Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 31.10.2011 31.10.2011

Entre o horror e o mórbido

Por Andréia Silva
Na foto, o diretor e roteirista Alan Ball
 
Medo, suspense, sangue, exagero, morte, gritos e até mesmo doses de humor negro. Esses são alguns dos elementos presentes em livros e séries que valorizam, acima de tudo, o gosto pelo horror e pelo mórbido, um prato cheio para entrar no clima do Halloween.
 
E não pense que para escrever sobre tal assunto é preciso ser sério. Após falar da juventude desregrada de Jesus em O Cordeiro, o escritor Christopher Moore agora mostra como a morte pode ser hilária e vir de diversas formas, até pelo sujeito mais comum. No recém-lançado Um Trabalho Sujo (Bertrand Brasil), o autor faz uma espécie de "O Guia do Mochileiro das Galáxias" mórbido. Seu protagonista é Charlie Asher, um típico macho-beta que tem o infortúnio de perder a esposa durante o trabalho de parto.
 
Depois da tragédia, um misterioso homem com um terno verde-menta e voz de trovão aparece na vida de Charlie e muda tudo. A partir daí, corvos gigantes o acompanham e pessoas começam a morrer ao seu lado. O homem de terno envia o “Fantástico Grande Livro da Morte” para esclarecer tudo: Charlie foi recrutado para ser um Mercador de Almas, ou seja, salvar almas das pessoas antes que as trevas o façam. Mesmo que seu assistente ache que ele é um serial killer e sua irmã lésbica pense que ele precisa mesmo é ter uma vida sexual ativa, Charlie sabe que alguém tem que fazer esse trabalho sujo.
 
Trabalho sujo é o que não falta na vida de Violet Ambrose. A jovem de 16 anos poderia estar ocupada com problemas de sua idade – e ela até está, já que nutre uma paixão secreta pelo melhor amigo –, mas precisa cuidar de um dom indesejado: descobrir cadáveres. Essa é a trama do livro Ecos da Morte (Intrínseca), de Kimberly Derting, recém-lançado no Brasil e primeiro da trilogia americana de sucesso The Body Finder.
 
Desde muito pequena, Violet percebe os ecos, ruídos, cores e cheiros de quem parte dessa para melhor. Mas só as vítimas de assassinato. Tudo piora quando ela passa a ser perseguida pelos ecos das garotas mortas por um serial killer à solta em sua cidade. Não é preciso dizer que os caminhos dos dois irão se cruzar em pouco tempo.
 
Outro livro que aposta no humor negro para conquistar os leitores é Além da Escuridão (Bertrand Brasil), da escritora Hilary Mantel. A protagonista é Alison Hart, uma médium de meia-idade que percorre cidadezinhas para fazer shows e transmitir mensagens de ancestrais mortos. Ela é guiada por Morris, um espírito canalha e fanfarrão. A maioria das mensagens é banal e divertida, já outras contêm segredos que ela prefere não revelar. Ela se depara com todo tipo de espírito: os entediados, velhinhos caducos e até gente famosa, como a princesa Diana e impostores que fingem ser Elvis Presley ou Glenn Miller.
 
Alan Ball, um gosto particular pelo mórbido

O diretor e roteirista americano Alan Ball sabe transformar a morte em inspiração. Aos 13 anos, Ball sofreu um acidente de carro no dia do aniversário de sua irmã, que fazia 22 anos na época. Ela estava na direção e morreu na frente do irmão. A tragédia mudou para sempre a relação de Ball com a morte, que acabaria como protagonista de seus dois trabalhos na TV: A Sete Palmos (Six Feet Under) e True Blood, série que aborda a convivência entre vampiros e humanos.
 
Aclamada pela crítica e público, A Sete Palmos teve apenas cinco temporadas e faturou 44 prêmios em mais de 110 indicações – Globo de Ouro, Emmy, entre outros. O cenário é a funerária da adorável e perturbada família Fisher, em Los Angeles, que, segundo Ball, é "a capital mundial da negação da morte".
 
Elenco de A Sete Palmos
 
Já em True Blood (2008), Ball aborda a vida eterna e a convivência entre vampiros e humanos. O diretor ainda criou outra série tendo a morte como temática principal, All Signs Of Death, baseada no romance “The Mystic Arts of Erasing All Signs of Death”, de Charlie Huston. Mas o piloto foi recusado pela HBO, que talvez tenha achado que era morbidez demais para o mesmo canal.
Casa mal assombrada
 
Entre as novidades para a TV está a série American Horror Story, que estreia no Brasil no próximo dia 8, na Fox. Criada por Brad Falchuck e Ryan Murphy, o criador de Glee, a série estreou nos Estados Unidos no dia 5 de outubro e, de cara, agradou público e crítica.
 
A trama gira em torno dos Harmons, uma família que se muda de Boston para Los Angeles em busca de reconciliação. O problema é que a casa é cheia de mistérios e cercada de vizinhos bizarros, e a governanta da mansão é vista com rostos diferentes dependendo da pessoa que a olha. O elenco conta com Dylan McDermott (Ben Harmon), Connie Britton (Vivien Harmon) e Taissa Farmiga (como Violet, a filha do casal). Mais uma boa pedida para quem gosta de levar um susto de vez em quando.
 

 
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