Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 16.12.2009 16.12.2009

ELISABETH BISHOP NOS CINEMAS

O cineasta Bruno Barreto intitulou, provisoriamente, de A Arte de Perder, o filme sobre a poeta americana Elizabeth Bishop. O nome da produção é uma referência ao clássico poema ‘One Art’.

One Art

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.
-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster


Uma Arte
A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. 
[tradução do poeta Paulo Henriques Britto]

 
O roteiro, assinado por Carolina Kotscho, conta a história de Bishop, a poeta norte-americana que morou no Brasil em 1951. O foco da história será o romance que Bishop manteve com a arquiteta carioca Lota de Macedo Soares, que concebeu e construiu o Parque do Flamengo, grande contribuição para a cidade do Rio de Janeiro.

Considerada um dos maiores nomes da poesia americana do século XX, Elizabeth Bishop ganhou os maiores prêmios da literatura americana, incluindo o Pulitzer Prize, em 1956.
Lota Macedo era de uma família da elite carioca, que por problemas familiares resolveu morar sozinha aos 25 anos – um escândalo na alta sociedade da época.
 
O romance entre essas duas mulheres é um dos primeiros registros público do amor lésbico. Em Petrópolis, onde construíram uma casa, Bishop e Lota eram mencionada como “aquelas mulheres”.  A paixão entre Bishop e Lota é relatada na bela biografia Flores Raras e Banalíssimas, de autoria de Carmen L. Oliveira

Na produção de Bruno Barreto, Jodie Foster é o nome mais indicado para interpretar Elizabeth Bishop. O papel de Lota Macedo Soares pode ficar com Glória Pires.
              
Em 2001, a atriz Regina Braga estreou o monólogo Um Porto para Elizabeth Bishop , com texto de Marta Góes, centrado na vida da poeta norte-americana.
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