Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 07.11.2011 07.11.2011

Entre clássicos, contos de fada e arte: o guia literário de Lisa Simpson

Por Andréia Silva
Na foto, Lisa Simpson
 
Ela tem apenas 8 anos, mas provavelmente já leu mais livros do que muito marmanjo por aí. Seus interesses são arte, música, política, esportes, meio ambiente, e até foi fisgada pela Pottermania. Ela é Lisa Simpson, uma das personagens intelectuais mais precoces da TV.
A mais longa série de TV dos Estados Unidos faz, na verdade, uma sátira da vida real, especialmente do american way of life, e inúmeros livros e pesquisas já tentaram decifrar os elementos e referências presentes nos Simpsons. Vegetariana convicta, defensora dos direitos das minorias e do movimento Free Tibet, feminista ardorosa e estudiosa, musicista (ela toca sax, para quem não se lembra), ela é a consciência que reina sobre sua família e também sobre a cidade de Springfield. E o seu gosto pela leitura e os assuntos de seu interesse dizem muito sobre sua personalidade.
 
Ela chega até a assumir que sua condição mais intelectual lhe condenará a “uma vida sem amigos” ou, se é pior, uma vida cercada “por nerds como Gore Vidal, e até ele já beijou mais garotos do que eu”, diz ela em referência ao escritor americano (veja mais abaixo).
 
Os clássicos
 
Lisa valoriza os clássicos da literatura americana, com um gosto especial por poesia. Por exemplo, você conseguiria ler Sylvia Plath na cafeteria da escola? Pois é lá que Lisa dedica tempo para a leitura de A Redoma de Vidro (The Bell Jar), único romance de Plath.
 
Lisa na cafeteria, lendo Sylvia Plath; depois, caminhando no corredor da escola lendo poemas de Emily Dickinson, enquanto um colega apanha de um valentão
 
 
O livro foi escrito em 1961, dois anos antes do suicídio da escritora. Ele traz como personagem central Esther Greenwood, alterego ficcional de Plath, cuja vida passa por transformações desde que ela sai de uma universidade do interior e parte para um estágio em uma das mais importantes revistas femininas de Nova York.
 
Em outro episódio, Lisa aparece lendo Os Poemas de Emily Dickinson, uma antologia de poemas da poetisa americana, lançada originalmente em 1890, enquanto caminha pelo corredor do colégio.
 
A poesia volta a ganhar espaço com o livro Folhas de Relva (Leaves of Grass), de Walt Whitman. Chamado de “o pai do verso livre”, esse livro de Whitman foi o centro de sua carreira como escritor. Ele se ocupou de reeditar e completar o livro – que teve nove edições ao todo – ao longo de sua vida.
 

Lisa em dois momentos: imersa no mundo do verso livre de Walt Whitman e, depois, devorando o texto provocador de Bernard Shaw
 
Outro clássico ‘devorado’ por Lisa em um dos episódios dos Simpsons é Homem e Super-homem (Man and Superman), de G. Bernard Shaw.
 
Um dos mais importantes romancistas e provocadores de seu tempo, e que chegou a recusar um prêmio Nobel de Literatura em 1925, Shaw defende nesse livro a tese de que a humanidade é o último estágio de movimento evolutivo da “força da vida”. Inicialmente, Shaw apresenta a protagonista avessa a casamentos, mas que depois se rende ao matrimônio. Você acha que a veia feminista de Lisa se sentiu provocada ou não pelo autor?
 
Antes de dormir, um pouco de política e história
 
William L. Shirer, autor do clássico sobre a Alemanha nazista, Queda e Ascensão do Terceiro Reich, certa vez disse que tal obra deveria ser lida em repouso. Lisa levou a declaração tão a sério que resolveu ler o livro antes de dormir. Mas logo mudou de ideia. “Essa é a última vez que eu trago esses dois para cama ao mesmo tempo”, disse Lisa no episódio, segurando de um lado o livro, de outro um elefante de pelúcia. No Brasil, o livro de quase duas mil páginas ganhou uma edição em dois volumes pela editora Agir: Triunfo e Consolidação 1933-1939 e O Começo do Fim 1939-1945.
 
 
 
Outro livro eleito para um momento de descanso foi Master of the Senate, de Robert Caro, o terceiro volume da biografia de Lyndon B. Johnson. Um quarto volume deve sair em 2012, contando a parte da vida em que Johnson assumiu a presidência americana.
 
Gore Vidal, escritor norte-americano polêmico pelas posturas que assume contra governos que defendem uma política bélica, especialmente o americano, também tem espaço na biblioteca de Lisa. É sobre ele que ela diz uma das frases mais curiosas do seriado: “Até ele já beijou mais meninos do que eu”, ao que sua mãe responde: “Meninas, Lisa. Meninos beijam meninas”. Mal sabia Marge que Vidal tinha um companheiro fiel, de quem ficou do lado até sua morte, em 2003.
 
Contos de fada e outros
 
Além de ler sobre política e artes, Lisa também se interessa por histórias, digamos, feitas para pessoas da sua idade: os contos de fada. O escolhido foi Contos dos Irmãos Grimm (Grimm Fairy Tales), dos Irmãos Grimm. Jacob e Wilhelm Grimm são responsáveis por grandes títulos infantis. Alguns dos mais famosos são: A Branca de Neve, Cinderela, João e Maria, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, Rumpelstiltskin (lembram-se do malvado de cabelos vermelhos do último Shrek?), entre outros, muitos dos quais acabaram adaptados para o cinema pela Disney.
 
A obra da dupla vai inclusive servir de base para uma nova série policial no canal Universal.
 
Lisa lendo os contos de fada dos Irmãos Grimm, à luz de velas
 
Deixando de lado os temas mais sérios, há também espaço para livros bem-humorados – e fictícios –, como The Big Book of the British Smiles (em tradução livre, O Grande Livro do Sorriso Inglês), que entrou na história com um único objetivo: convencer Lisa, com exemplos práticos, de que o melhor a fazer era usar um aparelho dentário. Do contrário…
 
Livro dos sorrisos

 

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