Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 06.09.2011 06.09.2011

Encontro de gerações: Thalita Rebouças e Tania Zagury trocam experiências na XV Bienal do Livro

Por Cintia Lopes
Na foto ao lado, Thalita Rebouças
 
De um lado, Thalita Rebouças, musa soberana das adolescentes, 13 livros publicados e fenômeno de vendas no segmento infanto-juvenil. De outro, Tania Zagury, filósofa, pesquisadora em Educação com 42 anos de carreira, e escritora de 21 obras.  Além do fato de serem autoras de sucesso, o que as duas têm em comum? A paixão pelos livros e o hábito da leitura cultivado desde a infância.
No bate-papo com o público que aconteceu no espaço Mulher e Ponto na XV Bienal do Livro, no Riocentro, Thalita e Zagury trocaram experiências e falaram sobre suas relações com os leitores. “Sou jornalista por formação, mas jornalista não pode inventar histórias. Por isso optei por trabalhar só com a minha imaginação e sonhava com o dia que isso seria meu ganha-pão”, recorda Thalita, enquanto Zagury também lembra o início da carreira. “Comecei escrevendo para pais e professores e acabei atingindo mais gente”, lembra.
Enquanto Thalita se autodenominava “fazedora de livros” aos 10 anos de idade, Zagury também mostrava sinais de precocidade ao elaborar uma cartilha para alfabetizar a irmã caçula aos 11. Assim, Thalita e Tania comprovam o que as pesquisas há tempos indicam: quando incentivada desde cedo as chances de se tornar um adulto leitor são praticamente certas. As duas também são unânimes em afirmar que a prática das escolas de impor os clássicos da literatura brasileira logo cedo para as crianças é um erro. “O mais sensato é começar e apresentar ao jovem leitor as obras contemporâneas, atuais. E só depois introduzir os clássicos na leitura obrigatória”, avalia Zagury, que lançou recentemente Filhos, Manual de Instruções, da editora Record.
A própria Thalita confessa que passou por experiência “traumática” na infância. “Quando li Dom Casmurro pela primeira vez não gostei. Só tive a capacidade de entender a grandiosidade desta obra aos 22 anos”, recorda. Idealizadora da campanha Ler é Bacana, a autora é uma das recordistas em atrair jovens leitores nas tardes de autógrafos da Bienal. “Livro abre a cabeça. É a melhor companhia. É como fazer a própria novela. Não tem a cara da Carolina Dieckmann. É você quem inventa o personagem, o cenário…”, compara.
 

 Tania Zagury e Thalita Rebouças conversam com o público no espaço Mulher e Ponto, na Bienal do Livro, no Rio de Janeiro
Aos 36 anos, ela credita o sucesso de seus livros justamente na identificação que o público jovem tem com suas histórias. “Desde o meu primeiro livro, Traição entre Amigas, fui adotada pelos adolescentes. E a partir desse momento resolvi escrever somente para eles”, explica ela, enquanto Zagury emenda: “Você entra na casa deles e eu no mundo deles”, compara.
Se Thalita investe no segmento da ficção, Zagury optou por seguir o caminho das pesquisas relacionadas à educação e hábitos da sociedade brasileira. Em uma delas, por exemplo, realizada em mais de 20 estados brasileiros há dez anos perguntava aos jovens: o que você mais gosta de fazer nas horas livres? 77% responderam: ouvir música. Apenas 26,5% disseram que ler era a atividade favorita. “O panorama não mudou muito de lá pra cá, mas acredito que houve um aumento no número de jovens leitores”, analisa.
Thalita também não tem dúvidas nesta mudança e acredita que uma das responsáveis pela recente formação de milhares de jovens leitores na última década foi J.K Rowling, autora da saga Harry Potter. “Sem dúvida ela abriu muitos caminhos. Quando comecei a escrever há 11 anos a maioria dos alunos não gostava de ler”, compara. Até hoje, Thalita diz que ainda encontra certa resistência no público formado por meninos. Por isso, escreveu Ela Disse, Ele Disse, da editora Rocco, onde aborda o dia-a-dia dos garotos. “A partir do momento que ultrapassam a barreira da capa, eles adoram”, conclui. Para a autora da série Fala Sério, a receita do sucesso tem explicação. “Acho que eles gostam dos meus livros porque eu não tento passar lição de moral. Eles é que tiram suas próprias conclusões. Minha intenção é fazer com que eles reflitam, mas sem perder o humor”, ensina.
 
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