Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 31.05.2012 31.05.2012

Em ‘A Casa Iluminada’, Alessandro Thomé conta uma história sobre solidão e vingança

Por Andréia Silva
 
Um crime. Um marido abandonado. Um desejo de vingança. Esses são os principais elementos do novo livro do escritor Alessandro Thomé, A Casa Iluminada (Benvirá).
 
Mas eles constituem apenas uma parte da trama, baseada na frieza e solidão de seus dois personagens principais.
 
A publicação, que começou como um pequeno conto de três páginas, traz outros elementos importantes que vão definindo o destino de Melquíades, o marido desamparado, e Ismael, o criminoso, que vivem um embate psicológico, desses no qual vence aquele que sabe explorar melhor a fraqueza do outro.
 
A história é contada em primeira pessoa, do ponto de vista de Melquíades, um homem dominado pelo desejo de vingar a morte da mulher. A ideia do autor era não dar voz a nenhum outro personagem.
 
"Queria dar um tom bem pessoal à vingança, que é algo muito particular. Um narrador, por mais onisciente que fosse, jamais saberia o que se passava na cabeça daquele personagem", conta.
 
A Casa Iluminada destoa completamente da primeira obra do autor, Até o Fim do Dia, lançado em 2007. "O primeiro foi um livro sobre o nada", brinca o escritor. "Foi um exercício. A parir dali, pensei: posso escrever qualquer história", completa.
 
Segundo Thomé, uma das poucas certezas que ele tinha quando começou a escrever a narrativa era de que usaria o mar. Na história, o oceano é refúgio e ao mesmo tempo munição da vingança, contrariando o significado de liberdade que invoca.
 
“Pensei que, para um homem vindo do mar, a pior punição seria ficar longe dele”, conta, ao explicar como escolheu o modo como Melquíades se vingaria do inimigo.
 
A trama pesada saiu inspirada nas histórias reais, tão presentes no nosso dia a dia.
 
"A violência está muito presente nas nossas vidas. Em maior ou menor grau, todos nós conhecemos alguém que já foi vítima de algum tipo de abuso. Acho que isso desperta um interesse nas pessoas sobre o assunto", comenta o autor, que diz não ser fã de seriados e literatura policial, e ser mais adepto das histórias de terror.
O tema – a vingança – deve mexer com os leitores. Questionado se existe um limite entre o que pode ou não ser feito em nome desse sentimento (afinal, é o que move o personagem), Thomé diz acreditar que a vingança é um direito de todos.
"Pense na violência que é alguém entrar na sua vida e tirar algo que é seu. Acho que esse desejo de vingança nada mais é do que vontade de justiça".
E para quem acha que o final de A Casa Iluminada traz uma lição de moral, o escritor já desmonta essa conclusão a que, por recentes comentários, ele prevê que muitos leitores possam chegar (quem devorar as pouco mais de 200 páginas vai entender o recado).
O escritor Alessandro Thomé
Crédito: Rafael Xavier
 
“Não existe uma lição de moral no fim do livro. Algumas pessoas disseram que o final ficou moralista. Eu apenas queria esse desfecho para a história. Só isso".
 
Assim como a primeira publicação, A Casa Iluminada já teve os direitos comprados para ser adaptado para os cinemas. Thomé conta que a produtora responsável já está trabalhando no roteiro, mas o filme ainda não tem previsão de lançamento.
 
O que ele adiantou é que, com relação ao segundo livro, a adaptação deve ser narrada por outro personagem. “Eles me enviaram uma carta, de uma personagem do livro [Francine], e que indicava que ela seria a narradora. Achei interessante, pois ela é uma personagem secundária. Agora é esperar, a história é deles”, brinca o autor, que como todo bom escritor, sabe que todo acontecimento tem pelo menos dois lados.
 
 
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