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Em ‘Old Ideas’, Leonard Cohen reflete até sobre a morte com paixão e serenidade

Por Mauro Ferreira do Blog Notas Musicais
 
Resenha de CD
Título: Old Ideas
Artista: Leonard Cohen
Gravadora: Columbia / Sony Music
Cotação: * * * * 1/2
"I got no future / I know my days are few", resigna-se Leonard Cohen, aos 77 anos, em versos de Darkness, tema em que reflete sobre a finitude que já se aproxima, sorrateira e sombria. Darkness (Leonard Cohen) é uma das dez músicas inéditas que compõem o repertório de seu 12º álbum de estúdio, Old Ideas, nas lojas do mundo desde 30 de janeiro de 2012 e já editado no Brasil com oportuna simultaneidade pela Sony Music.
 
Primeiro disco de inéditas do artista canadense em oito anos, o sucessor de Dear Heather (2004) flagra Cohen em ótima forma. Canções como Lullaby (Leonard Cohen) estão embebidas em ideias velhas que dão caráter atemporal à obra do compositor.
 
Sem indulgência, Cohen esboça impiedoso autorretrato ao falar de si mesmo na terceira pessoa em Going Home (Leonard Cohen e Patrick Leonard), música sublime que abre este disco em que o compositor reflete sobre vida e morte com doses exatas de serenidade e paixão.
 
Old Ideas trabalha com a essência da música, sem firulas e sem efeitos. A voz do cantor pode já não estar na melhor das formas, mas se ajusta bem ao canto sussurado de Show me the Place (Leonard Cohen e Patrick Leonard).
 
Sim, Cohen soa fiel a si mesmo em Old Ideas – fidelidade atestada pelo canto falado de Anyhow (Leonard Cohen e Patrick Leonard) e pela sonoridade precisa e elegante que se situa entre o folk e o blues (este evocado em especial na moldura acústica de Banjo, belo tema assinado somente por Cohen).
 
Violinos pontuam boa parte das músicas. Vozes femininas também se fazem ouvir em vários temas e, no caso de Come Healing (Leonard Cohen e Patrick Leonard), formam coro de tom quase angelical. Old Ideas é disco feito de sombras, escuridões. Em Different Sides (Leonard Cohen), o compositor aborda os desencontros do amor.
 
Nada soa exatamente novo no álbum, mas a audição de joias como Amen (Leonard Cohen) mostra que as velhas ideias de Leonard Cohen são suficientes para criação de disco que, sem se pretender moderno, já se faz eterno.
 
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