Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 09.09.2011 09.09.2011

Em seu primeiro longa, Além da Estrada, Charly Braun mostra o Uruguai que quer guardar na memória

Por Andréia Silva
Além da Estrada, primeiro longa do diretor brasileiro Charly Braun, pode ser visto como um road movie, uma história de dois jovens em busca de uma nova direção na vida, ou até mesmo um romance. Mas acima de tudo, o filme é uma história sobre o Uruguai, de um lado menos conhecido do país que fica logo ali, e das pessoas e lugares que o próprio diretor quer guardar na memória.
 
“Eu tenho uma relação muito próxima com o Uruguai, minha avó é de lá e meu pai mora lá, e sempre quis fazer um filme no país. Mas não sabia bem o que contar. Pesquisei livros, para ver se poderia adaptar uma história, até que um dia eu resolvi começar. Juntei alguns temas que queria abordar, o tom documental, e sabia queria usar a ponte, uma imagem muito forte para mim, e que a história terminaria ali”, diz Charly em entrevista ao Saraiva Conteúdo.
 
No filme, Santiago (Esteban Feune de Colombi), um argentino próximo de seus 30 anos, decide ir ao Uruguai conhecer um terreno deixado por seus pais, mortos em um acidente. Na chegada, ele encontra Juliette (Jill Mulleady), uma jovem belga em busca de um amor do passado. Assim começa a história de encontros e desencontros desses dois jovens, e na qual a melhor parte não é o destino, e sim as histórias que vão se cruzando no meio do Uruguai.
 
A relação entre o diretor e o país dá ao filme uma visão romântica do local, especialmente porque o filme percorre o interior, encontrando personagens simbólicos, ligados às tradições e resistentes às mudanças.
 

Charly Braun
 
“Passei todos os meus verões lá, minhas férias, vou muito lá, então o país representa esses bons momentos. Na época em que fui filmar, percebi que ele estava mudando muito e senti que tudo o que eu gostava estava desaparecendo. O filme é uma chance de preservar o que me interessa”, diz o diretor.
 
Charly filmou o longa em 20 dias e contou com o apoio da meia-irmã, a atriz Guilhermina Guinle, tanto na produção executiva e também como de atriz convidada. Nessa categoria, temos ainda a top model Naomi Campbell, que estava de passagem pela região onde o filme era rodado e topou participar.
 

Já conhecido pela realização de dois curtas, Do Mundo Não Se Leva Nada (2005) e Quero Ser Jack White (2004), Charly diz que a principal diferença entre rodar um longa e um curta foi a burocracia na hora de inscrever o filme em festivais internacionais. "Se você não conhece alguém ou tem uma boa indicação, não adianta nem tentar".

Burocracias a parte, o filme foi premiado no Festival do Rio, em 2010, como melhor direção e, curiosamente, tem se destacado em festivais internacionais, principalmente nos Estados Unidos, onde foi eleito o melhor longa do Festival Brasileiro de Los Angeles.
Protagonista estreante
 
No papel de Santiago, o argentino Esteban Feune de Colombi fez sua estreia em frente às câmeras. “Até então só tinha trabalhado como ator de teatro, e foi incrível, adorei”, diz o ator.
 
A escolha de Esteban para o papel foi por falta de opções, no bom sentido. Como não encontrou nenhum ator para o papel principal, Charly decidiu ouvir uma amiga “que vivia dizendo que tinha um amigo, que não era ator profissional, mas serviria para o papel”. Dito e feito. E o encontro não poderia ter sido melhor. Esteban e Jill já se conheciam da escola, coincidência que indicava que química não faltaria entre a dupla.
 
Após o lançamento do filme, a parceria entre Charly e Esteban deve render novos projetos. A dupla já está pensando em um roteiro para um novo filme e em uma peça de teatro para os palcos brasileiros.
 

Além da Estrada estréia em circuito comercial nesta sexta-feira (9) em São Paulo, Rio, Porto Alegre, Campinas e Salvador.

 

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