Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 06.10.2011 06.10.2011

Em Filhos do Éden, Eduardo Spohr volta a apostar em seus heróis celestiais

Por Andréia Silva
 
Nas prateleiras de Eduardo Spohr, os super-heróis têm asas, aureolas e um ar celestial. São anjos. Eram assim em Batalha do Apocalipse, e continuam assim em Filhos do Éden, novo livro do autor.
 
Na atual onda de vampiros, robôs, seres de outro planeta, Spohr diz que não importa que essas criaturas sejam diferentes, "mas que carreguem dilemas humanos". “Qualquer ser diferente, o que importa é falar de humanidade”, diz, o que para ele é um dos motivos do sucesso do gênero que hoje domina livrarias e listas dos mais vendidos.
 
Desta vez, o leitor acompanha a trajetória de Kaira, uma celestial que luta para recuperar a memória após anos vivendo na terra, e Denyel, um querubim exilado, que trabalhara como assassino das legiões inimigas.
 
Os dois personagens foram inspirados no irmão e na irmã de Spohr. "Gosto de criar personagens inspirados em pessoas reais, o que facilita em alguns momentos, quando eu posso imaginar o que aquela pessoa faria em determinada situação. O personagem sai do papel e ganha força quando passo a imaginar como ele reagiria na vida real", conta ele que, no primeiro livro, fez do arcanjo Ablon o seu alterego.
 
São cerca de 400 páginas de uma história que traz referências histórias e políticas, como no outro trabalho, e volta a colocar os anjos como os verdadeiros super-heróis, ou melhor, apenas heróis, como o autor prefere. "São heróis como eu acredito que todos nós somos”, diz ele, que traz uma história mais focada nos personagens.
 
“Em Filhos do Éden decidi me concentrar não em um episódio em si, mas nos personagens. Embora os protagonistas também sejam anjos, eles não são arcanjos ou grandes generais da guerra no céu, como mostrado em A Batalha… Agora o destaque são os soldados e capitães, figuras mais frágeis e humanas e, portanto, mais complexas e interessantes. A trama tornou-se então um plano de fundo, uma desculpa para explorar os conflitos e motivações de cada um dos personagens”, comenta o autor.
 
Capa do livro Filhos do Éden
 
Spohr alterna a narrativa mostrando flashbacks de acontecimentos, muitas vezes com personagens que não estão na história, recentes ou do passado dos personagens, e se tornam elementos chave para a compreensão do texto.
 
O livro será publicado em série, de três ou quatro livros. Apesar ser um formato cada vez mais frequente, Spohr diz que optou pela história em série para não demorar muito até o lançamento do livro. "Tinha a ideia de fazer apenas um livro, mas decidi dividir para não demorar muito. O público já pedia um novo título e se fosse deixar para lançar apenas um, levaria tempo. Foi uma decisão pensando nos leitores também".
 
Spohr, que entrou no mercado editorial de forma independente, é um dos mais bem sucedidos escritores do gênero no Brasil. "Temos muitos escritores de gênero no país, mas antes o Brasil tinha uma tendência de achar que o que era feito aqui não era bom. Essa geração está percebendo e mudando”.
 
Quem também mudou isso foram os nerds, ou melhor, a popularidades que essa turma têm hoje. Se antes eles ficavam isolados e nos cantos da sala de aula, hoje eles são diretores, criam programas, séries, jogos e estão mais do que inseridos na cultura pop. “Dificilmente você teria uma série como Game of Thrones fazendo muito sucesso há dez anos. Todo esse interesse pela literatura fantástica tem muito a ver com a cultura nerd e o espaço que ela conquistou hoje”, diz Spohr, que, entre aulas e o tempo dedicado às suas histórias, integra a trupe do site Jovem Nerd.
 
Mesmo com uma sequência pela frente, a caixinha de ideias de Spohr não para de funcionar, e uma outra história já começa a pintar, Anjos da Morte. “Não posso falar muito, para não revelar grandes surpresas. Mas posso dizer que Anjos da Morte, dentre outras coisas, contará o passado de um dos coadjuvantes de Filhos do Éden, o anjo Denyel, e suas aventuras através das guerras do século XX”.
 
 
Recomendamos para você