplo, tampouco dispensa a presença na tela de jovens atores já com algum sucesso em séries televisivas populares, como John Krasinski (de “The Office”) e Hunter Parrish (de “Weeds”). 

Para completar, é preciso dizer que nem mesmo a idéia de fazer um filme sobre o “amor maduro” é nova: a própria Nancy Meyers já o havia feito em “Alguém tem que ceder”, com Jack Nicholson e Diane Keaton. Em “Simplesmente complicado”, a diretora/roteirista não se importa nem mesmo de repetir idéias da comédia anterior, como mostrar as eventuais complicações médicas do “homem maduro” diante do sexo.

Feitas as ressalvas, vale agora ressaltar que “Simplesmente complicado” não nega seus propósitos, já diz ao que veio logo nos créditos iniciais, e tem alguns momentos impagáveis, como as experiências dos personagens com certa erva e várias das seqüências protagonizadas por Baldwin, cuja veia cômica pulsa aí mais do que a do veterano comediante Steve Martin.

Veja abaixo o trailer legendado do filme.

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PS: uma observação um tanto “extra-filme”. Ao lado de “Se beber, não case”, “Simplesmente complicado” foi uma das comédias mais bem-sucedidas de 2009, tanto em termos de público quanto de crítica. Isso, no entanto, não parece ter convencido os membros da Academia – diferentemente do Globo de Ouro e do Bafta – de que o gênero deveria ganhar mais atenção. Ambos ficaram de fora das indicações para o Oscar. No entanto, como se quisesse se “desculpar”, a Academia convidou Steve Martin e Alec Baldwin para apresentarem, juntos, a cerimônia que acontece no dia 7 de março.

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