Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 19.03.2012 19.03.2012

Editoras portuguesas redescobrem o Brasil

Por Yael Peretz
Neste mês, há uma novidade no mercado livreiro. Chega às prateleiras brasileiras o primeiro título da editora portuguesa Tinta-da-china. Ela se junta a uma lista de outras empresas que já investem no País, como a Leya e a Babel. E a proposta da maioria não é somente trazer os títulos publicados lá, mas também lançar autores brasileiros, criar parcerias, entre outros projetos.
Tinta-da-china
A Tinta-da-china, criada em 2005, tem poucas publicações, mas com expressão. Há três anos conquistou o prêmio de melhor editora portuguesa cedido pela Ler/Booktailor.
 
Desde então acumula lauréis e indicações em diversas categorias, com destaque para as capas assinadas pela designer Vera Tavares. 
Foi fundada por Bárbara Bulhosa, que após trabalhar durante 10 anos na área decidiu abrir seu próprio negócio. “Conhecia bem o mercado, sabia o que não queria fazer como editora e arrisquei em um projeto independente, com pouco investimento, em que pudesse fazer os livros de uma forma um pouco diferente da habitual”, ela conta.
O projeto para expandir a Tinta-da-china surgiu em 2011. Em menos de um ano, a estreia será com Boca do Inferno, livro de crônicas de Ricardo Araújo Pereira, maior referência atual do humor português.
A princípio, no Brasil não serão publicados os 180 títulos que a editora dispõe em seu catálogo, mas será feita uma seleção. Primeiro chegam os autores portugueses Ricardo Araújo Pereira, Dulce Maria Cardoso e Alexandra Lucas Coelho.
O projeto prevê parcerias com escritores brasileiros. A premiada Tatiana Salem Levy, autora de A Chave de Casa e Primos – História da Herança Árabe e Judaica, vai desenvolver uma coleção de literatura infantil, área em que até então a editora não trabalhava. Nesta coleção, também participarão Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares e José Eduardo Agualusa.
No Brasil
A Tinta-da-china não é a única editora portuguesa a seguir o embalo de Brasil – terra de oportunidades.
 
A LeYa foi a pioneira, chegou ao mercado brasileiro em 2009 com o projeto de comprar uma editora nacional. Isso não aconteceu e tiveram que começar do zero. ‘’Embora seja um mercado atraente, ele é muito competitivo. Hoje, estamos tendo bons resultados”, conta Pascoal Soto, diretor editorial responsável pela implementação da companhia no Brasil.
 
Em pouco tempo, emplacaram diversos títulos nas listas de livros mais vendidos. A coleção Crônicas do Gelo e do Fogo, de George R. R. Martin, é o carro-chefe da empresa.
Em Portugal, a Leya é uma das principais empresas do ramo. Foi criada em janeiro de 2007 a partir de uma holding de 16 editoras portuguesas.
 
Segundo Pascoal Soto, foi natural o interesse pelo mercado brasileiro. “A LeYa nasceu com o objetivo de criar um grupo editorial que atuasse em países de língua portuguesa”, explica.
 
Por aqui, trabalham como uma Editora brasileira, o foco são os escritores locais. Entretanto, a relação entre a sede e a sucursal já rendeu a edição de alguns livros brasileiros em Portugal, como O Guia Politicamente Incorreto da América-Latina, de Duda Teixeira e Leandro Narloch.
 
 
A Babel, editora que publica o maranhense Ferreira Gullar em Portugal, começou a atuar no mercado nacional há um ano. Assim como a LeYa, também foi criada a partir da fusão de diversas editoras. Em seu país natal, a Babel reúne nove selos que, somados, contam com aproximadamente 4.500 títulos.
 
O seu catálogo é focado em literatura, principalmente infantojuvenil. Já publica autores brasileiros, como Claudia Nina (Esquece-te de Mim) e Edmar Moreira (Fita Azul). Recentemente, foi lançada uma coleção de biografias de ditadores, entre eles Hitler, Stálin e Churchill.
 
 
 
 
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