Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 19.02.2010 19.02.2010

“”Educação”” traz atuações excelentes e uma lição universal

Até parece que o principal propósito de “Educação”, que estréia hoje no Brasil em circuito comercial, era mesmo o de “revelar” Carey Mulligan (foto). A jovem atriz inglesa já havia estado em filmes de peso, como “Orgulho e preconceito” e “Inimigos públicos”. No entanto, foi a passagem do longa-metragem pelo Festival Sundance, em 2009, que chamou finalmente a atenção para Carey, que merecidamente concorre neste ano ao Oscar e ao Bafta de melhor atriz, categoria em que também disputou, em janeiro, por um Globo de Ouro.

Mas não é só isso. Com “Educação”, a diretora dinamarquesa Lone Scherfig também voltou a ganhar destaque, ela que não lançava um filme de sucesso desde 2000, quando despontou na cena internacional com a única comédia do movimento Dogma, “Italiano para iniciantes”.

Com roteiro de Nick Hornby, adaptado das memórias de Lynn Barber, “Educação” faz um retrato cuidadoso da década de 1960 em Londres, uma cidade então dividida entre os anos difíceis do pós-guerra e sua emergência cultural. É nesse cenário que encontramos Jenny (Carey), jovem de 16 anos cuja vida, ao menos para o pai, tem um sentido único: entrar em Oxford.

Porém, além de esforçada aluna, Jenny também tem seus sonhos e uma espécie de “talento natural” para o grand monde e a boêmia, representados ao seu ver por Paris e a cultura francesa. E ela enxerga no relacionamento com um homem, com quase o dobro de sua idade, uma espécie de ponte ou, melhor, um atalho para o mundo em que quer habitar.

O mais interessante é que o tal homem – interpretado também com excelência pelo ator Peter Sarsgaard – não apenas “seduz” Jenny, mas também seu ambicioso pai – atuação mais do que competente de Alfred Molina. Com curiosa flexibilidade moral, o pai “faz vista grossa” para o affair de sua filha menor de idade, considerando que um eventual casamento possa muito bem substituir a educação em Oxford.

Carey – com a ajuda da direção segura de atores de Scherfig – interpreta com habilidade e carisma a transformação da colegial em uma jovem sofisticada com ares de Audrey Hepburn. É impossível não torcer pela personagem.

Mas, à medida que David se mostra mais uma via perigosa do que um atalho seguro, Jenny, que se já questionava a “flexibilidade” do pai, e também era questionada por seus professores, vê-se forçada a repensar suas escolhas. E os caminhos da sua “educação”. Uma lição que o público pode facilmente entender como universal.

Veja abaixo o trailer legendado do longa-metragem:

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