Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 20.09.2012 20.09.2012

Eiko Ishioka e seus figurinos de tirar o fôlego

Por Willians Glauber

 
As roupas sempre foram parte significativa dos filmes; afinal, é papel delas ajudar a contar a história, transmitir a personalidade dos personagens e demarcar o período histórico. Os figurinos são tão importantes que, em 1948, passaram a ter uma categoria especial na cerimônia do Oscar. Até hoje, já foram entregues 80 estatuetas aos melhores figurinistas. Dentre os tantos “oscarizados”, um deles encheu os olhos dos espectadores nos últimos tempos: a figurinista japonesa Eiko Ishioka.
 
Os últimos personagens a ganhar cores e formas pelas mãos de Eiko foram os de Espelho, Espelho Meu, filme dirigido por Tarsem Singh, que estreou em abril de 2012. Nele, a figurinista usou e abusou das cores fortes, um dos pontos altos de suas criações. Babados, estruturas grandiosas debaixo dos vestidos, chapéus excêntricos e tecidos volumosos encheram os olhos de quem acompanhou a nova aventura de Branca de Neve.
 
Esse foi o último trabalho da carreira da figurinista. Eiko Ishioka faleceu em janeiro. Ela fazia parceria com Singh desde as filmagens de A Cela, em 2000 – ao todo, foram quatro filmes juntos. “É preciso respeitar a proposta artística do diretor, mas, ao mesmo tempo, ter liberdade de propor”, conta Regina Maria Catellani, figurinista que já produziu figurinos para 46 peças de teatro e autora do livro Moda Ilustrada de A a Z. Eiko teve total liberdade de criação nas produções em que participou, mas sempre consultava a opinião do diretor e da equipe criativa.
 
Os figurinos assinados por ela são de tirar o fôlego, literalmente. Durante as gravações de Espelho, Espelho Meu, Julia Roberts disse que as roupas eram muito pesadas e que era quase impossível de se mover. Em uma das cenas, ela chegou a distender um músculo por conta da vestimenta.
 
Ao contrário de Julia, a atriz Andrezza Massei nunca se sentiu desconfortável com os figurinos dos musicais em que já atuou. “Nunca me atrapalhou; às vezes pode limitar um pouco um movimento, mas não chega a ser um obstáculo. O importante é estar confortável, sem ignorar o que o visagista imaginou”, conta a atriz. Atualmente, ela está em cartaz no musical Priscilla, a Rainha do Deserto, peça que requer muitas trocas de roupa. 
 
Eiko criou centenas de roupas especialmente para Espelho, Espelho Meu, a figurinista usou inspirações que vão do século 16 ao 19, criando um conceito de clássico híbrido. “Existe todo um trabalho de pesquisa do figurinista, além da criatividade, questões estéticas e funcionais também”, enfatiza Regina.
 
FIGURINO PREMIADO
Eiko Ishioka recebeu seu Oscar em 1992 pelo filme Drácula de Bram Stoker, dirigido por Francis Ford Coppola. Na produção, ela quis criar um conceito de vídeo, e não apenas um design. No longa, Drácula precisava ter mil faces e estar em uma transformação sem fim. A figurinista teve que transpor esse infinito por meio dos figurinos, e conseguiu. “O figurino é sempre um elemento aliado para nós, atores; ele nos ajuda a nos situar”, explica Andrezza.
 
A figurinista japonesa Eiko Ishioka
Em Drácula de Bram Stoker, foi a primeira vez na carreira que a figurinista usou o laranja, cor que depois apareceria em todos os seus trabalhos. A partir do filme de Coppola, ela pôde mostrar ao mundo suas características mais marcantes: roupas estruturadas, o uso das cores saturadas para provocar erotismo, colarinhos altos, casacos vigorosos de armadura e capacetes sinistros. A própria Eiko se referia ao seu design como louco. “Nos detalhes é que você percebe a identidade do figurinista”, ressalta Regina.
 
Eiko Ishioka participou de oito longas-metragens como figurinista: além de Espelho, Espelho Meu, Imortais e Drácula de Bram Stoker, há também as produções The Fall, Closet Land, Mishima: Uma Via em Quatro Tempos, Teresa, el Cuerpo de Cristo e A Cela.
 
A carreira de Eiko foi marcada por ecletismo. Além de fazer filmes, ela foi diretora de figurino na cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, criou 130 fantasias para o show Varekai do Cirque Du Soleil e é responsável pelos figurinos do musical da Broadway Spiderman – Turn of the Dark. Eiko Ishioka deixou para trás um legado de inovação e criatividade difícil de ser superado.
 
OUTROS OSCARIZADOS
Abaixo você confere os últimos cinco figurinistas premiados pelo Oscar de Melhor Figurino.
 
Alexandra Byrne, por Elizabeth: A Era de Ouro, de 2007
Ela já foi indicada quatro vezes ao prêmio. Em 1998, também criou o figurino de um filme sobre a rainha Elizabeth.
 
Michael O’Connor, por A Duquesa, de 2008
Logo na primeira vez que foi indicado, o figurinista faturou o prêmio. Depois de ganhar o Oscar por A Duquesa, Michael recebeu outra indicação na edição 2011, pelo filme Jane Eyre.
 
Sandy Powell, por A Jovem Rainha Victoria, de 2009
A figurinista tem no currículo três prêmios Oscar. Sua décima indicação à estatueta aconteceu na última edição, a 84ª.
 
Collen Atwood, por Alice no País das Maravilhas, de 2010
Ao todo, foram nove indicações ao Oscar de Melhor Figurino. Collen ganhou três prêmios: em 2002, pelo musical Chicago; em 2005, por Memórias de Uma Gueixa; e em 2010, por Alice no País das Maravilhas. Ela já criou os figurinos de três musicais. 
 
Mark Bridges, por O Artista, de 2011  
Em sua primeira e única indicação, o figurinista levou a estatueta. O filme levou outros quatro Oscar para casa.
 
 
Recomendamos para você