Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 30.11.-0001 30.11.-0001

Elza Soares em foco

A vida folhetinesca de Elza Soares daria um filme. E deu. Em exibição no Festival do Rio, Elza – documentário dirigido por Izabel Jaguaribe (do sensível Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje) com Ernesto Baldan – retrata na tela grande a cantora que desceu do morro para brilhar no asfalto com sua bossa negra que evocava o bepop de Louis Armstrong. Mas em Elza o foco não repousa sobre a vida de Elza. Há breves takes que abordam a assumida vaidade da artista (“”Revelar a idade é jogar a tolha, e eu ainda estou no ringue””, avisa Elza, marota, em depoimento para o filme), o linchamento moral sofrido nos anos 60 quando a cantora se envolveu com Garrincha (então casado e pai de sete filhas) e o saudável assanhamento da mulata que recusou o posto de sambista para transitar com liberdade pela música brasileira. Contudo, são os encontros musicais de Elza – com Maria Bethânia, Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Jorge Ben Jor – que valorizam e enchem os olhos (e os ouvidos) no documentário. Ver e ouvir Elza cantar o samba “”Rosa morena””, de Dorival Caymmi, diante de uma Bethânia embevecida, é um dos takes que justificam o filme. O encontro com Caetano Veloso, em “”Dor de cotovelo””, é mais emotivo. Como não consegue conter o choro, Elza não mostra no número toda a bossa negra da voz que se junta a Paulinho da Viola (ao violão) para cantar “”A flor e o espinho””  (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito) e “”Sei lá, Mangueira”” (Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola). Em Elza, a música fala por si só.

O filme tem exibição no Festival do Rio nesta quarta, 6 de outubro, no Ponto Cine, às 16h, e na quinta 7, no Cinema Nosso, às 19h.

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